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Estado de Minas solidariedade

Você tem fome de quê?

Além de lançar coleção com roupas casuais, que trazem as cores e as formas dos alimentos, Fabiana Milazzo organiza campanha e distribui cestas básicas


11/07/2021 04:00

(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)


São os vestidos de festa que chamam a atenção, mas a linha casual sempre teve um lugar especial no ateliê da Fabiana Milazzo. “Amo fazer alfaiataria, jeans e t-shirt”, revela a estilista, que, nestes tempos de pandemia, teve que mudar o foco da marca. Ainda bem que para o que gosta. A nova coleção, Frutos da terra, é toda inspirada nos alimentos e tem um lado social forte. Lançada em um desfile beneficente, arrecadou dinheiro para a compra de cestas básicas.
 
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
 
 
O tema surgiu quando Fabiana, que é muito conectada com a natureza, estava montando uma horta na casa onde mora, em Uberlândia. A experiência de plantar ervas e verduras a inspirou a levar formas e cores dos alimentos para as roupas. Assim como a nossa biodiversidade, a coleção é bastante colorida. Tem amarelo maracujá, verde menta, verde sálvia, pink pitaia e outros tons encontrados no meio ambiente. “Estamos precisando de alegria e as cores trazem isso.”
 
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
 
 
Seja no casual ou na festa, a estilista sempre se preocupou em fazer roupas com qualidade, conforto e que deixam a mulher bonita. “O nosso casual não é fast-fashion, é um trabalho feito com critérios de qualidade bem rigorosos e mão de obra muito especializada. É a mesma equipe que faz todas as nossas roupas”, pontua a estilista.
 
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
 
 
Independentemente do segmento, a marca também aposta em uma moda atemporal. “Não acredito em moda descartável. Roupas são feitas para durar. Amo quando alguém me fala que tem uma peça minha há 10 anos e a usa até hoje. Para mim, é o melhor elogio”, comenta.
 
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
 
 
Alguns elementos já transitavam entre os universos de festa e casual. Como exemplo, os bordados, que sempre se mostraram exuberantes nos vestidos para a noite, mas que também apareciam, pontualmente, em camisetas, calças jeans e casacos de moletom.
 
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
 
 
Fabiana não deixa de explorar o bordado nesta coleção, seguindo os contornos dos alimentos. Destaque para a jardineira com temperos que parecem sair do bolso da frente, estilo canguru. Há muitas opções de t-shirts bordadas. Entre elas, uma com um pé de limão siciliano e outra com um conjunto de vegetais (beterraba, rabanete, brócolis e cenoura).
 
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
 
 
Nesta coleção, o time de bordadeiras da marca começou a fazer pintura a mão nos tecidos. “Como a demanda por roupa de festa e, consequentemente, por bordado, diminuiu, as bordadeiras aprenderam uma nova função”, explica. A estilista, que sempre investiu no trabalho artesanal, acredita que a novidade enrique as peças de forma bem leve. Um girassol ensolarado pode ser visto em uma blusa de frente única, uma saia, e nas costas de um vestido-blazer.
 
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
(foto: Ita Mazzutti/Divulgação)
 
 
Pensando em elementos que podem substituir o bordado nas roupas para o dia, além das pinturas, Fabiana investiu ainda mais no handmade. Os rolotês, que são aqueles rolinhos de tecido, já característicos da marca, surgem em alças e outros acabamentos dos vestidos. Podemos citar também o richelieu. “O artesanal deixa a roupa com a nossa cara, porque fazemos o que mais ninguém consegue fazer. O que desenvolvemos aqui dentro torna o nosso produto único, original e exclusivo”, comenta.
 
Há três anos, a marca mantém o compromisso de ter pelo menos 30% da coleção sustentável. Logo, é constante a busca por tecidos que geram menos impacto ao meio ambiente. A novidade desta vez é uma sarja que não passa por nenhum processo químico. Algodão orgânico, jeans que não precisa de tanta lavanderia e viscose ecológica são outros materiais já usados pela estilista.
 
Nesta mesma ideia de sustentabilidade encaixa-se o projeto Renovarte, que, há cinco anos, desafia a equipe a criar peças com materiais de coleções anteriores. Tudo o que sobra na etapa de corte e pode ser reaproveitado, incluindo linhas e pedaços de tecidos, é armazenado para se transformar em patchwork. “Tenho sempre uma parte da coleção aproveitando retalhos, em diferentes cores e formatos. Não é um patchwork comum. Fica tão lindo que vira uma obra de arte”, observa.
 
O patchwork pode estar em uma peça inteira, como a saia curta, que mistura retalhos em forma de frutas, poá, renda e linhas coloridas. Aparece também formando um abacaxi, no centro de uma camiseta. A estilista inovou ao transformar o trabalho manual em estampa digital, que enche de cores um vestido longo e esvoaçante. Não tem textura, mas o efeito visual continua a ser impactante. Parece uma colagem.

COMFY Alinhada aos desejos das clientes, a marca acertou ao apostar em uma alfaiataria que chama de comfy. O conforto está principalmente nos tecidos, entre eles 100% algodão. “Estou amando usar um algodão meio empapelado, bem moderno, que fica mais estruturado, mas não incomoda. É muito confortável.” O tecido passeia por toda a coleção, desde short, bermuda e calça a top, camisa e blazer.
 
A modelagem também torna a alfaiataria da marca especial. O smoking, clássico do armário masculino, serviu de inspiração para várias peças da coleção, como macacão, macaquinho, vestido e camisa. A estilista também destaca o uso de cut out, que são recortes que revelam alguma parte do corpo. “A nossa chemise tem um recorte que mostra o osso da costela. É um jeito de deixar a alfaiataria mais moderna, jovem e feminina”, comenta.
 
Quando estava envolvida com a coleção e a pesquisa sobre alimentos, Fabiana teve a ideia de lançar uma campanha para arrecadar cestas básicas. Ver pessoas passando fome na pandemia causou-lhe muito incômodo e ela decidiu que precisava fazer alguma coisa. Gravou o desfile e organizou uma live com celebridades para incentivar doações. No fim, arrecadou R$ 114,6 mil, que foram revertidos em duas mil cestas básicas doadas para 12 instituições de Uberlândia, Belo Horizonte, São Paulo e Paraíba.
 
“Quando você trabalha com um objetivo em mente para ajudar o próximo, as coisas fluem a seu favor. Isso me deu muito mais energia e criatividade. Fiquei mais conectada, inspirada e a coleção ficou muito linda também graças a esse intuito”, diz a estilista.
 
Com a certeza de que a fome não pode esperar, Fabiana acabou antecipando o desfile e não participou da última edição da São Paulo Fashion Week (também estará fora da próxima). Diz que as formas de trabalho estão mudando e gostou muito do formato de desfile gravado com live. “Todo mundo está se reinventando e se redescobrindo”, pontua a estilista, que aproveitou o período da pandemia para reformar as lojas em Uberlândia e São Paulo. O mercado internacional, por enquanto, está em stand by.
 
 


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