Publicidade

Estado de Minas INTERIORES

Coleção de prêmios

Escritório de arquitetura de Cristina menezes ficou com o primeiro lugar no concurso If Designer Award 2020 com o projeto residencial Dream House


postado em 07/06/2020 04:00

O minimalismo é o ponto forte do projeto de Cristina Menezes(foto: Jomar Bragança/divulgação)
O minimalismo é o ponto forte do projeto de Cristina Menezes (foto: Jomar Bragança/divulgação)


Os certificados nas paredes do escritório de Cristina Menezes revelam as várias premiações que a arquiteta recebeu ao longo de uma carreira que começou nos meados dos anos 1980 e foi ganhando espaço na arquitetura mineira. Só a Pocket House concebida para a Casa Cor Minas 2013 recebeu 17 prêmios internacionais em países como Itália, Estados Unidos, Londres, Índia... Muito antes de os contêineres virarem moda como opção de moradia, ela lançou a proposta na mostra da Pampulha, fruto de uma viagem que fez ao Japão. Lá, visitou uma exposição decorativa e ficou muito impressionada com o aproveitamento de espaços pequenos por meio da verticalização. Quando teve oportunidade, aplicou as ideias no evento institucional. “Compus vários ambientes – cozinha, sala de banho, quarto de casal e bancada de escritório – em 29 metros quadrados em um contêiner de 40 pés e emoldurado por vidro na frente”, lembra Cristina.
 
A arquiteta Cristina Menezes (foto: Jomar Bragança/divulgação)
A arquiteta Cristina Menezes (foto: Jomar Bragança/divulgação)
 
 
Recentemente, mais um prêmio veio se juntar à sua coleção: em fevereiro, ela e sua equipe ficaram com o primeiro lugar no If Designer Award 2020 com o projeto residencial Dream House na categoria arquitetura de interiores (fotos). A distinção fica ainda maior levando em conta que foram inscritos 7.298 trabalhos de 56 países, todos disputando o selo máximo de qualidade em design.
 
Uma pitada de cor aparece no escritório(foto: Jomar Bragança/divulgação)
Uma pitada de cor aparece no escritório (foto: Jomar Bragança/divulgação)
 
 
“Creio que o que chamou a  atenção dos jurados foi o tom minimalista e a integração dos ambientes do apartamento interligados por portas deslizantes e por panos de vidro, que permitem total visibilidade. Tudo se conecta e há a opção de garantir a privacidade quando necessário. Até a cozinha fica à vista, convivendo com a área social, mas pode ser fechada se assim for desejado”, observa a arquiteta. Outro fator que foi levado em conta é o uso recorrente de elementos que trouxeram unidade, como os painéis em carvalho tonalizado e o neolite, tipo de revestimento de alta performance que facilita a limpeza dos pisos. Nos dormitórios, os laminados foram trocados por parquets.
 
Cristina conta que fez poucas intervenções no imóvel, criando soluções simples.“Derrubei poucas paredes, abri algumas portas, os pisos atuais foram sobrepostos aos que já existiam.  Criei um  escritório e a sala de jogos a partir de uma semissuíte e aumentei o lavabo. É o que é conhecido como obra seca, que causa menos impacto e menos entulhos. Acho que esse também foi um ponto positivo para conseguirmos o prêmio.”
 
Tons neutros criam uma atmosfera leve na suíte do casal(foto: Jomar Bragança/divulgação)
Tons neutros criam uma atmosfera leve na suíte do casal (foto: Jomar Bragança/divulgação)
 

Decoração A partir do conceito minimal, a decoração propriamente dita elegeu peças de qualidade e com bom design para compor os 200 metros quadrados, como as assinadas por Zalszupin, Jader de Almeida e Etel Carmona. Outros móveis foram desenhados pelo escritório de Cristina. O estilo é contemporâneo, com uma pegada clássica. A sobriedade da área social contrasta com muita tecnologia, como a assistente Alexa, que responde aos comandos e interage com os usuários. O jardim vertical na varanda traz o verde para dentro de casa. A iluminação vem no mesmo conceito minimalista e ganha dramaticidade no corredor/galeria. Os dormitórios, por sua vez, foram trabalhados em branco e cinza, resultando em ambientes suaves e aconchegantes.
 
