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Estado de Minas COMPORTAMENTO

E assim será


postado em 14/06/2020 04:00

Com muita tristeza, enfim me convenci de que o ano de 2020 será até dezembro como tem sido desde março. Começo a acreditar que os eventos beneficentes que eu ajudava a promover e outros tantos com ou sem fins lucrativos dos quais eu participava não se realizarão. De onde vamos tirar dinheiro para manter os projetos sociais nos quais nos envolvemos de corpo e alma? Pelo menos novas e não menos trabalhosas soluções acabam surgindo, principalmente quando não nos permitimos ser intimidados pelas dificuldades que sempre são muitas.

No ritmo em que vamos, tão cedo poderemos juntar dezenas de pessoas com segurança. O que dirá centenas? Que graça tem um jogo de futebol de portões fechados se, ao menos para mim, o melhor do evento é o calor da torcida? E os shows? A segunda voz feita pelo público entusiasma qualquer artista que cantando sozinho se assemelha à gravação de disco.

Saudades de dançar a noite inteira quando a música é boa, junto do marido e das incansáveis amigas que nunca me abandonam sozinha na pista. Prefiro então ficar com as músicas para ouvir ou me aventurar a cantar sem que ninguém possa me escutar.

E meus amigos? Muitos deles, desde a infância e adolescência, são meus companheiros de pequenas e grandes viagens que habitualmente fazemos juntos, inclusive, neste feriado prolongado que termina hoje, provavelmente estaríamos em algum canto de Minas. Desde o carnaval que não os vejo de fato. Ficamos nos encontros virtuais esporádicos, que, convenhamos, é uma coisa muito chata e inaudível quando junta muita gente.

Meus filhos, não posso ir até eles e nem eles me veem ao vivo e em cores desde que partiram de volta para suas casas logo depois das festas de fim de ano. Vejo-os on-line quando queremos, mas o que de fato desejamos está longe de ser atendido por simples e fáceis ligações de WhatsApp ou qualquer outro aplicativo. Mas é o que temos para hoje e assim nos adaptamos e aprendemos a nos deliciar.

Todos temos tantos planos pela frente e, para a maior parte de nós, nossos medos começam a se tornar realidade e estamos percebendo que eles não são tão terríveis de ser enfrentados. Confesso que um de meus maiores temores era perder uma viagem, seja por confusão com a data, por não estar com os documentos exigidos em dia, por ser impedida por tantas razões que vejo acontecer com pessoas ao meu redor.

Já estou caminhando para o cancelamento de minha quarta viagem este ano e estou sobrevivendo a todos eles como quem percebe que há sempre algo pior que me possa acontecer. Essa e outras experiências que eu considerava terríveis hoje não passam de aprendizados capazes de tornar grandes expectativas fracassadas, simples eventos que, na minha posição de viventes, não sou capaz de controlar.


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