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Estado de Minas

Recomeço com segurança

Autorizados a retomar as atividades, salões de beleza fazem adaptações no atendimento e no espaço físico para barrar a transmissão do vírus. Procura pelos serviços ainda é pequena


postado em 28/06/2020 04:00

Além do distanciamento, Laura Maria Nunes posicionou barras de proteção entre as cadeiras (foto: Guilherme Barros/Divulgação)
Além do distanciamento, Laura Maria Nunes posicionou barras de proteção entre as cadeiras (foto: Guilherme Barros/Divulgação)
Aos poucos, os salões de beleza voltam a ter movimento. Não como era antes, pois as novas regras em função do coronavírus exigem distanciamento entre as cadeiras e horários espaçados na agenda, o que reduz a capacidade de atendimento. Para garantir a segurança de clientes e profissionais, vale recorrer a mais equipamentos de proteção individual e fazer adaptações no espaço físico. O LG Studio de Beleza desenvolveu barras de proteção de acrílico para colocar entre as cadeiras.

Não foi fácil. A ansiedade tomou conta, houve momentos de pânico, descarga de muita adrenalina, mas Laura Maria Nunes, fundadora do LG Studio de Beleza, não desanimou. Enquanto ensinava as clientes, por telefone, a pintar o cabelo, ela bolou sozinha um modelo de barras de proteção de acrílico para o salão. No total, são mais de 30. “É muito satisfatório, as clientes chegam e agradecem pela segurança que dei a elas. Só agradeço a Deus de ter me dado essa visão.”

Laura só saiu de casa neste período para tirar medidas no salão. Criou maquetes com papelão, aproveitando-se de sua facilidade para visualizar um projeto pronto. “Acertei de cara? Não. Errei umas três vezes em peças-piloto, mas no fim deu certo.” As barras estão posicionadas entre as cadeiras da recepção e do salão, mas podem ser removidas para qualquer lugar com os pés. No lavatório, onde não dá para aumentar o distanciamento, elas acompanham a curva do lugar onde se coloca a cabeça. Já as manicures que fazem unha de gel atendem através de uma proteção fixa com abertura para as mãos.
No lavatório, o acrílico acompanha a curva do lugar onde se apoia a cabeça para garantir o máximo de segurança
No lavatório, o acrílico acompanha a curva do lugar onde se apoia a cabeça para garantir o máximo de segurança

Há álcool em gel espalhado por todo o salão. Na recepção, em todas as penteadeiras, em cada coluna e marco de porta. Os funcionários usam touca, máscara e óculos de proteção. É preciso passar por um tapete sanitizante na entrada. Desde que o salão abriu, Laura já acatou sugestões de duas clientes. Uma deu a ideia de oferecer máscaras descartáveis a quem vai pintar o cabelo (para não sujar a de pano). Outra sugeriu fazer uma barra de acrílico com abertura embaixo para os pés, assim duas manicures podem trabalhar ao mesmo tempo com segurança.

O salão, sempre muito congestionado, retoma o ritmo lentamente. Apenas metade da equipe trabalha por turno e os horários são marcados com espaçamento. Laura diz que não está preocupada em encher o espaço, quer que todos se sintam seguros. “A segurança da cliente é o futuro do movimento, que vai vir lento, tenho consciência disso. Se não tivesse barreira de segurança muito grande, acho que a retomada seria muito mais difícil.” A prova de que ela está no caminho certo é ver que quem vai leva a irmã, a mãe, indica para as amigas. Muitas fotografam para espalhar a ideia.
A recepcionista do LG Studio de Beleza fica totalmente isolada
A recepcionista do LG Studio de Beleza fica totalmente isolada

O Tif's se preparou para a retomada investindo em cursos. Os gerentes fizeram aulas de biossegurança com órgãos internacionais para adaptar os atendimentos à nova realidade. Para entrar no salão, os clientes pisam em dois tapetes. No primeiro, jogam um spray de desinfetante no sapato. O segundo é para secar o solado. De imediato, a recepcionista embala a bolsa ou outros pertences em um saco plástico. Em seguida, pede-se para passar por uma mesa com álcool em gel.