Aproveitando a quarentena, a arquiteta fez um questionário com seus clientes para saber como as famílias estavam vivendo no isolamento social e como interagiam com o projeto criado para eles. Pelas respostas, chegou à conclusão de que o que vai predominar, doravante, é a casa para ser vivida, espaços que facilitem a convivência, fáceis de limpar, móveis confortáveis, poltronas com boa ergonomia, adornos reduzidos.
 
“Muitas mulheres estão tendo de fazer os serviços domésticos nesse período e percebendo o valor da  funcionalidade. Ao assumirem a função, elas tiveram a oportunidade de entrar em contato com suas casas e detectar algumas necessidades, como, por exemplo, áreas de serviço mais equipadas, um local específico para abrigar material de serviço, uma bancada para amparar as compras que precisam ser higienizadas. As cozinhas também ganharam um novo status nesse momento da pandemia. Minha pesquisa visava saber o que esses clientes achavam que devia ser modificado, acrescentado ou readequado, para facilitar o trabalho e a convivência das famílias”, explica.
 
Autoralidade Inquietude e muita energia sempre marcaram a personalidade de Cristina Menezes. Prova disso é que, paralelamente, fez o curso de engenharia na PUC Minas e estudava arquitetura no Izabela Hendrix, conciliando ambos com alguns estágios. Em 1984, dois anos antes de se formar, ela montou o próprio escritório, prestando serviços para a Mendes Júnior. “Eu fazia detalhamento de projetos para dois arquitetos que trabalhavam diretamente com a construtora. A demanda era muito grande, ocupava todo o meu tempo. Mas, quando a empresa entrou em crise, o trabalho acabou. Foi então que tive a ideia de lançar a decoração por telefone para dar consultoria rápida para clientes. A meu pedido, o Caderno Feminino fez uma matéria sobre a novidade e a divulgação ajudou demais para que me tornasse conhecida.”
 
Antes disso, Cristina passou pela Secretaria de Trabalho e Ação Social, atual Urbel, onde atuou na área de urbanismo. De lá foi estagiar com Linaldo Chaves, que ficou famoso por sua especialidade em móveis de som e bares. “Foi outra boa experiência porque foi aí que aprendi a fazer detalhamento em mobiliário. Tive uma base muito boa mesclando as áreas de ciências exatas com a de ciências humanas. Na Secretaria de Trabalho e Ação Social, por exemplo, entrei em contato com o universo das favelas. Isso me deu uma visão mais ampla e eclética da profissão”, diz a arquiteta, cuja colocação no mercado foi se formando com a participação em eventos da área.
 
O trabalho evoluiu para a arquitetura de interiores, particularmente no segmento de residências e apartamentos. Em 2015, outra participação na Casa Cor despertou atenção: a Glass House reunia aço e vidro numa construção linear de 60 metros quadrados. O projeto sustentável foi eleito o melhor ambiente da mostra. “Foi muito válido porque, mais tarde, ampliei e adequei essas ideias para vários projetos”, ressalta.
 
No ano seguinte, inovava com o Espaço de Convivência, voltado para a realização de cursos, aliando decoração de interior com funcionalidade. Para a última Modernos e Eternos, de 2019, projetou uma sala de jantar minimalista em que o destaque era uma mesa de jantar com 8 metros quadrados, emoldurada por um painel e composta por mobiliário design e coleções antigas. “Como era uma área em que os visitantes transitavam, tive que observar isso e minimizar a arquitetura brutalista, muito pesada, da casa onde o evento aconteceu”.
 
Segundo Cristina, o que faz um projeto ser bom é o conceito, isso tanto no setor residencial quanto no comercial ou institucional. “O profissional precisa fazer leituras corretas dos espaços para trabalhá-los com eficiência.”


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade