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Estado de Minas Acessório

Elegância no estilo

Aberta no período da pandemia, a Annie Pestana conquistou seu espaço entre as boas marcas do Prado


22/05/2022 04:00

Casaco branco
(foto: Henrique Falci/divulgação)


Saber costurar não só garantiu o sustento de Creziane Barbosa dos Santos na Inglaterra, como possibilitou a abertura de um ateliê de roupa sob medida e customizações, no Bairro de Enfield, em Londres. Lá, entre outros feitos, conquistou uma fiel clientela formada por judeus ortodoxos, para quem trabalha o ano inteiro.
 
Mas sua lista de conquistas vai além: em 2020, ela, que é mineira de Contagem, resolveu empreender em Belo Horizonte produzindo moda para atacado. A marca foi batizada como Annie Pestana, uma abreviação do seu primeiro nome, e o amplo showroom do Prado inaugurado dois dias antes da epidemia de Covid-19. Um impasse para quem tinha investido um grande capital financeiro e emocional em um projeto que significava a materialização de um sonho.
 
Vestido longo
(foto: Henrique Falci/divulgação)
 
 
“Quando meu marido e eu tomamos essa decisão, vim para Beagá para providenciar toda a estrutrura. E encontrei esse excelente ponto, na Rua Cuiabá, perto da Anne Fernandes e da Skazi, região muito frequentada pelas consultoras de moda. Nós compramos o imóvel, fiz uma reforma, contratei a equipe e fornecedores, lançamos a primeira coleção e tudo fechou”, conta a empresária, que administra o negócio de longe, com visitas físicas periódicas à cidade.
 
Prateado
(foto: Henrique Falci/divulgação)
 
 
Como outras marcas e com o auxílio da gerente Renata Moreira, profissional experimentada no mercado, conseguiu dar a volta por cima e acabou de lançar a terceira coleção da Annie Pestana. “Houve uma polêmica com relação à comissão das corretoras e resolvemos que não abaixaríamos o valor da comissão de vendas como estava sendo proposto. Em contrapartida, elas abraçaram a marca e conseguimos seguir nos adaptando ao momento, oferecendo roupas confortáveis para home office, esperando tempos melhores, sem parar de funcionar nem um dia sequer.”
 
O estilo da Annie Pestana é assinado a quatro mãos por ela e pelo estilista Eduardo Suppes. “É uma proposta contemporânea, com uma ‘pegada’ romântica, com muitos detalhes especiais e estamparia exclusiva, que lança mão das tendências de forma bem equilibrada, com muitos tecidos naturais. Nada é exagerado, exposto, mas existe uma pitada de sensualidade. Se mostramos pele em cima, fechamos em baixo e vice-versa. Eu queria uma marca elegante”, explica. 
 
Calça
(foto: Henrique Falci/divulgação)
 
 
Ela percebe que esse perfil, de certa forma, tem origem no trabalho que exerce junto aos judeus ortodoxos, que vivem de uma forma bem particular, o que se reflete também nas vestimentas que usam. “A judia gosta de coisas caras, tecidos de boa qualidade, as roupas são sempre fechadas no pescoço e certas partes do corpo, como os quadris, não podem ser marcadas. Não é permitido mostrar os braços; as mangas são sempre abaixo do cotovelo”.
 
Há toda uma série de protocolos que foram observados nos cinco anos que mantém a loja no bairro. “Assim como fazemos roupas para casamentos e outras festas importantes do calendário judeu, o ateliê é muito procurado para fazer reformas e ajustes em roupas novas, o que inclui também os bebezinhos. O comprimento, segundo a religião, tem de ser seis a oito polegadas abaixo do joe- lho; as mulheres não vestem cores escuras no verão; e tons fortes, como pink e vermelho, são proibidos. Já no inverno, o branco fica de fora da cartela em detrimento do off white, do cinza, do marinho”, ensina.
 
Além de atender os clientes na loja, Annie também presta atendimento em domicílio, o que lhe permite observar de perto como é o dia a dia das famílias e como o judaísmo impacta o comportamento da comunidade. Segundo ela, é claro que esse dia a dia repercute, levemente, na concepção das coleções da marca, mas o fato de viver em Londres, uma cidade plural em termos de moda, propicia uma pesquisa apurada e constante. “Não desligo, o tempo todo estou prestando atenção nos desfiles, nas vitrines das lojas, no comportamento das pessoas nas ruas. Estou em uma capital que faz parte do circuito fashion mundial e isso facilita muito”
 
Até chegar a esse ponto do sucesso financeiro, que possibilitou a abertura do negócio no Brasil, ela enfrentou muitas dificuldades. Uma história especial de sobrevivência na capital inglesa, aonde chegou, como outros imigrantes, com visto de turista, sem falar inglês e com dois filhos na bagagem. Muito cedo, constatou que as promessas feitas por um primo não foram cumpridas. “Tive que me virar, aceitar muitos subempregos. Fui trabalhar em uma lavanderia que oferecia ajustes de roupas e logo me destaquei. De lá, encontrei um posto na Harold’s, na mesma área, e, passo seguinte, abrimos a loja em Enfield”, relata.
 
Annie aprendeu a costurar observando o que a mãe, costureira, fazia. Pegava os retalhos e cortava igual para as bonecas. Queria fugir da costura, mas foi ela quem a salvou e, mais do que isso, permitiu que se realizasse como profissional autônoma e aprendesse muito. Para se ter ideia, a hoje empresária chegou a trabalhar em Savile Row, tradicional rua londrina conhecida por sua tradicional alfaiataria sob medida para homens, onde o nível de exigência chega ao máximo em termos de acabamentos e qualidade. Lá, foi gerente de uma empresa que fazia ternos. “Tive a oportunidade também de estudar, me especializar, fiz um curso de bussiness management que foi muito importante para comandar os negócios”, conta.
 
Não é fácil ter uma empresa do outro lado do oceano, mas a tecnologia permite que ela, com auxílio do marido, se inteire de tudo que está acontecendo no dia a dia, não só em termos de números, mas também da criação das coleções. Além do mais, conseguiu formar uma equipe coesa que garante o bom funcionamento de tudo.
 
São 20 anos na Inglaterra e se lhe perguntam aonde ela que chegar, não titubeia. “Quero ir até onde a moda me levar, sonho em levar a marca para Londres, Estados Unidos, fazer com que ela cresça internacionalmente”, afirma.


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