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Estado de Minas

Mural modernista na fachada do Detran é vítima do descaso


postado em 16/06/2011 06:00 / atualizado em 16/06/2011 06:05

Obra, com argamassa à mostra, está integrada à sede, que o órgão ocupa desde 1960, na Avenida João Pinheiro: trabalho com abstração geométrica (foto: JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS)
Obra, com argamassa à mostra, está integrada à sede, que o órgão ocupa desde 1960, na Avenida João Pinheiro: trabalho com abstração geométrica (foto: JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS)


Uma cena que atropela os rigores da preservação artística, derrapa nas curvas do que deveria ser um exemplo dado pelo Estado e precisa receber sinal vermelho para evitar que se agrave. Quem vai à sede do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran/MG), na Avenida João Pinheiro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, não deixa de se surpreender com o descaso a que foi relegado o gigantesco painel instalado na fachada do prédio. O estado da obra do artista modernista mineiro Mário Silésio (1913-1990) é lamentável: faltam 57 azulejos e sobram trincas, sujeira e adesivos grudados na superfície nas cores azul, amarela, vermelha e branca. Com a argamassa aparente e impregnada de poeira de asfalto, o aspecto do painel, medindo 13,02m x 2,13m, se torna ainda mais sinistro. O imóvel e seu esquecido mural, datados dos anos 1950, fazem parte do entorno da Praça da Liberdade, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG) e sob proteção específica do Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio.

A diretora de Patrimônio Cultural da Fundação Municipal de Cultura/Prefeitura de Belo Horizonte, Michele Arroyo Borges, destaca a importância da edificação do Detran, com projeto arquitetônico de Hélio Ferreira Pinto, para o patrimônio da cidade. “A Praça da Liberdade e seu entorno abrigam prédios de várias épocas e estilos. Há o Palácio da Liberdade, antigas secretarias e casas, em estilo eclético, o Palácio Cristo Rei, da arquidiocese, que é art déco, e os modernistas, como o Edifício Niemeyer, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, o Ipsemg e outros”, descreve. Michele lembra que o mural não é um bem móvel, mas um elemento integrado ao edifício, que tem uso permanente e grande acesso de público. “O mural precisa ser restaurado”, avalia.

PROJETO Segundo o coordenador de Apoio Administrativo do Detran/MG, Emerson Abreu, o órgão estadual ocupa o prédio da Avenida João Pinheiro, 417, desde 1960. Houve reformas ao longo dos anos, sendo a última uma pintura “que não comprometeu o patrimônio”. Quanto ao mural, adiantou, há um projeto em fase final de elaboração para restauro, com estimativa de que seja remetido ao Iepha/MG no segundo semestre. A expectativa é de execução do serviço no início do ano que vem. Conforme a assessoria do governo estadual, não há plano para integrar o prédio ao circuito cultural da Praça da Liberdade e transformá-lo em museu.

Há 20 anos presenciando o entra e sai constante na área de acesso ao Detran, o vendedor de pamonhas Geraldo Antônio de Araújo, de 48 anos, morador de Contagem, na Região Metropolitana de BH, é um dos que já observaram a necessidade de urgente restauração. “É muito bonito, faz parte da nossa história”, diz o ambulante, que afirma ter notado, dia a dia, o avanço da degradação. Apressada para resolver problemas da carteira de habilitação, a dona de casa Rosilene Dâmaso teve tempo para estacionar diante da obra e razões para se entristecer. “A gente paga tanta taxa ao Detran, e ainda permitem que um trabalho assim chegue a esse ponto. Deveriam restaurar”, criticou.

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