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Estado de Minas ENTREVISTA/MAXIMILIANO SUFFRITI - DIRETOR-GERAL DA TIFFANY NO BRASIL

Desejo de consumo

Código de proveniência de joias marca política de sustentabilidade da maior joalheria do mundo


postado em 13/10/2019 04:00 / atualizado em 11/10/2019 10:48

(foto: Tiffany/divulgação)
(foto: Tiffany/divulgação)


A joalheria que seduziu todos desde que protagonizou a icônica cena do café da manhã de Audrey Hepburn no clássico filme Bonequinha de luxo fez e continua fazendo história. Criou uma das cores mais desejadas e copiadas do mundo, o verde tiffany, e a lapidação brilhante para os anéis de noivado, retirando o diamante de incrustação embutida e passando a nobre pedra para posição elevada, com todo o seu resplendor e brilho. Agora, a Tiffany anunciou uma nova era de transparência de diamantes, divulgando a proveniência de suas pedras, comprometendo-se assim a uma completa informação geográfica da origem das gemas. Quem está à frente deste processo aqui no país é o novo diretor-geral da marca no Brasil, Maximiliano Suffriti, que deu uma entrevista exclusiva sobre o assunto ao Caderno Feminino do Estado de Minas. 
 
O que representa para a Tiffany&Co. esta nova postura de compartilhar com seus clientes a proveniência de seus diamantes?
Temos orgulho de poder compartilhar com nossos clientes a proveniência (países ou região de origem) de nossos diamantes. Além de certificarmos que nossos diamantes são de áreas livres de conflitos, acreditamos que informar a proveniência é essencial para garantir não apenas os mais altos padrões de qualidade do mercado, mas também de responsabilidade social e ambiental com as quais nossos fornecedores estão comprometidos.

Esta nova conduta é consequência de alguma mudança na missão e valores da marca? O que levou a empresa a tomar essa conduta?
Esta prática inovadora para o setor reflete uma caminhada de décadas em investimentos em sustentabilidade e habilidade artesanal de diamantes Tiffany e é apenas o primeiro passo de nossa iniciativa de registro da proveniência de diamantes. Acreditamos que a transparência de nossos processos de aquisição de metais e minerais é extremamente importante em um mundo onde o consumo consciente é cada vez mais uma prática determinante nas relações comerciais. Mas queremos ir além. Até 2020, os clientes poderão rastrear a jornada artesanal de seus diamantes, incluindo os locais de lapidação e polimento, descobrindo qual comunidade foi impactada beneficamente na geração daquele trabalho – uma novidade total para o setor joalheiro.
 
(foto: Tiffany/divulgação)
(foto: Tiffany/divulgação)
 

Como foi a repercussão dessa decisão no mercado mundial de joias?
Acredito que essa decisão impactou fortemente outras empresas, devido à importância dada hoje a práticas responsáveis, mas não temos dados ou informações para fornecer sobre a concorrência a este respeito.

Acredita que esta ação da Tiffany levará outras joalherias a tomar a mesma atitude?
Acreditamos que agora, mais do que nunca, os clientes exigirão que as empresas atuem de maneira responsável e assumam a liderança rumo a uma mudança social e ambiental. Transparência e compras responsáveis são partes fundamentais da identidade e das operações da Tiffany há mais de duas décadas. A proveniência não será um fator que alterará o valor dos diamantes Tiffany, e apenas assegura ainda mais ao cliente que sua decisão de estar conosco é a mais acertada.

Apesar de divulgarem a origem agora, segundo o histórico de vocês há mais de 20 anos suas compras são responsáveis. Por que divulgar neste momento e não quando começaram com esta política?
Obviamente, hoje os consumidores estão muito mais conscientes e preocupados com a origem dos bens que adquirem. Querem ter a certeza de que colaboram em minimizar o dano que possa ser causado ao meio ambiente. Como você disse, a empresa tem esta preocupação há muito tempo e a Tiffany Foundation, criada em 2000, disponibilizou nos últimos anos aproximadamente 80 milhões de dólares para entidades de proteção ao meio ambiente ou em projetos de preservação da vida selvagem ou melhoria de condições de vida nas comunidades onde atuamos. A Tiffany tem o compromisso de entregar para a próxima geração um mundo tão abundante como o que recebemos. Acreditamos que este é o momento correto de trazer estas informações aos nossos clientes. Este é o momento de reforçar as boas práticas corporativas.