“Deixamos de servir café e água porque a pessoa não pode tirar a máscara nem para isso”, pontua a sócia da unidade Alameda da Serra, em Nova Lima, Ana Paula Assis.

A equipe se dividiu em quatro turnos para que todos possam trabalhar, e com segurança. No máximo, são sete cabeleireiros e quatro manicures. Sugere-se não levar acompanhante. A distância entre as cadeiras foi ampliada, assim como o espaçamento de horários na agenda. Com isso, a capacidade caiu de 40 para 15 clientes por vez. “Estamos muito seguros dentro da casa, as portas ficam abertas, não tem ar-condicionado ligado. Ficamos só nos espaços onde tem ventilação natural.”

Com as novas regras, o cliente não pode ter pressa. “Antes, podíamos cortar o cabelo, fazer pé e mão ao mesmo tempo. Isso não existe mais, o cliente só pode ser atendido por um profissional por vez, então vai demorar de 2 horas a 2h30min”, avisa. A procura maior tem sido por corte, coloração e depilação. Mas Ana observa que algumas clientes aproveitaram para fazer transição capilar tanto da tintura para o grisalho tanto do alisamento para o natural.

Ana Paula já usava máscaras nos atendimentos, principalmente naqueles em que há mais proximidade com o cliente, como sobrancelha. Agora, a viseira de acrílico dá proteção extra. A equipe voltou a vestir capas descartáveis, que também são oferecidas aos clientes. “Houve um retrocesso no quesito sustentabilidade, mas neste momento a saúde se faz mais necessária.” Ao fim do atendimento, é preciso fazer assepsia da cadeira, da bancada e do material de trabalho.

TECNOLOGIA 

A equipe do Tif's Alameda da Serra usa capas descartáveis durante o atendimento
A equipe do Tif's Alameda da Serra usa capas descartáveis durante o atendimento
A adaptação não é só do salão, mas também do profissional. “Estou confiante de que a beleza não vai deixar de existir, vai se transformar. Se for fazer uma aposta, acho que este é o momento dos tutoriais, consultorias on-line e todas as possibilidades que a tecnologia nos abriu, rompendo até distâncias.” Ana Paula começou a oferecer consultoria on-line de visagismo (estudo do rosto) e tem feito atendimentos até para outros países. Para ela, o futuro também aponta para uma beleza mais natural e destaque para as sobrancelhas, que, em tempos de máscaras, são a nossa janela da alma.
Em serviços que exigem mais proximidade com o cliente, como sobrancelha, Ana Paula Assis recorre à viseira de acrílico
Em serviços que exigem mais proximidade com o cliente, como sobrancelha, Ana Paula Assis recorre à viseira de acrílico

Luiz Martins, do LM Studio, enxerga o momento como um novo começo, já que a forma de trabalhar mudou totalmente e todos precisam se adaptar. Máscara, viseira de acrílico e capa descartável fazem parte da rotina. Na entrada dó salão, tapete sanitizante, totem de álcool em gel (acionado com o pé), além de proteção para os sapatos, luvas e máscaras descartáveis para quem quiser. “Não colocamos uma cliente do lado da outra no lavatório, tem sempre uma distância de segurança, e toda vez que termina o atendimento fazemos uma higienização completa”, acrescenta.

O salão atende agora com metade da capacidade, só com horário marcado, e faz revezamento da equipe. Não pode haver fila de espera. Clientes com mais de 60 anos são atendidos em uma sala reservada. Os serviços mais procurados são relacionados ao cabelo: corte, coloração e luzes. Luiz conta que o momento é de fazer consertos. “Muitas clientes estã chegando com cabelo manchado, porque tentaram pintar sozinhas. Outras cortaram a franja em casa e temos que consertar.”


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