Apenas um quarto da dívida ativa do município, estimada em R$ 4 bilhões, está atualmente ao alcance dos cofres públicos de Belo Horizonte
De acordo o secretário municipal de Finanças, José Afonso Bicalho, dos R$ 4 bilhões que os contribuintes devem aos cofres públicos, a metade virou caso de JustiçaA partir de novas regras para o parcelamento dos passivos, a prefeitura quer estimular devedores a cumprir seus compromissos e evitar que a novela se arraste para o Judiciário“Nosso objetivo é facilitar para o contribuinte, com um parcelamento mais flexívelQueremos que a dívida caiba no bolso de cada um”, afirma.
As novas regras passaram a valer com a publicação do Decreto 14.346, regulamentando a lei sobre créditos tributários, fiscais e de preços públicosAlém do desconto de 10% sobre cada parcela, quem paga a prestação em dia recebe bônus progressivosDepois de 12 prestações quitadas, o devedor ganha desconto de uma parcela, com valor mínimo de R$ 10 para pessoa física e R$ 30 para jurídica, conforme o total da dívidaSe em 24 meses continuar cumprindo suas obrigações em dia, o desconto passa a ser de 1,2 parcelas, e assim por diante
Já quem, mesmo depois de negociar a dívida com a prefeitura, continua sem saldar o compromisso, sofre punições e pode perder facilidades, como a redução do número de prestaçõesEm casos extremos, o tempo de parcelamento da dívida, que chega a 180 meses (15 anos), pode ser reduzido ao pagamento do valor à vista“Muita gente procura a prefeitura para quitar a dívida, faz o parcelamento, consegue a certidão negativa de débitos e, dois meses depois, deixa de pagar as prestações”, esclarece BicalhoAlém disso, quem já está com bem penhorado pela Justiça tem a única opção de quitar o passivo à vista.
Juros altos
Apesar das mudanças, contribuintes se queixam dos altos juros cobrados pela prefeituraO acréscimo aplicado em cada parcela é de 1% ao mês, além da correção monetária anualO indexador usado pelo município é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-Especial (IPCA-E), que está variando em torno dos 6% ao ano“Os juros de órgãos públicos são altíssimos e as dívidas se tornam impagáveis”, reclama o comerciante Ener Batista de Lima, de 58 anos, disposto a tirar das costas um peso de mais de R$ 20 mil, dívida acumulada pelo não pagamento do Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN).
Já o despachante Eli Marcondes Ribeiro, de 49, empenhado em negociar uma dívida de R$ 12 mil de uma vizinha, pondera que falta sensibilidade da prefeitura na hora de avaliar a condição social de cada devedor“A minha vizinha, já de idade, ganha um salário mínimo e tem uma prestação de R$ 100, relativa ao IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)