Inofensiva, a lei foi publicada no sábado, no Diário Oficial Município (DOM), e entra em vigor em 120 diasMas poucos foram os profissionais de saúde que souberam do assunto e alguns até riram da forma como a ela será aplicadaCriado pela vereadora Maria Lúcia Scarpelli (PcdoB), presidente da Comissão de Diretos Humanos, o Projeto de Lei foi aprovado no fim do ano passado na câmara e previa, em dois artigos, multas e advertências aos profissionais e também a hospitais, clínicas e consultóriosAlém disso, previa uma ação educativa da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA).
Com inúmeros processos de indenização de pacientes que foram vítimas de infecção hospitalar, o advogado e presidente da Organização Não Governamental (ONG) S.O.S Vida Omissão e Erro Médico, Antônio Carlos Teodoro, cobra medidas mais severas contra a falta de higiene desses trabalhadores “Essa legislação não adianta em nadaO que temos visto é um abusoEles saem de jaleco pelas ruas, vão a restaurantes e outros lugares, levando riscos à população e aos pacientes
Em agosto do ano passado, o Estado de Minas publicou reportagem alertando sobre os maus hábitos desses trabalhadoresSegundo estudo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 60% deles não lavam as mãos nem antes e nem depois de um procedimento médicoO alto índice levou o EM a percorrer as ruas da cidade para constatar os outros desleixosHá médicos de jaleco dentro de ônibus, em restaurantes e até mesmo em shoppingsNesta segunda-feira, sete meses depois da matéria, o EM voltou às ruas e nada mudou.
Riscos
Para o professor do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marco Antônio Lemos Miguel, o risco de contaminação pelo mau hábito existeUm estudo feito por ele revelou que alguns tipos de bactérias conservam-se por dias e até dois meses na peça de roupa e pelos menos 90% delas resistem no tecido durante 12 horas.