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Estado de Minas Novidade

Onças coloridas

Depois de São Paulo, Belo Horizonte é a segunda capital a receber a Jaguar Parade, evento que conscientiza sobre a preservação da onça-pintada através da arte.


03/10/2021 04:00

Jaguar Parade
Sãmela Moreira (foto: Bruna Benedito/Divulgação)
 

A arte inspira, provoca reflexões e também pode chamar a atenção para causas importantes. Artistas mineiros que participam da Jaguar Parade alertam para a preservação da onça-pintada, uma dos animais símbolos do Brasil, que corre o risco de entrar na lista de espécies ameaçadas de extinção. As esculturas serão leiloadas a partir do dia 14 e metade do dinheiro arrecadado será doado para a Onçafari, ONG que há 10 anos trabalha pela conservação deste felino em quatro biomas brasileiros.
A Jaguar Parade é uma iniciativa da produtora de eventos culturais Artery, de Florianópolis, que se inspirou em projetos internacionais. A empresa já trouxe para o Brasil a CowParade e a Elephant Parade. “A CowParade é um evento de arte pela arte e depois da Elephant Parade vimos que, quando existe uma causa envolvida, geramos muito mais engajamento”, aponta uma das sócias, Carolina Barreto.
 
Exposição
Pedro Bahia (foto: Ramon Rodrigues/Divulgação)
 
 
Com a Elephant Parade, que passou por BH em 2018, a produtora observou que as pessoas se mobilizavam mesmo em prol de uma causa distante, como é o caso da preservação dos elefantes, que não são uma espécie nativa. Daí surgiu a ideia: por que não chamar a atenção para uma causa brasileira?.
 
Artista
Ana Carolina Bobylly (foto: Hudson Vasconcelos/Divulgação)
 
 
O Brasil abriga a maior população de onça-pintada (também conhecida como jaguar) do mundo. Apesar de toda a sua importância, é uma espécie considerada vulnerável, ou seja, pode entrar para a lista de ameaçadas de extinção. A Jaguar Parade, então, a escolheu como símbolo da preservação do meio ambiente. “A onça é majestosa e tem uma boa área de pintura”, acrescenta Carolina.
 
Quando foi lançada, em 2019, a Jaguar Parade se tornou o maior evento de arte ao ar livre de São Paulo, onde havia 87 esculturas. Em BH, segunda cidade a receber o evento, vão ficar expostas 61 onças de fibra de vidro coloridas, sendo 35 do acervo da produtora e 26 pintadas pelos artistas selecionados em edital. Até terça-feira, o público poderá acompanhar os trabalhos ao vivo no shopping Pátio Savassi.
 
Mostra
Ataíde Miranda (foto: Ramon Rodrigues/Divulgação)
 
 
“Além de envolver uma causa legal, ainda chama a atenção das pessoas para a arte”, resume Ana Carolina Bobylly ao falar da satisfação de participar da Jaguar Parade. A artista, criadora da obra “Preservação infinita”, usou as mandalas, que são a marca do seu trabalho, para alertar para os cuidados com a onça-pintada. “A preservação do animal deve ser como as mandalas: ter início, mas não fim.”
 
Ana Carolina conta que o trabalho foi desafiador, já que a “tela” tinha um formato inédito. Em dois dias, ela pintou a onça de preto e desenhou por cima várias mandalas coloridas. Para a artista, quanto mais cores, melhor. “As minhas mandalas costumam ser circulares, mas resolvi fazer geométricas para dar uma sensação de movimento. Dependendo de como você olha, elas ficam diferentes.”
 
Desde a CowParade Brasil, Marcus Paschoalin já tinha vontade de mostrar sua arte em uma escultura de animal. “Fico feliz de saber que a minha arte vai servir a uma causa tão nobre. É a minha forma de ajudar a natureza”, comenta o artista visual, com a expectativa de que a peça, depois de leiloada, renda uma boa quantia para o projeto.
 
Com a intervenção de Marcus, a onça-pintada virou “Onça listrada”. No lugar das manchas arredondadas, listras em preto e branco e formas geométricas coloridas, que são características do seu trabalho. “Quis mostrar a diversidade da natureza através das cores.” Para o artista, o maior desafio foi o formato da escultura, cheia de curvas.
 
Os traços de Sãmela Moreira, de Timóteo, formam figuras femininas. “Gosto de representar as mulheres no meu trabalho, tanto pelo lado de aceitação do corpo quanto pelo lado de ocupar o seu lugar na sociedade”, justifica a artista, que tem formação em arquitetura e hoje se dedica aos murais. As mulheres que ela desenha são chamadas de Floras, porque vivem livres em meio à natureza.
A artista trabalha com formas orgânicas e vai rabiscando sem muitas regras. Prefere seguir a intuição. Os traços em preto realçam no fundo branco, revelando rostos de mulheres cercados por flores. As cores aparecem pontualmente e em tons que encontramos na natureza.

LIBERDADE A obra recebeu o nome de “Nossas conexões”. Sãmela acredita que as mulheres e as onças se conectam na busca pela liberdade. “Da mesma forma que as mulheres buscam liberdade em meio à sociedade, as onças querem ser livres na natureza”, compara.
 
A obra “O despertar” resume a vida e a arte de Pedro Bahia. Aos 23 anos, ele teve um câncer na hipófise e usou a arte como terapia durante o tratamento. O olho, então, passou a ser um elemento importante no seu trabalho, já que a hipófise é considerada, em várias culturas, um terceiro olho. “O câncer abriu o meu olho para as artes e com esse olho consigo enxergar o que passo para a tela.”
O trabalho do artista de Sete Lagoas, que trocou o direito pela arte, é bem colorido, tanto que ele fala em “explosão de cores”. Na onça, vemos uma combinação de tons vibrantes que contrastam com o fundo preto. Outro símbolo muito usado é o triângulo, que representa a conexão com a espiritualidade.
 
Pedro diz que a natureza é um guia para a sua arte e, exatamente por isso, defende a urgência de repensarmos a nossa forma de consumir, sem medir as consequências para o meio ambiente. “A natureza produz cores, símbolos, formas, é uma artista dentro do nosso universo. É a partir dela que consigo extrair os elementos que fazem parte do meu trabalho”, aponta.
 
O leilão virtual começa no dia 14 e se encerra em 5 de dezembro. O lance mínimo é de R$ 7 mil. Na primeira edição, o valor mais alto arrecadado com uma onça foi de R$ 36 mil. “Vendemos para muitos colecionadores, pessoas que querem colocar em casa ou no sítio e empresas que compram para deixar no escritório”, conta a sócia da Artery, Carolina Barreto.
 
Depois de BH, a Jaguar Parade desembarca em Nova York no ano que vem. Rio de Janeiro, México e Colômbia são outros destinos possíveis.


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