Jornal Estado de Minas

Governo assume falhas na atuação do Estado do Aglomerado da Serra

Isabella Souto
O secretário-adjunto de Defesa Social Genilson Zeferino reconheceu ontem que há falhas na atuação do Estado do Aglomerado da Serra, o maior conjunto de favelas de Belo Horizonte. Com a promessa de que a segurança pública não será mais o único foco no local, na semana que vem representantes do governo, secretarias de Saúde e Educação, Copasa, Cemig e Polícia Militar se reunirão para discutir as reivindicações da comunidade. O compromisso, classificado por ele como “republicano”, foi firmado ontem à tarde durante encontro que reuniu governo e líderes comunitários, na Cidade Administrativa. Mais cedo, o governador Antonio Anastasia já havia prometido apuração rigorosa das denúncias contra a ação de policiais na região e pedido que o Ministério Público acompanhasse as investigações.
O compromisso de incrementar a presença do poder público no aglomerado ainda será detalhado. “Acertamos uma próxima reunião, e quem sabe prefeitura e o poder público vão estar mais presentes naquele aglomerado, não só com a questão da segurança, mas também com outros serviços que lá refluíram ao longo dos anos”, afirmou o secretário-adjunto de Defesa Social. De acordo com ele, terão prioridade no local serviços como iluminação, telefonia, transporte coletivo e escolas. “Noventa e nove por cento das pessoas desses locais são trabalhadoras e têm o direito de ter acesso ao que os outros também têm”, completou.

Uma maior presença no Estado no aglomerado não significará diminuição no policiamento do local, a despeito das denúncias dos moradores de abusos e truculência por parte de policiais do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam) e do 22º Batalhão de Polícia Militar. Segundo o assessor de imprensa da PM, tenente-coronel Alberto Luiz, todas as denúncias serão apuradas com rigor, inclusive com o acompanhamento dos líderes comunitários. Embora o prazo previsto pela legislação seja de 40 dias, prorrogáveis por mais 20, a promessa é que o trabalho esteja concluído em menos tempo.

“Um possível erro não justifica discriminarmos os demais integrantes da Rotam”, afirmou o tenente-coronel, que ressaltou o trabalho que considera brilhante, feito pelo grupo no combate ao crime organizado. Mas os argumentos não convenceram os moradores que participaram do encontro e voltaram a criticar a atuação da polícia no local, além de cobrar maior presença do Estado no conjunto de favelas. Para Antônio João de Ramos, líder comunitário de 67 anos, a atuação do Rotam lembra o período da ditadura militar.

“Precisa haver ordem. Que eles sejam educados e respeitem as pessoas, principalmente os menos esclarecidos”, afirmou. Discurso semelhante ao do presidente da Rede Favela e Periferia de Minas Gerais, César Alves, de 43 anos. Segundo ele, a orientação é de que os moradores denunciem atos de violência policial aos órgãos competentes. “Queremos também mais saúde, transporte público, iluminação, coleta de lixo. O que tem lá é muito precário”, argumentou.

O tenente-coronel Alberto Luiz lamentou as críticas à atuação do Rotam e o discurso a favor da extinção do batalhão, feito por alguns representantes de entidades da sociedade civil. “Qualquer comentário neste momento que não venha a contribuir, não é bem-vindo. Necessitamos, sim, de posicionamentos sérios, equilibrados, balizados naquilo que possa contribuir ainda mais para melhorar a segurança pública.”