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Marca reconhecida pela modelagem reafirma propósito de criar roupas que vestem todos os tamanhos, idades e estilos

Marcia Morais adota termo 'all sizes' em sua nova fase


postado em 15/03/2020 04:00 / atualizado em 13/03/2020 15:03

(foto: Gustavo Marx/Divulgação)
(foto: Gustavo Marx/Divulgação)

Em meio ao agito da fábrica, uma pausa para pensar sobre a moda do futuro. A reflexão, tão necessária diante das mudanças rápidas no mundo, norteia a nova fase da Marcia Morais. Referência em modelagem, a marca deixa de lado o termo plus size para se posicionar como all sizes, enxergando que a moda caminha para ser mais inclusiva, plural e múltipla. “Moda não pode oprimir, tem que ser uma ferramenta de libertação e autoestima”, aponta a gerente de desenvolvimento de produto, Alice Morais. O mais recente lançamento ajuda a quebrar vários tabus.
 
O novo posicionamento da marca coincide com uma mudança estratégica nos bastidores. Filha da fundadora, Marcia Morais, Alice saiu do marketing para assumir a gestão do estilo e impulsionou o setor criativo a desenvolver roupas que representam as mulheres em sua pluralidade. “A nossa decisão é de ser uma marca múltipla, e não de uma mulher única. Quando falo em moda inclusiva, não falo só no tamanho, mas também em idade e estilo”, esclarece. A mãe continua no comando da fábrica.
 
(foto: Gustavo Marx/Divulgação)
(foto: Gustavo Marx/Divulgação)
Nesta nova fase, a marca de pronta-entrega, que veste do 40 ao 54, se estrutura para acompanhar a velocidade imposta aos lançamentos. “Fomos muito impactados pelas novas mídias, pela agilidade das informações, e as roupas ficam velhas muito rápido”, observa.
 
Antes, eram duas grandes coleções por ano, e para cada uma delas a equipe de estilo criava 200 modelos, que seriam vendidos durante seis meses. Agora, fala-se em duas temporadas, que se dividem em lançamentos mensais de coleções cápsula. Ou seja, a fábrica tem que produzir 600 modelos diferentes em seis meses, sendo que a cada mês chegam pelo menos 100 novidades ao mercado. Para quem fabrica 100% dos seus produtos, do início ao fim, é um desafio e tanto.
 
A temporada outono-inverno’ 2020 é inspirada em Paris e a cada coleção cápsula a marca apresenta um olhar diferente para o tema. Neste segundo lançamento do ano, vemos uma Paris mais clássica, suntuosa e sofisticada através de looks noturnos, tecidos acetinados e transparência. O conceito da campanha é assinado pelo sty- list Zeca Perdigão, que buscou referências no estilo exuberante da atriz italiana Monica Bellucci. “Construímos uma mulher retrô, mas muito contemporânea. Cabelo com ondas e batom vermelho, por exemplo, são ícones que não saem de moda”, comenta.

(foto: Gustavo Marx/Divulgação)
(foto: Gustavo Marx/Divulgação)

Ser plural também significa pensar em roupas para várias ocasiões. Por isso, a marca, que sempre definiu sua moda como casual chique, entra de vez na moda festa. Destaque para o uso de paetês, que resulta em diferentes propostas, desde vestido longo de paetês azuis com decote e fenda até vestido tubinho em preto e prata com manga no estilo capa. Alice avisa que, mesmo no lado glamouroso, a busca é pela versatilidade. “Fazemos também saia plissada ou um conjunto de pantalona e blusa de seda.”
 
Voltando para o casual chique, a marca investe em estampas atemporais, mas que a cada coleção surgem com um toque de modernidade. O pied de poule, xadrez tipo “pé de galinha”, surge com detalhes na cor laranja para não ficar “careta”, como diz Alice. Além disso, a estampa, que costuma estar associada a roupas pesadas de inverno, está aplicada em tecidos leves e vestidos fluidos, mostrando que funciona muito bem no verão. Listras em sentidos diferentes criam um efeito nada óbvio nas peças.
 
O poá também aparece com outra cara – círculos irregulares e com duas cores lembram manchas de onça. Nesta coleção, a estampa clássica pode ser máxi ou míni, com um sombreado em outra cor (este truque só fica visível bem de perto).

MODELAGEM O reconhecimento da modelagem se justifica pelo ofício de Marcia, a fundadora, que é modelista e até hoje acompanha todas as etapas de construção da roupa. “Não se trata de pegar o tamanho 36 e aumentar, é entender sobre anatomia, proporção. Tem a ver com tentativa e erro e o conhecimento profundo que adquirimos”, destaca Alice. O trabalho também envolve o cuidado na escolha dos tecidos, que precisam ter outros atributos além da beleza, incluindo a elasticidade. No caso do paetê, uma base de tule com muito elastano ajuda no caimento das peças.

(foto: Gustavo Marx/Divulgação)
(foto: Gustavo Marx/Divulgação)

As roupas passam por várias provas, sempre com mulheres comuns, de várias idades e medidas. Considerando que o Brasil é um país diverso e tem vários padrões de corpo, a mesma numeração precisa vestir bem todas as mulheres deste manequim. Alice destaca que a modelagem desenvolvida lá no início pela mãe e aperfeiçoada ao longo dos anos faz com que as peças se ajustem a diferentes tamanhos.
 
Outro mérito da marca é levar para as roupas informação de moda. Regras ainda presentes na moda, como, por exemplo, a de que listras horizontais engordam, não existem por lá. “As pessoas não querem mais se submeter a padrões. A nossa missão é fazer com as clientes usem tendências com elegância, segurança e conforto”, pontua Alice. A temporada outono-inverno’2020 traz elementos vistos em desfiles internacionais, como babados, mangas bufantes, conjuntos da mesma cor ou estampa (incluindo o bege, que chega poderoso), laços que revelam feminilidade e transparência, inclusive de dia.
 
Há 24 anos no mercado, Marcia Morais ocupa uma casa no Bairro Prado. A fundadora nunca quis se mudar para um galpão, preferiu manter na empresa um clima de casa e família. Lá trabalham 42 funcionários, divididos entre a fábrica e o showroom, que recebe tanto lojistas quanto consumidores finais. A marca, inclusive, está investindo cada vez mais no varejo (comercialmente falando, esse é o futuro da moda, na opinião de Marcia). Os clientes são recebidos em uma cozinha, de onde saem delícias para um lanche bem mineiro, como pão de queijo e bolo.


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