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Estado de Minas Natal

As cores da fé e da esperança

Simbolo mundial da fé e da esperança, alegrando as festas de fim de ano, o verde pinheiro é universal


13/12/2020 04:00

(foto: divulgação)
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Quem acredita que a árvore de Natal está sufocada pela pandemia não sabe da missa a metade. Luciana Bessa, uma das maiores craques do assunto na capital, já tinha montado, até 5 deste mês, mais de 170 delas em casas particulares. Como ela é múltipla e trabalha com isso há 20 anos, nenhuma e igual à outra. Ela tem um feeling especial para criar modelos diferenciados em cada uma das árvores que monta, vai de modelos muito infantis, nos quais os bichinhos de feltro ou as figuras de Papai Noel são as principais atrações, até versões altamente sofisticadas.
 
(foto: divulgação)
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As montagens seguem a vontade da cliente e podem ir desde um pequeno e encantador bosque formado por pinheiros claros, que lembram neve, até outras, onde a sofisticação é reforçada por bolas de uma mesma cor – douradas, por exemplo – luzes coloridas, que destacam a composição e laços. Luciana sempre trabalha com o que a cliente tem em casa – mas está pronta a atender ao desejo de cada uma. Quem quiser ter em casa uma árvore totalmente nova, ela pode atender, oferecendo tudo que existe de mais bonito e moderno na cidade. Ela trabalha com qualquer data específica, criando também decorações para a páscoa, aniversários e ocasiões especiais. É uma craque sem complicações.
 
(foto: divulgação)
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Uma bela história E para quem gosta de saber a razão de enfeitar a data natalina com símbolo tão universal, é bom saber desde quando ele existe. Apesar de toda a polêmica, a árvore de Natal é um símbolo de religiões pagãs da antiguidade que herdamos. No tempo dos romanos, por exemplo, durante a Saturnália, festival em homenagem ao deus Saturno, usavam-se árvores para enfeitar os templos. Já os egípcios usavam palmeiras durante os rituais de adoração a Rá, o deus Sol. Para muitas culturas antigas, as árvores que ficavam verdes durante todo o ano, chamadas de perenifólias, eram símbolos de prosperidade. Nos povos que habitavam locais de inverno rígido, essas árvores eram marcantes, pois permaneciam verdes mesmo durante o inverno. Assim, a ideia de colocar árvores com folhas permanentemente verdes dentro de casa passou a ser associada à ideia de garantia de fertilidade. Com o passar do tempo e à medida que a Europa era cristianizada, a árvore como símbolo pagão foi aos poucos integrada aos costumes cristãos.
 
(foto: divulgação)
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Um relato em particular pode ser a chave para entender essa transição da árvore como símbolo pagão até tornar-se um símbolo cristão. Essa história envolve São Bonifácio, bispo saxão que promoveu a cristianização de alguns povos da Germânia durante o século 8 d.C. Alguns povos germânicos acreditavam nos deuses que formam a mitologia nórdica. Um dos deuses mais importantes, principalmente entre os camponeses, era Thor, que, além de ser o deus do trovão, simbolizava o carvalho. Segundo a história, São Bonifácio encontrou alguns germânicos realizando sacrifícios em um carvalho. Para convertê-los, São Bonifácio derrubou a árvore e mostrou às pessoas que nada havia acontecido com ele. Assim, aproveitou a oportunidade para convertê-las ao cristianismo.
 
(foto: divulgação)
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Embora essa história explique o possível momento em que as árvores passaram a ser utilizadas como um símbolo cristão, muitos historiadores reforçam que a árvore de Natal foi um símbolo oriundo das tradições nórdicas e germânicas. O historiador Johnni Langer, que é professor da Universidade de Fortaleza e conhecedor mundial dos vikings, por exemplo, afirma que a árvore de Natal moderna é originária do Jól (Yule), festival que ocorria no solstício de inverno na Escandinávia. Durante esse ritual, o Julgran, o pinheiro do jul, era usado como forma de decoração. Esse símbolo fazia menção direta a um elemento da visão de mundo dos nórdicos: a Yggdrasil, a gigantesca árvore cósmica que sustentava o Universo e os nove mundos. Essa árvore simbolizava a vida e a fertilidade para os nórdicos. Para quem quiser se aventurar em ter uma árvore dessas em casa, basta entrar no Google e procurar em “julgran” o mostruario. As árvores de pinheiro falso são completamente diferentes, pelo que dá para entender. É possível comprar aqui e receber em poucos dias. Só não posso afirmar que ainda chega para este Natal.
 
(foto: divulgação)
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Voltando à tradição, o simbolo atual das festas de fim de ano só foi autorizado a entrar nas igrejas católicas em meados do século 20 . O sábio responsável por esse belo gesto foi o papa  João Paulo II, que em 1982 deu inicio à tradição. Até então, acreditava-se que o presépio era um símbolo suficientemente significativo de Natal. Aceita pela Igreja, finalmente a primeira árvore de Natal foi montada na Praça de São Pedro, em frente ao Vaticano.   A partir daí, ela passou a dominar a decoração natalina, com muita beleza. Na realidade é até bem difícil imaginar o Natal sem uma árvore de Natal… mesmo que seja uma pequenina, daquelas que ficam em cima da mesa, decorando e lembrando que é dezembro. A árvore de Natal está tão presente neste período que eu arrisco a afirmar que um Natal sem uma árvore enfeitada nem parece Natal.

Árvore de Natal moderna O surgimento da árvore de Natal moderna é alvo de controvérsia. Existem aqueles que falam que ela surgiu em Talinn (atual Estônia), em 1441, enquanto outros falam que ela surgiu em Riga (atual Letônia), em 1510. Há ainda quem fale que ela surgiu em Bremen (atual Alemanha), em algum momento do século 16. Apesar de haver debates a respeito do local exato ao qual a árvore de Natal moderna remonta, os historiadores sabem que suas origens estão ligadas com tradições medievais relacionadas às culturas pagãs.
 
As árvores de Natal modernas foram inseridas no interior das residências ao longo do século 16 e eram decoradas com maçãs e nozes. Tornaram-se populares somente no século 19 por conta da rainha Vitória e do príncipe Albert, do Reino Unido. Como a mãe da rainha Vitória era alemã, a tradição de decorar árvores de Natal passou a ser realizada também na Inglaterra. Isso fez com que o símbolo se popularizasse no Reino Unido e se espalhasse por outras partes do mundo.
Quanto às bolas de Natal, que são um complemento indispensável e embelezador das árvores, elas começaram a ser produzidas no século 19 por um vidraceiro alemão. Antes, usavam-se maçãs, nozes, flores, biscoitos e pinhas para enfeitar as árvores.
 
As bolas que enfeitam as árvores de Natal foram criadas em 1847, por um soprador de vidro de Lauscha, na Alemanha. Esse enfeite passou, então, a ser produzido de diferentes formas e tamanhos. Com o tempo, outros enfeites foram acrescentados na decoração da árvore de Natal. Um deles é a estrela, que simboliza a estrela de Belém, uma referência, entre os cristãos, ao nascimento de Jesus.


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