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Estado de Minas novo olhar

Estilo inclusivo

Com foco no plus size, a marca Márcia Morais está comprometida também com a diversidade de idade, etnias e tipos físicos


11/07/2021 04:00

(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
 
A inclusão das numerações maiores em várias marcas brasileiras significa que as empresas ficaram atentas para um nicho de mercado financeiramente importante, mas também – e este é o grande ganho – a adoção de uma política de inclusão dentro do segmento fashion. Verdade que a sociedade evoluiu bastante e a diversidade virou palavra do momento, mas até bem pouco tempo as mulheres mais cheinhas encontravam poucas opções nas coleções tradicionais que atendessem aos seus desejos de moda.Mesmo assim, ainda são poucas as marcas que se arriscam com convicção nesse território. Caso da Marcia Morais, cuja história em si sintetiza a trajetória de empreendedorismo de uma empresária que começou devagarzinho, como costureira, até ganhar um espaço expressivo no setor.
 
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
 
 
Passados quase 25 anos, o local mais confortável para Márcia continua a ser o chão de fábrica, acompanhando todos os passos da produção, do corte e ao acabamento final. É ali que ela reina, conforme explica a filha, Alice Correa, 33 anos, gestora de comunicação e marketing da label. No início, cortava os tecidos e costurava na sala da casa da família e vendia o que fazia em um estande na Feira Shop. Naquela época, já se espelhava em sua própria dificuldade de encontrar roupas que se encaixassem no padrão de numeração imposto pelo mercado. O passo seguinte foi a abertura de uma loja no Barro Preto; depois, veio a fábrica e showroom no Bairro Santo Agostinho, em ponto próximo ao Prado.
 
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
 
 
O segredo do sucesso é, certamente, o fato de se manter fiel ao seu propósito original de atender ao nicho do plus size, que começava a ganhar terreno, e entrar em pauta no mercado da moda, encontrando espaço até nas coleções de grifes internacionais renomadas. Na esteira do assunto, vieram também os eventos especificamente dedicados ao tema, que foram derrubando as barreiras do preconceito estigmatizado. “Minha mãe é da geração dos “fazedores”, e isso foi muito importante porque ela dominava todos os processos da costura e foi levando isso para dentro da fábrica. Mas até hoje ela participa da criação”, explica Alice, que, formada em ciências sociais, não pensava em seguir o caminho profissional materno até que a marca iniciou uma capacitação para participar do Minas Trend. “Comecei a ajudar nos preparativos. Nessa época, a Terezinha Santos fazia uma curadoria para as novas empresas que, como a nossa, estavam chegando no evento e ela observou que eu tinha talento e sugeriu que deveria trabalhar com moda”, revela.
 
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
 

Imagem Isso aconteceu há 10 anos e a sua presença tornou-se essencial para dar uma nova imagem à comunicação da Márcia Morais em um processo de rebrand que trouxe mais frescor e modernidade. “A questão da modelagem com ampla oferta de tamanhos sempre foi e será um grande compromisso nosso, mas hoje podemos nos orgulhar de ter um produto de sucesso, não apenas pela disponibilidade de numerações, mas também por ser um item de moda desejado, por ser uma marca que gira dentro das lojas e que cria valor tanto para quem revende quanto para quem usa”, frisa a gestora. Segundo ela, quando se pensa na mulher Marcia Morais, não se fala apenas de uma persona, mas de uma pluralidade de estilos, idades, etnias e tipos físicos. “Isso tudo faz parte do nosso posicionamento, a moda como instrumento de expressão, autoestima e libertação”, garante.
 
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
 
 
Alice pontua que uma das boas aquisições da empresa nesse sentido foi a contratação de estilista Thalita Rodrigues. Há seis anos, ela iniciou um trabalho paulatino, introduzindo as novidades, criando grupos de produtos com cara mais fashion para que os clientes fossem conhecendo as propostas e se familiarizando com elas. “Apesar de nunca ter atuado no segmento plus size, a Thalita chegou totalmente aberta e abraçou a moda inclusiva”, ressalta Alice.“Foi um grande aprendizado. Quando entrei para a marca, ainda não se falava tanto de diversidade e aceitação do corpo positivo, mas desde o início desenvolvi um olhar contemporâneo para o segmento, centrado no fashion e no que acho bonito. A fórmula que encontrei para desenvolver o trabalho foi pensar em uma roupa de moda que se adequasse a alguns padrões desse público, mas sempre com muito estilo”, pontua a estilista.
 
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
 
 
Todos os shapes das coleções podem ser encontrados até a numeração 52; alguns modelos alcançam o tamanho 56. “Tenho muito orgulho de poder oferecer opções bacanas para essas mulheres que têm dificuldade de encontrar peças com essa pegada no mercado.” O papel de Thalita tem sido quebrar alguns paradigmas, criando mix completos que vão do jeans ao tricô, passando pela alfaiataria e pelo casual. Alguns truques, segundo ela, são imprescindíveis para tornar o corpo das gordinhas mais delineado, como a valorização do colo por meio dos decotes em “V” e os cortes abaixo do busto, mas ela sempre se permite algumas ousadias no sentido de derrubar barreiras.
 
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
 

Novos tempos Os reflexos da pandemia e a necessidade de se ajustar aos novos tempos estão provocando mudanças na Márcia Morais, entre elas o retorno do showroom do Prado para o Bairro Gutierrez, agregado à fábrica. “Será como era antes, facilitando o trânsito entre um local e outro e concentrando as operações em um único CNPJ. Meu irmão João Carlos, que é engenheiro, também vem se somar à equipe para comandar a área financeira e nos ajudar a projetar novos cenários tanto para o segundo semestre deste ano quanto para 2022.” Segundo a gestora, o verão será lançado agora, em julho, e toda a equipe está esperançosa. “Com o avanço da vacinação e as barreiras do isolamento caindo, acreditamos na retomada da vida social e em um calendário de festas intenso com muitas celebrações. 2022 será, certamente, um ano complexo, não sabemos em que nível as empresas de moda retornarão aos negócios, se essa retomada será sustentável, como as políticas públicas atuarão para guiar a vida da população, que, certamente, estará mais empobrecida.” Porém, já está decidido que a marca quer se aproximar mais do varejo: além do e-commerce, que foi criado às pressas diante da epidemia, está nos planos o lançamento de um ponto de varejo, que facilitará a comunicação entre as pontas.
 
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
 
 
(foto: Márcia Morais/DIVULGAÇÃO)
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