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Estado de Minas Vida integral

Para aliviar a vida

"Às vezes, somos feitos das coisas que queremos fazer, mas não necessariamente fazemos"


24/01/2021 04:00

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

 
A vida corria normal quando, de repente tivemos que mudar hábitos e costumes por causa de um vírus. De um dia para o outro ficamos trancados em casa, lavando e limpando tudo o que chegava, lavando as mãos com frequência, passando álcool em tudo, tirando os sapatos antes de entrar em casa, nas poucas vezes em que saíamos. O que pensamos que seria dois ou três meses ficou indeterminado, até que, em novembro, todo esse isolamento se flexibilizou. Os cuidados continuaram, mas, infelizmente, as pessoas não entenderam bem o recado, e o tiro saiu pela culatra. O exagero e a falta de respeito e obediência por parte dos brasileiros – essa nossa irreverência e autossuficiência natural –, geraram uma segunda onda, e nos vemos em um segundo momento de alerta. Comércio fechado, isolamento social mais apertado. Nossa casa, que antes era o local acolhedor, agradável, mudou depois de ficarmos tanto tempo limitados a ela. Fechado ali, meses a fio, sem gastar energia e convivendo com as mesmas pessoas gerou para muitos angústias, medos, raiva, depressão.
 
O isolamento social é importante para evitar a propagação da doença. Mas, como resolver as consequências do estar sozinho, do ficar em casa e de como isso tudo afeta a nossa saúde mental? Já falamos aqui sobre meditação, relaxamento, exercícios físicos em casa. Ocupar o tempo com atividades variadas. Agora chegou a vez de indicar um livro lançado pela Intrínseca.
 
Alucinadamente feliz é um livro engraçado sobre coisas horríveis. É assim que a autora Jenny Lawson descreve a própria história. Depressiva, colecionadora de transtornos mentais, entre eles ansiedade grave, depressão e tricotilomania (compulsão em arrancar cabelos), ela nos mostra que a sua vida, somente por essa perspectiva, poderia parecer um fardo insustentável. Mas não é.
 
É de uma amiga de Jenny Lawson a incrível Teoria da colher. Funciona assim: todo dia, você acorda e ganha um monte de colheres. E tudo que você for fazendo até dormir à noite, seja levantar, escovar os dentes, trabalhar e tantas outras coisas, você gasta uma delas. Não é preciso se preocupar com quantas colheres você usa, porque todo dia de manhã chega um novo carregamento. Ou não. A questão é que quando estamos doentes ou passando por situações difíceis, não recebemos o mesmo número de colheres que nos dias normais. E quem tem doenças crônicas ou sofre de transtornos mentais recebe menos ainda, podendo até, em determinados dias, não receber nenhuma nova, descobrindo, ao acordar, que só tem para o dia de hoje as colheres que talvez tenham sobrado do dia anterior.
 
A Teoria da colher é só um dos tantos exemplos que Jenny nos dá de sua vida, que parece doida, mas que reflete muito o que passa na cabeça de muitos de nós. A autora descobre uma forma de tentar anular a dor que sente ao querer diariamente – e com a mesma intensidade – ser alucinadamente feliz.
 
Assim, ela cria uma série de experiências engraçadas, ridículas e relacionáveis, a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade. Em tempos de isolamento e angústia, Jenny pode nos ensinar a rir de nós mesmos e a encontrar um equilíbrio insano para lidarmos com mais uma das consequências imprevisíveis desta epidemia: a forte escassez de colheres no mundo inteiro.


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