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Estado de Minas

Hora de recomeçar

Mesmo antes da pandemia, Graça Ottoni já apostava em roupas mais básicas. Agora, ela mira em tecidos nacionais e menos detalhes para conseguir trabalhar com preços atrativos


postado em 31/05/2020 04:00 / atualizado em 01/06/2020 09:30

(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)

 
Depois de 40 dias de pausa, a marca Graça Ottoni reabre o ateliê para seguir com as etapas de lançamento da coleção de inverno, que  tem como protagonistas o preto e os patchworks com um colorido mais sóbrio
 
Rumo ao básico
Graça Ottoni passou da fase em que ficou paralisada e desnorteada para a vontade de colocar a mão na massa. Depois de 40 dias totalmente parada, a estilista retomou as atividades no seu ateliê para dar sequência ao lançamento da coleção de inverno. Confiante de que o pior já passou, ela tenta enxergar o lado bom desta história. “Não queria que tivesse sido nessas condições, mas ter parado e ficado em casa foi bom para descansar, repensar o trabalho e voltar com gás novo”, diz.
As vendas da coleção de inverno estavam indo bem, até que veio a quarentena. Imagina o baque para uma marca com 100% das vendas diretas e presenciais. Durante a pausa, a marca fabricou apenas máscaras, usando tecidos que estavam no estoque. Mais de cinco mil unidades foram doadas. Graça não conseguiu trabalhar de casa. “Acho que estava muito cansada, então fiquei vendo filmes, noticiário sobre o coronavírus, programas gastronômicos. Gosto de cozinhar e aproveitei para fazer muito bolo”, conta.
 
(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
 

Como a marca lança suas coleções pouco a pouco, o inverno não estava totalmente pronto. Com a retomada das atividades, a equipe está cortando tecidos e finalizando roupas que já estavam cortadas. “Não tenho muita gente contratada, porque aqui no ateliê só fazemos peças-piloto. Ainda não mandei nada para produzir fora nem chamei as outras costureiras, que vinham duas vezes por semana. Estou esperando o governo liberar o isolamento para ver o que vou fazer.”
 
(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
 
 
Graça partiu de uma imagem do fotógrafo britânico Tim Walker para criar a identidade da coleção de inverno. Com o título Rebel riders (Cavaleiros rebeldes, em português), ela mostra três modelos com roupas, em destaque longos casacos, com um colorido mais sóbrio. A estética da foto tem muito a ver com o trabalho da estilista, conhecida pelas misturas de estampas.
 
O preto voltou depois de três temporadas. Graça conta que se encantou novamente pela cor ao observar nas ruas que ela deixa as pessoas mais elegantes e bonitas. Coincidência ou não, muitas clientes começaram a entrar na loja querendo uma blusa básica preta. “Senti uma procura grande por roupas com menos detalhes, para o dia a dia, que são muito  mais fáceis e usar e dar  manu- tenção. Além disso, acho que o preto, quando você está sem nada para usar, resolve todo o seu problema.”
 
O patchwork da vez surpreende até mesmo Graça. A estilista fica orgulhosa de ver que conseguiu transformar três estampas tropicais, que eram a cara do verão. Os tecidos foram tingidos com água preta para quebrar o colorido, recortados em quadrados e retângulos e emendados para virar um só, totalmente diferente dos originais. “Quem olha nem imagina que é um patchwork, só descobre se virar do avesso”, aponta. O outro patchwork da coleção mistura paetê, renda, veludo, devorê e bases tecnológicas. No fim, chega-se a um tecido com preto, cinza e verde militar.
 
(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
 
 
Quando fala de roupa básica, com poucos detalhes, a estilista se refere, por exemplo, a uma calça preta de alfaiataria, que para ela “tem seu lugar”. Há muito não aparecia blazer nas coleções, e desta vez ela criou dois modelos, em vários tecidos. Na outra ponta, estão peças mais trabalhadas, como a saia de seda amassada com estampa feita a mão, que resulta em um degradê. O vestido preto de organza com forro estampado em verde-escuro também entra nessa lista.

MODELAGEM Sobre modelagem, pode-se dizer que o inverno está bem democrático. “De modo geral, as saias estão com pouca roda, mas não quer dizer que não tenham babado. Fiz vestidos sequinhos no corpo, assim como vestidos longos e mais soltos”, detalha.
 
(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
 
 
Apesar de estar com a loja fechada, a marca tem trabalhado com delivery de roupas e atendimento com hora marcada. Em breve, deve começar a venda pela internet. Mas Graça sente que a venda vai ocorrer a passos lentos. A expectativa é lançar a coleção de verão em setembro (e não em agosto, como sempre ocorreu), o que até a anima, por ser um mês de mais calor.
 
A estilista não sabe ao certo de que forma a moda vai mudar com a pandemia, mas imagina que terá que trabalhar com preços mais baixos. “O desejo da compra sempre vai existir (eu mesma me flagrei querendo um tênis novo), a questão é ter dinheiro para pagar”, opina. O desafio, segundo a estilista, será fazer roupa mais barata, sem perder a qualidade. Para isso, terá que comprar tecidos mais baratos; logo a alternativa será dar prioridade a empresas do Brasil. Inclusive, ela cancelou os pedidos de matéria-prima que já tinha comprado para o verão e começou nova pesquisa, já com outra mentalidade. 
 
(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
 

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