Isabela Teixeira da Costa
O Laboratório São Paulo completa 85 anos de fundação e tem à frente a terceira geração da família. Nasceu do sonho de seu fundador, o médico José Ribeiro Filho, que decidiu desbravar o setor de análises clínicas preocupado com os doentes de tuberculose que vinham se tratar em Belo Horizonte. De lá para cá, o laboratório cresceu, passou a ser administrado por seu filho, o médico José Euclides Ribeiro, depois que o pai sofreu um grave acidente, e hoje, está sob a direção dos netos do dr. José, Daniel Dias Ribeiro, que é o CEO e Thiago Dias Ribeiro, diretor Financeiro, que compartilham do sonho do avô e estão investindo em inovação e ampliação. Atualmente, o Laboratório São Paulo conta com dez unidades, e tem parceria com mais de 45 convênios e alto nível de satisfação dos clientes.
Qual era a especialidade médica do dr. José Ribeiro Filho?
Meu pai se formou em 1934, na Escola de Medicina, que mais tarde se tornou a UFMG, era a única que existia em Belo Horizonte. Fez clínica médica por três anos, quando foi estimulado, pelo professor dr. Geraldo Siffert, a se dedicar ao laboratório.
Dr. José Ribeiro teve muita dificuldade para abrir o laboratório?
Era uma época que a patologia clínica estava começando, tudo era muito difícil e artesanal, os reagentes eram preparados no laboratório, e eram os médicos quem realizavam os exames. Não se falava muito de em exames e testes laboratoriais. A especialidade em Patologia Clínica estava começando no Brasil, e fomos um dos primeiros na cidade, somos pioneiros. Nossa primeira unidade foi na Rua Tamoios, 522, no edifício Monte Santo, um pequeno prédio onde existia só consultórios médicos, de várias especialidades, um serviço de Raio X, e um laboratório. Lembro que nosso pediatra também era neste prédio. Meu pai começou com mais um médico, além dele, mais dois funcionários, e uma secretária. Ficamos ali por 15 anos, aproximadamente. Foi o início de uma história de sucesso de uma empresa que sempre valorizou em primeiro lugar o atendimento aos seus clientes e aos médicos.
Quantos anos ele tinha quando abriu o laboratório?
Por volta de 30 anos. Ele contava que queria se casar e estava construindo uma casa no Bairro da Serra, e que meu avô veio a Belo Horizonte, muito bravo por causa da demora do casamento. Dai as coisas se precipitaram, ele teve que dar uma pausa nas obras da empresa, se casou e abriu o laboratório em 1937, dando início às suas duas histórias de amor.
Quais os exames eram oferecidos?
Exames mais comuns já eram realizados, hemograma, ureia, creatinina, glicose, colesterol, etc. Lembro também das tubagens gástricas, e de metabolismo basal para função tireoidiana. Lavado brônquico, era um exame muito solicitado, porque naquela época Belo Horizonte era cidade referência para atendimentos e tratamentos de tuberculose, por isso nosso foco principal era o exame de tuberculose.
Quanto tempo em média levava para sair um resultado?
O tempo variava muito, mas a realização era sempre muito demorada, pois os exames eram feitos manualmente.
Ele passava muitas horas no
laboratório?
A vida dele era bem corrida. Passava bem cedo no laboratório, no meio da manhã ia para o Hospital São Francisco de Assis, um hospital de caridade criado pela Sociedade São Vicente de Paulo. Depois do almoço voltava para o Laboratório, e chegava em casa depois das 19hs, o que não era muito usual na época.
Qual e quando foi a primeira ampliação?
Na década de 1950 nos mudamos para um prédio na Rua Carijós, 136, 6º andar, onde ocupamos um espaço bem maior, com instalações mais modernas e confortáveis. Lá ficamos até 1976. Nesta ocasião eu (dr. José Euclides Ribeiro) já havia formado em medicina, e a Patologia Clínica já mostrava bastante progresso. Investimos em uma nova sede e aumentamos nossa estrutura, mas sempre preocupados com a qualidade. Não temos o objetivo de ser uma grande rede, sempre quisemos atender bem os médicos e pacientes. Gostamos de fazer medicina. Mantemos um relacionamento direto com os médicos que muitas vezes nos consultam sobre os exames que precisam ser feitos. Estamos sempre nos hospitais, com os quais temos convênio para debater os casos de pacientes.
