Jornal Estado de Minas

Carros vão deixar de atravessar linha de trem na Região Leste de BH



A retenção do tráfego de automóveis nos bairros cortados pela linha férrea na Região Leste de Belo Horizonte tem previsão de acabar no segundo semestre do próximo ano. A informação é do vice-prefeito, Roberto Carvalho (PT), ao citar ofício da Vale, mineradora que vai executar o projeto de modernização do ramal ferroviário entre os bairros Horto, na capital, e General Carneiro, em Sabará, na Grande BH. O canteiro de obras já está instalado e as demolições de imóveis desapropriados está em andamento, principalmente na área do Bairro São Geraldo, onde será construído o viaduto sobre a Avenida Itaituba, principal gargalo para quem nora na região.



No documento, o diretor de Comercialização de Logística da Vale, Marcello Magistrini Spinelli, também presidente da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), subsidiária que opera o trecho, destaca que o cronograma oficial da obra é de 30 meses, mas que há previsão de antecipação de alguns projetos. “É importante destacar que algumas obras de arte especiais, como os viadutos da Avenida Itaituba e Rua Morrinhos, (bairros São Geraldo e Caetano Furquim) poderão ser concluídas muito antes desse prazo, trazendo benefícios à comunidade em tempo breve”, informa.

A modernização do ramal é uma reivindicação de mais de 25 anos dos moradores de 10 bairros da Região Leste. Nos últimos cinco anos, segundo assinala Roberto Carvalho, com o crescimento urbano, a situação se agravou. O tráfego de automóveis precisa ser totalmente fechado nas duas passagens de nível (cruzamento das vias rodoviária e férrea) da região, na Avenida Itaituba e Rua Morrinhos, para passagem dos trens de carga e passageiros, o que resulta em grandes engarrafamentos. Há períodos de pico de produção, em que o trecho ferroviário é utilizado por 28 composições, diariamente, levando soja, minério, ferro-gusa e produtos siderúrgicos, entre outros.

“Tenho acompanhado esse processo há 15 anos, desde que ainda era vereador. São inúmeras situações de ambulâncias socorrendo pacientes e paradas na passagem de nível. Ver o canteiro de obras implantado e a demolição dos imóveis para o início dos trabalhos de duplicação da ferrovia é uma nova realidade para os moradores de toda região. Restabelece a parceria da cidade com a ferrovia”, assinalou.



O projeto de modernização da linha férrea conta com investimento de R$ 138 milhões, de acordo com orçamento apresentado ao governo federal, e vai beneficiar cerca de 250 mil moradores da área. Serão redesenhados e duplicados 8,3 quilômetros da ferrovia, acabando com alguns trechos perigosos, como a Curva do Cachorro Magro, onde já ocorreram alguns descarrilamentos de vagões. Num deles, envolvendo uma composição carregada de combustível, houve um grande incêndio que, além da poluição ambiental, deixou em pânico moradores vizinhos, diante da possibilidade de explosão.

Além da construção dos viaduto nas passagens de nível, serão instaladas pelo menos duas passarelas em locais estratégicos para a comunidade. O campo do Pompéia Futebol Clube, cuja área foi usada para abrigar o canteiro de obras, vai ganhar instalações modernas e bem estruturadas, em local próximo àquele em que ficava.

A Vale também fará o projeto de urbanização do Parque Linear do Arrudas, futura opção de lazer a ser implementada na região Leste. O parque vai contar com projeto de paisagismo e poderá ser usado como espaço de convivência entre os moradores. Além disso, serão construídas três unidades de recebimento de pequenos volumes (URPVs), em substituição às duas que terão que ser fechadas na Avenida dos Andradas, em função das obras. Entre as contrapartidas ajustadas pela Vale e pela PBH, se destaca a revitalização do Cine Santa Tereza, que voltará a ser uma opção de lazer e cultura para a cidade.