Jornal Estado de Minas

Igreja debate clima e vida na Campanha da Fraternidade

A ser lançada esta quarta pela CNBB, campanha propõe uma ampla discussão sobre aquecimento global. Arquidiocese de BH abre evento sábado, na Serra da Piedade

Gustavo Werneck
Representantes de 264 paróquias de 28 municípios da Arquidiocese de Belo Horizonte estarão no santuário em Caeté na manhã do próximo sábado - Foto: Beto Novaes/EM/D.A Press - 9/7/10
Aquecimento global, mudanças climáticas e outras ameaças à vida na Terra são tema da Campanha da Fraternidade (CF) 2011, que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lança hoje, às 14h30, em Brasília (DF). O presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, celebra hoje, às 19h, missa campal na Praça da Sé, em Mariana, com reflexão sobre o tema e a quaresma.

Na Arquidiocese de Belo Horizonte, formada por 28 municípios e 264 paróquias, o lançamento será no sábado, às 8h30, no Santuário da Serra da Piedade, em Caeté, na Grande BH, sob o comando do arcebispo metropolitano dom Walmor Oliveira de Azevedo. Ele vai apresentar um conjunto de medidas para garantir a proteção e preservação ambiental dentro do tema Fraternidade e a vida no planeta e o lema A criação geme em dores de parto, propostos pela CNBB.

Segundo o secretário-executivo da campanha, padre Luiz Carlos Dias, o objetivo principal é promover uma ampla reflexão sobre as questões climáticas e difundir a educação ambiental nas escolas e outros setores da sociedade. Além disso, contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e “pessoas de boa vontade”, motivando-as a participar de debates e de projetos voltados para a melhoria de condições de vida. “Queremos iluminar as ações e reflexões”, diz padre Luiz Carlos. A partir do lançamento da campanha em Brasília, pelo secretário-geral e bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ), dom Dimas Lara Barbosa, cada comunidade religiosa do país poderá adequar as diretrizes à sua realidade, orienta padre Luiz Carlos.

Durante a quaresma, os debates ganham as paróquias, comunidades e os mais diversos espaços dos católicos. “A temática é uma preocupação social da Igreja, que quer despertar as pessoas para a educação ambiental porque, no dia a dia, precisamos reduzir o consumo e tomar medidas que impliquem menos gastos”, destaca padre Luiz Carlos. De acordo com o secretário, os temas sociais apresentados pelas edições da Campanha da fraternidade refletem o papel da Igreja junto à sociedade. “A Igreja toma esses temas como reflexão para servir à sociedade, porque implicam sofrimento, dores, morte. A Igreja, imbuída da missão de evangelizar, procura levar a luz de Deus àquela situação, para que brote a vida no seio da sociedade”, disse o padre.

FÉ E ECOLOGIA

Para dom Dimas Lara Barbosa, a fé motiva a Igreja a discutir temas como o deste ano. “A nossa fundamentação é teológica e se baseia no próprio projeto de Deus para com a criação e para com o ser humano”, explica. Dom Dimas destaca ainda que a ecologia humana é de “suma importância” para as discussões, pois trata a vida como um todo e não distingue a vida do planeta da vida dos seres humanos. “A ecologia humana é um tema fundamental trazido pelo papa João Paulo II e, depois, por Bento XVI. De acordo com o papa, o centro do universo está na pessoa e, muitas vezes, as políticas públicas não levam em conta esses dois pontos, principalmente os mais vulneráveis, os mais pobres.” Além do objetivo geral, a CF tem como metas específicas tornar viáveis os meios para formação da consciência ambiental, promover discussões sobre o tema e mostrar a gravidade e a urgência dos problemas ambientais.

Um dos gestos concretos é a Coleta da Solidariedade, a ser feita em todas as dioceses brasileiras em 17 de abril. Do total arrecadado, as dioceses vão destinar 40% para o Fundo Nacional de Solidariedade, ficando o restante nas dioceses, a ser empregado em projetos locais. Os recursos arrecadados na Coleta da Solidariedade são destinados prioritariamente a projetos que atendam os objetivos propostos pela CF.

FIÉIS SE PREPARAM PARA A QUARESMA

Em pleno carnaval, fieis e seminaristas se reuniram, durante três dias, na Catedral da Boa Viagem, no Bairro Funcionários, em Belo Horizonte, para refletir sobre a situação da natureza no século 21, tema da Campanha da Fraternidade a ser lançada hoje pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Os religiosos fazem preparação para o período da quaresma que se inicia hoje, discutindo o tema Fraternidade e vida no planeta. Em pauta, os problemas relacionados ao aquecimento global e às mudanças climáticas e ações possíveis para preservar o meio ambiente e prevenir a ocorrência de novos desastres. Hoje, o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, preside celebração eucarística às 17h30, na catedral, dando início ao tempo quaresmal.

Nos últimos três dias, o Santuário Arquidiocesano de Adoração Perpétua recebeu fieis para um retiro de carnaval. Dividida em três partes – reflexão de um texto bíblico, adoração ao Santíssimo Sacramento e celebração eucarística –, a programação se voltou principalmente para debater questões voltadas para o meio ambiente, atraindo público de todas as idades. De domingo até ontem, os padres Bartolomeu Bravo, André e Vitório Baggi alertaram quanto à necessidade de se pensar o meio ambiente, citando trechos da Bíblia, como o Livro dos Romanos, que diz: “A criação geme em dores de parto”, e pediram aos presentes para refletir sobre a mensagem.

O seminarista Joel Fernandes Lopes considera o carnaval um momento importante de reflexão, por anteceder o início da quaresma. “É uma forma de abrir a mente dos seres humanos, na tentativa de reduzir a violência do homem contra a natureza. As pessoas não têm tempo de parar e pensar, mas é preciso entender por que têm ocorrido tantos desastres na natureza. Afinal, somos nós que provocamos tudo isso”, afirma o seminarista.