A proposta de compensação pela perda do Metrópole com a instalação do Klauss Vianna nunca satisfez a comunidade cultural. “A lacuna não foi preenchida. É difícil substituir um templo da sétima arte”, afirma Carlos Henrique Rangel, diretor de promoção do Iepha e autor, ao lado da historiadora Cristina Pereira Nunes, do livro Metrópole – A trajetória de um espaço cultural, de 1993. “Quis o destino que a consciência da cidade fosse tocada pela destruição de um cinema chamado Metrópole. Ponto de encontro de várias gerações, o cinema que divertiu as décadas de 1940 a 1980 abrigou os apaixonados por Hollywood, perdeu-se na vertigem do tempo e do progresso descaracterizador”, ressalta ele na publicação.
Para o historiador, aqueles meses de embate em prol da memória não foram esquecidos. “É uma mancha no passado das pessoas que defenderam a demolição e um marco no currículo de quem foi a favor da preservação”, afirma. Pelo menos nesse caso, a substituição do cinema pelo Teatro Klauss Vianna – que nunca funcionou de maneira plena – não conseguiu apagar da memória dos saudosistas as imagens da destruição de um dos últimos e mais charmosos cinemas de rua de BH.