Jornal Estado de Minas

UFMG vai ganhar ecocidade em quarteirão do câmpus Pampulha

Geórgea Choucair
UFMG vai ganhar em breve um quarteirão que vai abrigar os novos laboratórios da Escola de Engenharia com técnicas mais avançadas de uso eficiente de água e de energia
Trata-se do Quarteirão 10, que vai reunir toda a competência da escola nas áreas de uso racional de água, energias alternativas, geração de energia e insumos a partir de resíduos do câmpus, automação predial e eficiência energética“A ideia é transformar o quarteirão em um centro de referência de baixa emissão de carbono.

Queremos usar o conceito de uma eco-cidade, com geração de energia a partir de resíduos gerados no câmpus Pampulha, como restos de alimentos, podas de vegetação, óleo de cozinha, entre outros.”, afirma o professor Carlos Augusto de Lemos Chernicharo, professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG e membro da comissão encarregada do projeto de integração do Quarteirão 10.
Entre as medidas que serão adotadas estão o aproveitamento da água da chuva e o tratamento das águas cinzas geradas nos lavatórios“Se eu usar a água da chuva e a água cinza para lavar pisos, irrigar áreas verdes ou abastecer as caixas de descarga dos vasos sanitários, vou economizar a água potável fornecida pela Copasa”, afirma ChernicharoAlém disso, a energia elétrica demandada pelos laboratórios deverá ser fornecida por fontes alternativas, como solar, fotovoltaica, eólica e energia gerada a partir dos resíduos do câmpus.

Modelo

Em 2010, a Escola de Engenharia da UFMG, em parceria com a Escola de Veterinária, inaugurou em Pedro Leopoldo o Centro de Produção Sustentável, que foi recuperado em parceria com a Pró-Reitoria de ExtensãoA fazenda onde morou o médium Chico Xavier está instalada em área de 425 mil metros quadrados e conta hoje com cerca de 50 professores e funcionários envolvidos em trabalhos de pesquisa, extensão e ensino.

A recuperação da fazenda envolveu a reforma do redondel, que é um pátio para exposição de animais de grande porte, recuperação da casa de Chico Xavier e a constituição de um curral e centro de pesquisas na área de búfalos, para melhoramento genético dos animais.

Na fazenda estão sendo realizados ainda projetos como o enriquecimento das propriedades de escórias de aciarias para uso em novos cimentosO coordenador do projeto, o professor Abdias Magalhães Gomes, do Departamento de Engenharia de Materiais e Construção Civil, conta que na região há diversas empresas geradoras de escória, como ArcelorMittal, Mannesmann, Gerdau e Usiminas.

“Fazemos o beneficiamento da escória, o aquecimento e aí é gerado o cimento, produzido sem liberar dióxido de carbono para a atmosfera”, afirma MagalhãesSegundo ele, o preço desse produto é mais competitivo, em torno de 30% menorEm alguns casos, propicia concretos mais duráveis, como no caso das barragensNa fazenda está sendo instalada uma unidade industrial para produzir 1 mil toneladas do cimento dito ecológicoA unidade industrial que está sendo montada vai propiciar o desenvolvimento de um outro tipo de cimento, também ecológico, a partir da calcinação de estéreis e capas de minas, ou seja, rejeitos
O projeto é financiado pela FapemigA previsão é de que a unidade fique pronta entre 12 e 24 mesesO terreno da fazenda ainda pertence ao Ministério da Agricultura, mas está em fase de doação para a UFMG