A água da Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima, na Grande BH, está seriamente ameaçada. O alerta é do deputado estadual Agostinho Patrús Filho (PV), que divulgou, em audiência pública na Assembléia Legislativa, um laudo técnico que denuncia a presença excessiva de coliformes fecais na lagoa. Segundo o documento, houve aumento de mais de 50% em um ano. “A situação preocupa. A Lagoa dos Ingleses é a última da região metropolitana que permite lazer e corre perigo”, avisa.
Na audiência pública, o assunto mobilizou a Comissão de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Assembléia. “Fizemos um requerimento pedindo ao Ministério Público de Nova Lima uma fiscalização no local. À Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), pedimos que verificassem as nascentes próximas. Além disso, que a Feam instalasse uma rede para acompanhar a qualidade da água”, diz o presidente da comissão, Sávio Souza Cruz (PMDB).
A Secretaria de Meio Ambiente de Nova Lima, segundo Patrús Filho, encaminhou dois boletins à Polícia Militar de Meio Ambiente pedindo providências. Segundo o diretor de Meio Ambiente do Clube Serra da Moeda, Roberto Assumpção, em fevereiro de 2007 alguns sócios do clube notaram que água suja e com mau cheiro era lançada às margens da lagoa, perto da estação de bombeamento de esgoto do Condomínio Alphaville. “Eles constataram que uma tampa de uma coletora de esgoto da estação estava aberta. Havia sido instalada de forma improvisada, com uma bomba conectada a um tubo de plástico, do qual saía o esgoto in natura. Eles tiraram fotos com celular, coletaram água e a diretoria do clube enviou o material para análise na Visão Ambiental”, diz Assumpção. “Mas o problema continuou e, depois, foi constatado que a água suja era lançada na lagoa por meio da canaleta de drenagem pluvial. Tudo foi filmado e fotografado”, afirma.
Bombeamento
As fotos e os vídeos foram apresentados na audiência. Segundo Agostinho Patrús, a Feam fiscalizou o local e constatou problemas técnicos no bombeamento e tratamento do esgoto, assim como altos níveis de coliformes fecais. “ A fiscalização resultou em auto de infração à empresa”. Ainda, de acordo com ele, a prefeitura de Nova Lima vai analisar o caso e poderá rescindir o contrato de concessão à empresa. Por sua vez, a Samotrácia Empreendimentos nega todas as acusações. “A água da Lagoa dos Ingleses está 100% limpa. Há um tratamento total no esgoto das casas, que, depois de tratado, é descartado em um córrego que fica 40 metros abaixo da lagoa. A poluição desta natureza é impossível”, alega o presidente da empresa, Augusto Martinez de Almeida, que afirma que as análises apresentadas não são verdadeiras. “Tenho certeza de que as amostras não são da água que tratamos”, garante Martinez, acrescentando que desconhece qualquer auto de infração dirigido à empresa.
Interdição
Trinta frentes de lavra de minério em Minas, Espírito Santo e Bahia foram interditadas em ação de fiscalização do Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Segundo os coordenadores da ação fiscal, 882 homens trabalhavam em condições precárias. Ao todo, 52 mineradoras foram fiscalizadas e 396 autos de infração foram emitidos. Em Minas, foram fiscalizadas 21 empresas, em Teófilo Otoni e Governador Valadares. Foram emitidos 75 autos de infração (29 em Teófilo Otoni e 46 em Valadares) e interditadas seis empresas (duas em Teófilo Otoni e quatro em Valadares). Foram encontradas, no estado, 344 pessoas trabalhando sem equipamentos de segurança, sem instalações adequadas, ao lado de explosivos e sem registros e garantias trabalhistas.