Jornal Estado de Minas

Proprietário de rede de óticas deve se apresentar à Polícia Civil do Paraná

Landercy Hemerson
O empresário Francisco Sales Dias Horta, de 76 anos, presidente da rede Centro Ótico, deve se apresentar nos próximos dias à Delegacia de Estelionato e Desvios de Cargas (DEDC) da Polícia Civil do Paraná, que apura o envolvimento dele e de parentes num esquema de sonegação fiscal. O advogado do empresário, Elder Afonso dos Santos, afirmou no sábado que seu cliente, ao tomar conhecimento do mandado de prisão contra ele e suas filhas, se dispôs a retornar imediatamente ao país. “Ele está em viagem na Ásia, acompanhado de uma de suas filhas. Ele não é foragido da Justiça, já que só ficou sabendo da ordem de prisão na sexta-feira. Não dá para dizer quando retorna, pois depende de conseguir remarcar as passagens”, afirmou o advogado.
No sábado pela manhã, a empresária Júnia Maria Dias Gomes, uma das filhas de Horta, e o representante comercial Ramon de Oliveira Vieira foram apresentados na sede da DEDC, em Curitiba. Júnia foi encaminhada à carceragem feminina do Centro de Triagem, e Ramon para o xadrez da Delegacia de Furto e Roubos, na capital paranaense. Eles foram presos em Belo Horizonte, na sexta-feira, durante a operação Ilusão de Ótica, por agentes da Polícia Civil do Paraná, que vieram a BH cumprir mandados de prisão contra Francisco Horta e seus parentes, e de busca e apreensão nos imóveis dele e nas lojas da rede Centro Ótico.

A ex-mulher do empresário, Neusa de Abreu Dias, de 72 anos, chegou a ser detida, mas devido ao seu estado de saúde, e por não ter participação na gestão do grupo empresarial, teve sua prisão revogada. Três ordens de prisão provisória que deveriam ser cumpridas em Minas, contra Francisco Horta e as filhas dele Juliana Abreu Horta Purri, que o acompanha na viagem, e Isabela de Abreu Dias Horta, estão em aberto. Isabela, que mora na capital mineira, não foi encontrada. O advogado da família disse que ela vai se apresentar junto com o pai. Em Curitiba, outra filha do empresário, Adriana Dias Horta, e o neto dele Francisco Sales Dias Horta Neto foram presos durante a ação policial.

Investigação da DEDC foi iniciada há cinco meses, e apura o suposto esquema de fraudes no Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo, que teria causado prejuízos de R$ 50 milhões aos cofres públicos, por sonegação fiscal. De acordo com o delegado paranaense Marcus Vinicius Michelotto, chefe da Polícia Civil, as empresas são acusadas de adulteração de notas fiscais para legalizar produtos e sonegar Imposto de Renda. Braços do suposto esquema existiriam ainda em Santa Catarina e São Paulo. Dos 25 mandados de prisão, 16 foram cumpridos até a tarde de sábado.