Todos os diamantes da marca têm um número de série “T&Co” exclusivo, gravado a laser e invisível a olho nu. Como isso é feito, e a partir de qual quilate conseguem esta gravação?
Em cada etapa, trabalhamos para garantir qualidade, trabalho artesanal e responsabilidade excepcionais. A primeira etapa é a mineração responsável – adquirimos diamantes brutos de minas conhecidas ou de fornecedores com um número limitado de minas conhecidas para melhor protegermos os direitos humanos e áreas ecologicamente sensíveis. Portanto, sabemos exatamente de onde adquirimos nossos diamantes. Após a aquisição e certificação de que possuem qualidade Tiffany, todos os diamantes de 0,18 quilate (ct) ou acima são gravados a laser com um número de identificação que o acompanhará durante todo o processo de lapidação e polimento. Após todo este processo, este diamante passará novamente por uma classificação e controle de qualidade para assegurar que continua merecedor de estar em uma joia Tiffany. Só então, e este processo pode levar um ano, ele estará disponível em nossas lojas.
 
(foto: Tiffany/divulgação)
(foto: Tiffany/divulgação)
 

De quais países e/ou regiões vocês adquirem as pedras?
Principalmente, mas não apenas, Austrália, Bot- suana, Canadá, Rússia e África do Sul.

Como será feita esta divulgação a nível mundial?
A apresentação desta iniciativa já ocorreu mundialmente no primeiro semestre, com um comunicado oficial de nosso CEO, Alessandro Bogliolo. Todas as nossas lojas têm indicações sobre proveniência e nossas equipes podem informar com propriedade qualquer dúvida que nossos clientes possam ter.

Vocês anunciaram que, a partir de 2020 passarão a compartilhar a jornada artesanal. Explique isso melhor, por favor.
Como disse anteriormente, a Tiffany acredita ser relevante fazer a diferença nos locais onde atua. Temos hoje mais de 1.500 mestres lapidadores trabalhando com arte e dedicação para criar os mais belos diamantes do mundo. É importante dar visibilidade a essas comunidades onde conseguimos, através da implantação de nossas unidades de lapidação e polimento, trazer mais empregos e maior qualidade de vida. Acreditamos que nossos clientes ficarão felizes em adquirir uma joia cuja produção impactou beneficamente em uma comunidade.

Como será essa divulgação?
Hoje, os certificados de nossos diamantes de 0,18ct ou acima já trazem a informação de proveniência. A partir de 2020, trarão também o nome da unidade onde foram lapidados.

A Tiffany foi a criadora da lapidação brilhante do primeiro anel solitário e criou um novo conceito de anéis de noivado, o que revolucionou o mercado. O que isso representou para a empresa?
Inovação e excelência fazem parte de nosso DNA e legado. Em 1886, quando nosso fundador, Charles Tiffany, solicitou a criação de uma anel que permitisse ao diamante receber o máximo de luz possível, nossos designers apresentaram o Tiffany setting, até hoje nosso modelo mais vendido e sinônimo de anel de noivado. Acredito que ele não sabia, mas estava criando uma representação concreta de amor, compromisso e promessas de um futuro em conjunto. A Tiffany & Co. é hoje reconhecida por representar esses sentimentos e expectativas e nós gostamos de ser reconhecidos assim. Tanto que, ao lançar o Tiffany true, nosso mais recente modelo de anel solitário, reforçamos esses conceitos.

Quais os outros ícones da marca que fizeram diferencial no cenário mundial de joias e até hoje são referência?
A Tiffany foi pioneira em utilização de platina com pureza 950 em suas joias, assim como na produção de joias em prata com diamantes, além de incentivar os designers que trabalham conosco a quebrar conceitos. Também fazemos questão de permanecer como uma joalheria que advoga um luxo democrático e inclusivo. Somos reconhecidos também como destino de celebração de qualquer ocasião especial na vida das pessoas.

Uma curiosidade. Como surgiu a cor da marca que é unanimidade em elegância e bom gosto? 
Alguém pediu este tom de azul ou foi criação de uma agência?
Diz a lenda que esta escolha foi do próprio Sr. Charles Tiffany, por volta de 1845. Ou seja, muito antes de as agências existirem. O tiffany blue hoje está presente em Pantone com o nome de 1837, ano de fundação da Tiffany. Era comum, no século 19, que as noivas vitorianas presenteassem suas madrinhas com um broche de pomba chamado turtle dove na cor azul. Esta espécie de pomba é monógama e talvez a ideia de amor, romance e compromisso tenha inspirado a escolha do Sr. Tiffany.

Ter uma joia Tiffany é sonho de consumo da maioria das mulheres. A que vocês creditam isso?
A mística da marca traz, além da imagem de luxo e qualidade, também elegância e beleza. Todos esses valores são aspiracionais não apenas às mulheres, mas talvez, e principalmente, a elas. Além disso, o filme Bonequinha de luxo agregou ainda mais romance ao nome Tiffany.

O trabalho aqui no Brasil tem algum diferencial dos outros países?
O cliente brasileiro é bastante exigente e temos, em nossas pesquisas, um dos índices de satisfação mais altos do mundo. Consequentemente, acredito estarmos no caminho certo em adaptar nossa forma de atendimento ao consumidor brasileiro. O brasileiro gosta de criar relacionamentos e de desenvolver uma relação de confiança com as marcas que consome e temos tido sucesso em valorizar esta relação. 


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