Jornal Estado de Minas

Após temporal, falta de energia virou ameaça à rotina de moradores

Falta de energia virou ameaça a festa de casamento em salão da capital. No comércio houve risco a produtos gelados, além da impossibilidade de uso das máquinas de cartão

Flávia Ayer

Com problema na rede elétrica, Dirma Teixeira, funcionária do bufê, no Bairro Gutierrez, não sabia se a comemoração dos noivos seria mantida para a noite de ontem - Foto: MARCOS VIEIRA/EM/D.A PRESS


Sonhos perto de virarem pesadelos, prejuízos financeiros e dor de cabeça fizeram parte de uma sexta-feira marcada pela apreensãoUm dia depois do vendaval de 72km/h que apagou as luzes de casas e comércios de cerca de 1 milhão de moradores da região metropolitana, no início da tarde, 10% desses consumidores, o equivalente a 30 mil imóveis, continuavam a viver num completo breu, com a falta de luz e informação Esse número foi reduzido para 10 mil domicílios e estabelecimentos comerciais nas primeiras horas da noite

Num salão de festas do Bairro Gutierrez, na Região Oeste de Belo Horizonte, até o início da noite o temor era de que a comemoração do casamento marcado há oito meses tivesse que ocorrer à luz de velas e sem músicaIsso porque a carga de energia elétrica que voltou a ser fornecida, no início da tarde, era insuficiente para ligar ao menos um computador“O freezer não funciona, a boate nem o somEstou tentando solucionar o problema de todas as formasAfinal, a noiva depositou a confiança em mimA questão é que ligamos para a Cemig e eles respondem que o problema é na cidade inteiraA energia vai e volta o tempo todoImagine um casamento sem luz?..”, lamentava a proprietária do salão, Cíntia Cavalcante



Às vésperas do Dia dos Namorados, a dona de uma loja de sapatos no Gutierrez, Daisy Cheib, viu o estabelecimento vazio durante todo o dia “Ninguém entraHoje, que, normalmente, seria um dia bom, está parado”, contabilizavaTranstorno parecido ao do dono de uma lotérica no Bairro Prado, também na Região Oeste“Ficamos fechados até as 14h e agora a energia voltou fraca, não dá para funcionarmos na capacidade máximaO resultado é essa fila enorme”, queixava-se Kleber Sampaio Drumond, lembrando que o pagamento das contas ocorre, normalmente, no início do mês

24 horas

Os bairros mais afetados, de acordo com a Cemig, foram o Barroca, Gutierrez e Padre Eustáquio, na Região Noroeste, Planalto, na Região Norte, e Santa Cruz, na Nordeste Mas houve também registros de falta de energia por mais de 24 horas em bairros como Céu Azul, em Venda Nova, e Santa Lúcia e Colégio Batista, na Região Centro-Sul, além da região do BarreiroNa Grande BH, a situação não havia sido normalizada em Brumadinho, Igarapé, Juatuba, Mateus Leme, Vespasiano, Nova Lima e Contagem

A previsão da Cemig, que mobilizou 500 técnicos, era de que até o fim do dia o conserto dos fios partidos por quedas de árvores sobre a rede elétrica estariam concluídos
Mas, posteriormente, a empresa já não estabelecia mais prazosO engenheiro eletricista Paulo Crepaldi, professor do Centro Federal de Educação Tecnológico de Minas Gerais (Cefet-MG), acredita que a estrutura da rede contribuiu para o caos“A rede elétrica é desprotegida e, além disso, não se faz poda de árvore na cidadeDeveriam passar a rede para subterrânea”, defendeuMorador do Bairro Buritis, ele também ficou mais de 20 horas sem luz em casa.