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Estado de Minas Vida integral

Há muito a ser feito

"É fácil encontrar meios de jogar sobre os funcionários a culpa pelo serviço ruim"


16/05/2021 04:00 - atualizado 16/05/2021 17:20

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

 
Senti na pele o fato de as ferramentas que criamos, e tanto adoramos, ao mesmo tempo em que nos auxiliam nos atrapalham ou são usadas como desculpa para justificar nossas trapalhadas. Com a morte de meu pai no final de fevereiro, recaiu sobre mim administrar a conta-corrente e a aplicação que ele mantinha em um banco até que o inventário fosse concluído. Era por ela que ele recebia a aposentadoria e pagava as contas, inclusive a do cartão de crédito.
 
Como não poderíamos movimentá-la mais, suspendi os débitos automáticos junto a Cemig e a Copasa, as quais passamos a pagar por outros meios. Dois dias após sua morte, entreguei ao banco a certidão de óbito e fiz um único pedido: suspender o cartão de crédito tão logo a última fatura fosse descontada. Afinal, meu pai não admitia dívidas, muito menos conta no vermelho.
 
Dessa forma, não teríamos que pagar a manutenção de um cartão cujo titular havia morrido. O cancelamento foi pedido à gerente via WhatsApp, pois ela não estava na agência naquele momento. Cinco dias depois, respondeu dizendo que o faria prontamente.
 
Me lembrei de verificar se estava tudo em ordem um mês depois dessa conversa. Foi quando percebi que não apenas o cartão ainda estava em aberto como o saldo estava no vermelho, pois taxas de manutenção do cartão e da conta-corrente haviam entrado, taxas que nunca foram cobradas quando meu pai estava vivo.
 
Outro WhatsApp, porém, desta vez a resposta foi rápida. "Estou de férias. Peço que procure o gerente tal." Sem perder a calma, o fiz. O tal gerente nunca me respondeu. Acabei me esquecendo, tantas foram as outras demandas, e no início deste mês me surpreendi com o volume de taxas e o débito crescentes.
 
Consegui o contato da gerente geral, a primeira pessoa a me dar atenção e, contrariando as recomendações sanitárias, fui pessoalmente à agência. Sei que o banco tem todo o direito legal de cobrar taxas, mas tem também o dever moral de reconhecer que cliente morto não faz compras e muito menos movimenta conta.
 
A justificativa? Os gerentes recebem dezenas de mensagens diariamente, principalmente agora que os clientes estão distantes. O problema é que recebem, leem, passam para a próxima, depois à outra, “rolam as mensagens”, como disse a gerente que me atendeu, e só assimilam alguns pedidos, imagino que os mais bombásticos e ameaçadores.
 
Aquilo que eu havia pedido há dois meses foi resolvido pessoalmente em poucos minutos através de poucos toques no teclado e de conversa cordial. Mil pedidos de desculpas e promessas de que isso não vai mais acontecer. Mas não nos enganemos, está acontecendo a todo momento, não mais comigo acredito, mas com vários dos que me leem.
 
Se estamos nos tornando reféns das facilidades que criamos, algo precisa ser mudado. Confesso que resolver questões bancárias via um celular em minutos de onde se esteja é algo de que ninguém quer abrir mão. Resta às instituições, que lucram muito mais que nós simples mortais, encontrar meios de não jogar sobre seus funcionários a culpa pelo serviço ruim, pois enquanto nos concentramos apenas na falha humana, uma simples demissão pode parecer a solução do problema. Quando de fato não o é.


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