O senhor sempre pensou em seguir o exemplo de seu pai?
Desde que me entendo por gente, vivi no meio médico. Quando muito novo ainda, íamos todos às festividades no hospital São Francisco, lembro de um leite com chocolate delicioso servido no lanche após a missa. Papai falava sempre de suas atividades médicas e certamente suas histórias contribuíram para minha escolha. Meu pai era um exemplo de vida para todos nós: católico, honesto, muito caridoso, alegre, nos acordava cantando para irmos para aula, era das pessoas mais simples que conhecia, fazia com a mamãe uma dupla difícil de ser dobrada. Tivemos uma criação maravilhosa, interessante sua influência sobre todos nós, somos sete filhos, dois são médicos. Ele teve 25 netos, destes, 12 são médicos, todos muito bem-sucedidos, graças a Deus. Papai nunca nos obrigou a seguir sua especialidade, fiz meu curso de graduação médica na UFMG, passando por todas as cadeiras com o mesmo espírito e a mesma vontade. Entretanto o destino me puxou muito cedo para a patologia clínica e hematologia, que seria uma escolha natural.
Quando começou a trabalhar no laboratório?
Comecei no laboratório um pouco antes da minha formatura. Em um acidente automobilístico grave perdi minha mãe e meu pai ficou muito ferido, fazendo com que eu assumisse o Laboratório São Paulo no final de 1968. Desse modo, trabalhando e estudando fiz minhas duas especialidades médicas.
Quando a terceira geração assumiu a direção?
Daniel começou a trabalhar no laboratório em 1996, por desejo próprio, quando estava terminando sua residência de Patologia Clínica. Ele se formou em Patologia Clínica, Hematologia, possui mestrado e doutorado pela UFMG em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto e tem Doutorado em Epidemiologia Clínica pela faculdade de Leiden na Holanda. Atualmente, é Coordenador do Serviço de Hematologia do Hospital da Clínicas, CEO do Laboratório São Paulo e responsável técnico do serviço próprio de laboratórios da Unimed BH, e médico Hematologista do Grupo Oncoclínicas. O Thiago se formou em 2003 em administração de empresas pela Una. Em 2005, enquanto trabalhava em outra empresa da família, a Supermix Concreto, precisei dele na gestão do laboratório e desde então ele está cuidando da área financeira.
Depois que assumiram vocês inovaram ainda mais os serviços do laboratório?
Acredito que é o curso natural das coisas. Sempre que entra alguém novo em um negócio, traz um novo olhar, sangue novo, nova visão. Nós somos mais jovens, buscamos o que há de mais moderno e atual na área e estamos trazendo isso para o São Paulo. Tudo isso repercute e mais e melhores atendimentos. Em 2021, realizamos mais de dois milhões de exames com atendimento de mais de 300 mil pacientes. Mantendo a linha de inovação, acabamos de montar uma área de Biologia Molecular com capacidade de realizar vários tipos de exames com essa tecnologia. Passamos a fazer novos exames, como: galactomanana(Diagnóstico da Aspergilose), nível sérico de metotrexato e nível sérico de ciclosporina em pacientes oncológicos. Prestamos um serviço de confiabilidade e estamos capacitados para realizar todos os exames laboratoriais de análises clínicas, com o uso de tecnologias avançadas e profissionais qualificados, oferecemos também os serviços de vacinas e atendimento domiciliar. Ao longo dos anos, conseguimos manter a tradição e, ao mesmo tempo, realizamos investimentos para oferecer a melhor tecnologia e serviço aos clientes. Recentemente, fizemos a troca do parque tecnológico do laboratório com equipamentos que oferecem mais precisão e rapidez nos resultados dos exames e também inauguramos novas unidades para atender a demanda.
O que é Aspergilose?
E uma doença causada pelo fungo Aspergillus que acomete principalmente os pacientes submetidos a transplantes (imunossuprimidos). O LSP está sempre a procura de métodos mais modernos, rápidos e eficazes, podendo desse modo atender seus pacientes.
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