Jornal Estado de Minas

Esquema de contrabando de óculos trouxe prejuízo de pelo menos R$ 50 milhões

Cristiane Silva
Parte do material apreendido na capital foi levado para uma unidade da PC no Bairro Gameleira, em BH - Foto: Cristina Horta/EM/DA Press
De acordo com a Polícia Civil do Paraná, pelo menos cinco pessoas foram presas em Belo Horizonte na “Operação Ilusão de Ótica”, desencadeada na manhã desta sexta-feira também nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, onde foram presas mais 11 pessoas. Todos seriam suspeitos de envolvimento em um esquema de contrabando de óculos que funcionava há 10 anos e trouxe um prejuízo de aproximadamente R$ 50 milhões aos cofres públicos.

Entre os detidos está a filha de um empresário do ramo de óticas da capital mineira, apontado como chefe do esquema. Na casa dela, no Bairro Belvedere, foram apreendidos vários documentos, CPUs de computador e óculos. A Polícia Civil de Minas Gerais dá apoio aos agentes do Paraná nas diligências na capital e Região Metropolitana. Parte do material apreendido na capital foi levado para uma unidade da PC no Bairro Gameleira. Ainda de acordo com a Polícia Militar, mais de 100 mil mercadorias teriam sido apreendidas nos estados onde a operação ocorre. Fuzis e granadas também foram recolhidos.

Durante os cinco meses de investigações, a Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas levantou evidências de que que redes de óticas de Curitiba e Belo Horizonte (MG) receptavam mercadorias de origem chinesa, que entravam no Brasil pelo Paraguai. Conforme a polícia, as empresas adulteravam notas fiscais para legalizar os produtos e sonegar imposto de renda.

Chefe do esquema é ex-deputado federal de Minas


Ainda de acordo com a Polícia Civil do Paraná, as investigações apontaram que o líder da quadrilha é um ex-deputado e ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Belo Horizonte. Funcionários e familiares serviam como laranjas para a criação de empresas de fachada.

Os envolvidos serão indiciados por receptação de carga de origem ilícita, formação de quadrilha, falsificação de documentos públicos e particulares, lavagem de dinheiro, estelionato, sonegação fiscal, ameaça, corrupção, adulteração e comercialização de produtos nocivos à saúde, comunicação falsa de crime, apropriação indébita e fraude previdenciária.

O delegado-chefe da Delegacia de Estelionato e Desvio de Carga (DEDC), Cassiano Aufiero, informou que o trabalho de investigação continua em busca de outras pessoas que tenham envolvimento com a quadrilha, e há possibilidade de ex-funcionários públicos federais e estaduais terem contribuído na sonegação de impostos.