Não é uma batalha solitáriaSomente no ano passado, segundo o Centro Mineiro de Toxicomania, da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), 2,2 mil pessoas buscaram tratamento para o combate à dependência química no estadoPara quem se decidiu a enfrentar o desafio, especialistas alertam: o mal-estar causado pela falta do tóxico é comum, assim como a chamada fissura pela droga, que pode voltar a qualquer momento na vida do dependente.
Aos 47 anos, pedagoga e professora da rede municipal e estadual de ensino, M.B.Pvive numa cidade do Centro-Oeste de Minas, é mãe de dois filhos de 9 e 14 anos e tem boa condição financeira, apesar de já ter gastado fortunas com a pedraInfluenciada por um amigo, experimentou o crack, droga que a jogou em uma escravidão de 15 anosDepois de conseguir se afastar da pedra por três anos, sofreu uma recaída, o que a fez procurar tratamentoPor falta de vaga na internação psiquiátrica do hospital do Ipsemg, amargou quatro dias de espera.
Uma semana depois de iniciar o tratamento, decidida a enfrentar a droga, a pedagoga contou que as três noites anteriores representaram um “verdadeiro pesadelo”“Foram as piores da minha vidaTive angústia, depressão
Tratamento
Sem comentar o caso específico de M.B.P, o psiquiatra do Ipsemg Paulo José Teixeira, que atende a paciente, explica que a dependência é uma doença crônica e, como tal, ultrapassa questões médicas“Depois da internação, a própria pessoa tem de buscar apoio na comunidade em que viveHá muitas casas de recuperação que fazem esse papel, mas tudo depende do usuárioNão existe uma regra que dite quanto tempo um paciente deva ficar internado”, explica, contando que, nos melhores serviços de tratamento, a taxa de abstinência é de 30%“Quanto mais se tenta, maior é a chance de largar a drogaMas a fissura pode voltar a qualquer momento
Na opinião de Raquel Martins Pinheiro, diretora do Centro Mineiro de Toxicomania, um tratamento de nove meses é um período bom para o usuário“É um prazo para que ele nasça de novo”, compara, ressaltando que ainda não existe medicação que combata o desejo de usar drogas“Por isso, a força de vontade tem que ser grande”, alertaNa unidade dirigida por ela, é crescente o número de usuários de crack em busca de ajudaEm 2009, das 1.040 pessoas que procuraram tratamento, 39% eram dependentes da pedraEm 2010, esse percentual passou para 42%“Muitos acabam voltandoEm 27 anos de história do centro, 35 mil dependentes já foram atendidos e 40% tiveram recaídas.”