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Estado de Minas

Seqüestrador de Muriaé era ligado a quadrilha


postado em 24/10/2008 07:47 / atualizado em 08/01/2010 04:09

Depois de dar tiros, criminoso se entrega aos negociadores da PM(foto: André Luiz Rangel da Silva/PM/Divulgação)
Depois de dar tiros, criminoso se entrega aos negociadores da PM (foto: André Luiz Rangel da Silva/PM/Divulgação)
O homem que manteve dois jovens por oito horas sob a mira de uma metralhadora e uma pistola calibre 380 em Muriaé, na Zona da Mata, é integrante de uma das quadrilhas mais perigosas da Região Sudeste, responsável por assaltos em municípios de Minas, Rio de Janeiro e Espírito Santo, segundo a polícia. Há cinco dias, o serviço de inteligência da PM em Muriaé recebeu a informação de que Luciano de Paula Carneiro, de 28 anos, e três comparsas, cujos nomes não foram divulgados, planejavam assaltar um banco da cidade, por isso a vigilância em frente às principais agências foi reforçada.

Luciano foi abordado por militares do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam) no fim da manhã de quarta-feira, na estrada que liga o distrito de Macuco ao Centro de Muriaé, trocou tiros com a polícia e fugiu para um depósito de grãos, onde rendeu funcionários e manteve dois reféns até o início da noite. O criminoso se rendeu depois da chegada de seu advogado. O primeiro embate da polícia com Luciano ocorreu a poucos metros do sítio do lavrador Gilmar Neves Filgueiras, de 48 anos, onde o criminoso guardara, dias antes, duas carabinas calibres 22 e 36, e duas escopetas – a primeira de modelo de repetição e um cano, a segunda com dois canos curtos e calibre 12.

“Eu estava dormindo, segunda-feira, quando ele chegou dizendo que ia guardar essas coisas do lado de fora da casa. Não sabia que ele planejava assalto a banco. A gente fica lá sozinho, em um fim de mundo de roça danado, não dá para brigar com um sujeito desses”, contou o lavrador, na madrugada de quinta-feira, na Delegacia Regional de Muriaé, onde prestou depoimento ao lado do concunhado, o vendedor Cláudio Soares, de 43. Quando soube da confusão no galpão, Gilmar pediu ajuda a Cláudio, que guardou as armas no porta-malas do seu carro, disposto a se livrar delas. Três horas depois do desfecho da ação criminosa, o vendedor foi abordado pela polícia e preso em flagrante.

Os investigadores descartam o envolvimento de Gilmar e Cláudio com a quadrilha, mas os levaram para a delegacia porque entendem que deveriam ter avisado a polícia sobre a presença das armas. Gilmar foi liberado depois de prestar depoimento. Cláudio ficou preso, porque estava com as armas quando foi abordado pela polícia. “Ajudei um parente, tinha medo desse pessoal voltar para pegar as armas”, disse.

ALVOS Especializada em roubo de cargas fáceis de revender, como combustível, telhas de amianto e toras de madeira, a quadrilha de Luciano de Paula se desloca por municípios de Minas, Rio e Espírito Santo por estradas de terra, o que dificulta o monitoramento dos serviços de inteligência policial e deixa produtores rurais expostos à ação dos bandidos. Quando Luciano foi abordado pela PM, estava a poucos metros de um grupo em uma caminhonete S-10, que fugiu. Além de roubo de cargas, eles são suspeitos de assaltos a estabelecimentos comerciais e ataques a agências bancárias, por meio do seqüestro, na noite anterior, de gerentes e familiares.

Há pouco mais de dois meses, a Justiça concedeu liberdade provisória a Luciano de Paula, que estava preso na Penitenciária de Governador Valadares por formação de quadrilha, roubo e receptação em Muriaé e Miradouro. Ele é suspeito de pelo menos um homicídio na região. Acompanhado por uma equipe de advogados, na madrugada de quinta-feira, Luciano não falou durante depoimento à polícia; disse que prestaria informações apenas em juízo. O criminoso passou a noite na carceragem da Delegacia Regional de Muriaé. A namorada, Irene Ferreira Pessoa, de 30, estava no carro com ele, mas não participou da ação criminosa. Ela foi liberada depois de prestar depoimento.


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