Publicidade

Estado de Minas Artesanal

Bordando moda

Lançada em plena pandemia, a Amitee foi festejada como boa novidade do mercado de pronta entrega do Bairro Prado


16/05/2021 04:00

(foto: Amitee /divulgação)
(foto: Amitee /divulgação)
 
Ah, o bordado! Quem não se deixa encantar por ele! Faz parte do cotidiano do homem desde os tempos mais remotos, como explica Antônio Fernando dos Santos, coordenador do curso de design de moda da Fumec e estudioso do assunto. O tema foi, inclusive, homenageado em uma das edições dos desfiles de formatura dos alunos da universidade.
 
(foto: Amitee /divulgação)
(foto: Amitee /divulgação)
 
 
No artigo que escreveu, na época, o professor configura a história do bordado e como ele evoluiu com o passar dos séculos com a introdução de novos materiais, refinamento de técnicas e criação dos motivos ornamentais. Da Idade Média até as passarelas contemporâneas foi um longo caminho, mas dois elementos continuam atuais: o primeiro é o de se caracterizar por uma atividade ainda tipicamente feminina. O segundo é o espaço especial que ocupa na moda mineira, famosa por se apoiar nos trabalhos manuais relacionados aos saberes e fazeres do estado.
 
(foto: Amitee /divulgação)
(foto: Amitee /divulgação)
 
 
Quem convive com as cidades do interior tem oportunidade de entrar em contato com essas tradições mais de perto, porque elas ainda são preservadas, passadas de mães para filhas em uma cadeia interminável, que, na maioria das vezes, garante trabalho e renda para as comunidades. É o caso de Valéria Moreira Mendes, nascida em Curvelo, entrada do sertão de Minas Gerais, que trabalhou 20 anos no showroom da Lígia Nogueira, em Belo Horizonte.
 
(foto: Amitee /divulgação)
(foto: Amitee /divulgação)
 
 
Simpática, cheia de energia, ela faz parte do time de pessoas que não deixam problema para ser resolvido depois. Acompanhou a evolução da empresa, mas, depois de duas décadas, resolveu “dar um tempo” no emprego para ver o que queria realmente fazer.
 
(foto: Amitee /divulgação)
(foto: Amitee /divulgação)
 
 
“Entre 2019 e 2020, saí de lá para repensar a minha vida. Enquanto estava trabalhando na Lígia Nogueira, criava coleções de t-shirts e jaquetas bordadas, em sociedade com uma amiga, a Bebel Menezes, que eram enxertadas no mostruário. Resolvemos então nos unir e criar uma marca com base nesses produtos e com as mesmas características. E foi assim que nasceu a Amitee”, relembra Valéria.
 
(foto: Amitee /divulgação)
(foto: Amitee /divulgação)
 
 
A resolução veio em janeiro; em fevereiro, foram montados o showroom, no Bairro Prado, e as equipes de facção. Em março, veio a pandemia. “Nós não pudemos nem abrir o showroom, porque as medidas sanitárias da prefeitura exigiram o fechamento de todas as atividades não essenciais”, ela conta.
 
Contou a favor o fato que o Instagram da Amitee já havia sido criado e as duas sócias deram início às postagens das peças que estavam prontas. A novidade correu entre as consultoras de moda, responsáveis pelos negócios entre as marcas e os lojistas.
 
“Os moletons bordados foram muito bem recebidos e as pessoas gostaram da proposta, que reunia conforto e sofisticação na medida certa. As vendas iam acontecendo por meio do WhatsApp e do próprio Instagram, isso até final de agosto, quando começou a flexibilização do comércio. Mas, a essa altura, quando pudemos voltar ao showroom, a marca já estava rodando no mercado”.

Atenção Indagada, na época, sobre o que havia de novo nos lançamentos para a estação, a consultora Delma Cardoso citou a Amitee sem pestanejar, destacando as jaquetas e as camisetas. “Os bordados com pedras e linhas estão bonitos, são diferentes e bem comerciais.”
 
Valéria considera que o que chamou a atenção no produto foi sua característica handmade. “Considero que esse é nosso DNA. A mão de obra é formada por grupos de bordadeiras das redondezas de Belo Horizonte. Montamos várias equipes, envolvendo muita gente. Isso dá uma cara sustentável para a marca, já que ela está ligada à geração de renda e à valorização dessas pessoas”.
 
Segundo a empresária, é muito emocionante verificar que, na maioria dos casos, é esse trabalho que sustenta as mulheres. Mas, ela conta, há homens também integrando as equipes, cerca de 10. Caso do Rafael, que trabalhava como pedreiro e, durante a pandemia, aprendeu a bordar com sua mulher para ajudar na renda familiar. “Estamos contribuindo também para a economia não parar”, frisa, informando que, de acordo com o desenho dos bordado, leva-se um dia ou mais para as peças serem elaboradas.
 
A dinâmica do negócio inclui lançamentos de cápsulas sazonais. Elas foram crescendo e, além das malhas e do jeans, entraram também as tricolines acetinadas na linha de camisaria e os vestidos bordados em linhas. “Os conjuntos com calças são muito confortáveis e versáteis, podem ser usados em várias ocasiões”, resume. A cápsula Presença, lançada na última semana de abril, veio com a presença da laise. E tem, ainda, calça clochard e short como novidade.
 
Toda a pesquisa e criação é feita pelas duas sócias, que contam com a ajuda de um pilotista de bordado. Ele coordena a equipe responsável pelos riscos a mão nas peças que, em seguida, seguem para as bordadeiras. Valéria explica que tudo foi acontecendo de uma forma vertiginosa.
“A gente tinha que lançar a marca, cuidar da parte do brand, criar os modelos, vender. Foi uma correria e, agora, estamos até aumentando a equipe, mas é muito compensador ver que, apesar do momento difícil, o trabalho está prosperando, as pessoas estão apreciando o que estamos criando.”
 
Outro ponto decisivo para alavancar os negócios foi a ampla rede de relacionamento que ela fez ao longo dos anos. “Conheço todas as consultoras e criei laços com elas. Então, quando comuniquei que estava abrindo a Amitee, tiveram muito interesse em prestigiar nossa marca”, observa.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade