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Estado de Minas Guinada

Conforto sofisticado

O inverno da R.Vasconcellus explora o estilo casual fashion sem perder de vista as características da marca


28/03/2021 04:00

(foto: Álvaro Fráguas/divulgação)
(foto: Álvaro Fráguas/divulgação)


Está mais do que confirmado que o conforto está na ordem do dia e que a casualidade não abandonará a vida das mulheres nos próximos meses. No entanto, para o estilista Rogério Vasconcelos, proprietário da  R. Vasconcellus, esses ingredientes, que fazem parte do vocabulário da moda desde que a pandemia começou, há um ano, podem ganhar uma nova concepção fashion.
 
(foto: Álvaro Fráguas/divulgação)
(foto: Álvaro Fráguas/divulgação)
 
 
A coleção de inverno que preparou para sua marca é um exemplo disso: investiu, sim, nos conjuntos de moletons, mas eles chegam com as pitadas do glamour que sempre definiram seu trabalho. Entre elas, o bordado artesanal continua presente, só que, dessa vez, mais discreto e localizado nas peças. Outro ponto forte são os shapes, que, mesmo quando com maior amplitude, desenham e valorizam a silhueta feminina. A mistura de matérias- primas de diferentes texturas também contribui para um efeito requintado, reforçando a elaboração das peças.
 
(foto: Álvaro Fráguas/divulgação)
(foto: Álvaro Fráguas/divulgação)
 
Mesmo porque, a R.Vasconcellus sempre teve características especiais, entre elas a oferta de estampas nas coleções e de tamanhos maiores voltados para um público maduro e exigente. “A marca não nasceu com essa vocação, mas começaram demandas nesse sentido e, pouco a pouco, fomos ampliando a modelagem até chegar à numeração 52”, relata Rogério, cuja experiência no mercado da moda vai para mais de 30 anos.
 
(foto: Álvaro Fráguas/divulgação)
(foto: Álvaro Fráguas/divulgação)
 
 
Para essa coleção, a grande preocupação do estilista foi explorar materiais que fossem confortáveis, particularmente no contato com a pele, bem naquela história de “roupa que não se quer tirar do corpo”. Além dos “novos” moletons, prevalecem as fibras naturais, como a tricoline, e os fios de poliamida e viscose, entre eles os jérseis, que são muito agradáveis de usar.
 
(foto: Álvaro Fráguas/divulgação)
(foto: Álvaro Fráguas/divulgação)
 
 
A laise tem uma presença de destaque e as rendas são frequentes como entremeios e outros detalhes. Na família das estampas, o destaque é o geométrico, que pode ser encontrado ainda no tule. A presença da cor é outro ponto positivo – nada dos tons invernosos, gama de marrons e beges. Ao contrário, a cartela é solar, inclui avermelhados, esbarra no pink, explora o verde-bandeira e os azuis, a leveza dos brancos... mas há lugar também para os indispensáveis blacks.
 
(foto: Álvaro Fráguas/divulgação)
(foto: Álvaro Fráguas/divulgação)
 
 
“Tive que simplificar bastante a coleção, mas sem perder a nossa essência”, explica Rogério. Os 120 modelos criados por ele serão oferecidos em três etapas e os pedidos dos lojistas programados para 30 e 60 dias, já que a R.Vasconcellus não trabalha com  pronta entrega.
 
Para contornar a falta das feiras de negócios, canceladas em função da pandemia, os últimos meses foram dedicados à elaboração de um site voltado para o comércio on-line e a um marketing mais agressivo. O norte de qualquer empresário – e, no caso dele, também estilista da empresa – é a conversa constante com o cliente.
 
 Além da simplificação do estilo e redução de preços, é necessário – segundo sua experiência – apurar a intuição para entender as necessidades e dificuldades desse cliente no momento. “O Brasil é grande, trabalhamos com lojistas de todas as regiões, e as realidades, que já eram diferentes, se acentuam mais nesse período. Penso que, da nossa parte, as coleções menores e oferecidas em etapas atendem melhor ao fôlego dos lojistas”, ele pontua.

Carreira Formado em arquitetura pelo Instituto Metodista Izabela Hendrix e em direito pelo Centro Universitário Uni-BH, com pós- graduação em direito do trabalho e processo do trabalho, Rogério Vasconcelos, mineiro de Divinópolis, iniciou suas experiências no mercado da moda em 1989 e, desde então, se dedicou inteiramente à atividade.
 
“Minha carreira foi evoluindo espontaneamente, nada foi muito planejado. Comecei pequenininho, com dois funcionários, uma confecção infantil chamada Caramelado, que durou dois anos. Na sequência, entrei no segmento adulto fazendo roupas para a C&A, que tinha entrado no Brasil. E daí vieram os eventos de pronta entrega criados pela Sarah Vaintraub, em São Paulo e Belo Horizonte. Nessa altura, o nome da marca já era Ávida. Eu era muito novo, tinha 26, 27 anos, e mergulhei de cabeça nesse mundo”, conta o estilista, relembrando ainda a época da participação nas feiras da lendária Fenit e na ala de vestuário da Couromoda. “Foi um período muito bom, a gente não dava conta de atender à demanda tanto na área dos pedidos quanto na de pronta entrega”.
 
Em uma nova guinada, essa também motivada pelo apelo do mercado, ele se encaminhou para o setor da moda festa e do casual chique. Uma série de fatores aliados à artesania mineira fizeram com que o estado ficasse famoso pelos bordados e outras técnicas preciosas. Juntamente com a mudança de direção veio a mudança do nome para R.Vasconcellus.
 
 “Também dessa vez foi uma migração tranquila e bem absorvida pelos clientes. Sou do tempo em que a Delfina Miranda criava estampas manuais no seu ateliê, tudo era feito artesanalmente. Sempre investi muito na estamparia e uma das características da marca sempre foi e continua sendo essa oferta”, diagnostica. Verdade. Cada coleção apresenta, no mínimo, seis desenhos diferentes. A qualidade dos tecidos é outra aposta que se repete.
 
Foi justamente a experiência e a vontade de contribuir com o segmento em que atua que fizeram com que ele assumisse a representação do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Minas Gerais (Sindivest-MG), primeiro como vice-presidente e, agora, como presidente da instituição. O que significa, no momento, muito trabalho para atender às necessidades das empresas associadas, costura de acordos trabalhistas, convenções trabalhistas, entre outros pontos que conciliem indústria e trabalhadores.
 
Enquanto iniciativas são tomadas para tentar sanar a crise no mercado da moda, Rogério explica que, na ausência do Minas Trend há três edições, as confecções ainda continuam tentando apresentar o inverno em São Paulo, já que essa é uma praça significativa para as empresas do setor.
As marcas mineiras sempre se concentraram em torno de três, quatro eventos importantes da cidade e vitais para a complementação das vendas que, anteriormente, começavam no salão de negócios belo-horizontino. “Estamos também buscando um modelo para realização dos eventos em BH”, garante. 


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