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Estado de Minas Arte Final

Home office mais humanizado


10/01/2021 04:00

(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)

 
Mudar de emprego ou de ramo de atividade, abrir um negócio próprio e reforçar o time de novos empreendedores brasileiros estavam na lista de desejos de grande parte da população brasileira. Só que o descontrole da pandemia e a demora na chegada da vacina irão atrasar o início dessa nova era de empregos. E se 2020 foi o ano da digitalização, as pesquisas indicavam que 2021 seria o ano da humanização das relações de trabalho. 
 
Mas como os principais países do mundo estão retrocedendo no isolamento social, o home office seguirá como a tendência mais forte na absorção de mão de obra, o que já indicava a pesquisa "Mobility 2020", realizada anualmente com profissionais de Recursos Humanos. O estudo avaliou respostas de 145 empresas multinacionais que atuam no Brasil. Essas empresas são predominantemente de grande porte, sendo que 69% delas possui mais de 10 mil funcionários e 70% faturam mais de US$ 1 bilhão por ano. A maioria delas (61%) tem sede fora do Brasil.
 
Andrea Fuks, diretora da Global Line, alerta que "essa é uma pesquisa amostral e não um censo e, portanto, situações específicas ou pequenos subgrupos podem não estar adequadamente representados. Porém, com base em nossa experiência, entendemos que a amostra das empresas respondentes é ampla e diversa o suficiente para caracterizar de forma precisa o mercado como um todo". 

TRANSFORMAÇÃO Em sua nona edição, a pesquisa se divide em duas partes. Na primeira, o foco é nas melhores práticas de Global Mobility. Em 2020, a segunda parte foi ouvir os profissionais de recursos humanos sobre a experiência com o home office em tempos de pandemia. Antes da pandemia, o home office era um modelo de trabalho pouco utilizado pelas empresas consultadas - apenas um em cada sete profissionais praticava o trabalho remoto. Mas os dados mostram que o desafio foi superado com o desenvolvimento de novas atitudes e habilidades, que permitiram superar as dificuldades. De acordo com a pesquisa, até março de 2019, somente 25% das empresas consideravam o trabalho remoto como uma alternativa integrada à sua estrutura e cultura. Antes da pandemia, apenas 26% enxergavam o home office como prática estratégica e real. Para 24% dos entrevistados, seria uma iniciativa aceitável para alguns cargos e posições (profissionais de vendas, por exemplo). 23% apontaram o trabalho remoto apenas como saída para situações específicas, 14% admitiram que é um assunto presente nas reuniões de RH mas que nunca saiu do papel e 12% afirmaram que ele nunca foi considerado.

PROBLEMAS A pesquisa também questionou as empresas sobre as principais dificuldades enfrentadas pelo trabalho remoto. Os resultados mostraram que o grande desafio é coordenar e separar atividades domésticas e profissionais no mesmo espaço - foi o que responderam 44%. 42% colocaram a conexão caseira de internet como um problema. Para 40%, ruídos e interrupções caseiras são outro problema. 38% admitiram dificuldades para controlar seus horários de começar e encerrar o trabalho. 7% reclamaram das vídeos-conferências em outros idiomas, enquanto 2% têm dúvidas sobre o que vestir nestas reuniões virtuais.

VALORIZAÇÃO O estudo detectou aprendizados interessantes dos profissionais que praticaram o home office, como adaptabilidade e paciência (18%), equilíbrio de vida pessoa/profissional (16%), organização e disciplina (16%), gestão do tempo (11%), abertura ao novo e criatividade (10%), empatia (6%), valorização dos relacionamentos (6%) e manter foco (6%). Ou seja: o trabalho remoto e o isolamento social também estimularam o desenvolvimento de novas atitudes em relação à adaptação e também o aprofundamento de habilidades específicas de organização e gestão, que são fatores bastante positivos gerados por esta situação inusitada.
 
 Graças a esses aprendizados, algumas atividades que pareciam muito difíceis a princípio, acabaram se mostrando mais fáceis. Exemplos: comunicação de trabalho em equipe (25%), trabalhar em casa (19%), gestão do tempo pessoal/profissional (18%), não sair de casa (9%), manter o foco (8%), adaptação (8%) e isolamento (5%).

MELHORIAS NECESSÁRIAS A pesquisa mostra que ainda existem arestas para serem aparadas. Perguntados sobre os desafios de trabalhar remotamente, os profissionais ouvidos afirmaram: socializar (68%), desenvolver confiança (33%), comunicar (28%), dar feedback (22%), manter a meta comum (22%), liderar (15%) e fazer amigos (14%). São desafios importantes ainda não resolvidos para a construção de equipes fortes e com boa performance.
 
Além disso, os profissionais apontam, para as empresas, diversos pontos de melhoria que devem ser considerados na continuidade do trabalho remoto: segurança de dados (79%), comunicação efetiva (74%), maior foco em uma cultura humanizada e  colaborativa (70%), manter o engajamento dos trabalhadores (65%), receber/acolher os novos colaboradores (53%), repensar práticas organizacionais (52%), avaliação de performance (51%) e investir em ferramentas /treinamentos para o desenvolvimento humano (49%). Como se vê, uma das tendências mostradas nesses números é que a incorporação do modelo de trabalho remoto demandará maior foco das empresas no desenvolvimento de habilidades interpessoais, como comunicação e colaboração.
 
O relatório anual é realizado em parceria com a empresa brasileira Global Line, especializada em treinamento e consultoria que atua nas áreas de diferenças culturais, trabalho em equipe, diversidade, neurocoaching e autoconhecimento, e pela norte-americana Worldwide ERC, que ocupa uma posição central na indústria de talento e da mobilidade de profissionais entre diferentes regiões do mundo.


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