Jornal Estado de Minas

Spring in NY

Semana de Moda de Nova York termina mostrando o melhor da criação norte-americana

Tory Burch - Foto: Filippo Fior/Divulgação
 
No seu primeiro ano como presidente do Conselho de Designers de Moda da América (CFDA), Tom Ford já mostrou a que veio: quer recolocar Nova York no centro das tendências. O estilista compactou a programação em seis dias e fez de tudo para atrair mais nomes significativos do território norte-americano. Pelo visto, o plano funcionou. A semana de desfilou termina com a sensação de que estamos diante do melhor da moda dos Estados Unidos.
 

 
O anfitrião criou uma atmosfera de luxo underground, por assim dizer. A começar pelo lugar escolhido para o desfile: uma plataforma de metrô abandonada. Ford admitiu que está com vontade de levar a moda streetwear para looks que estão prontos para a festa. “Acho que é um momento de facilidade e, dessa forma, um retorno ao tipo de roupas esportivas luxuosas pelas quais os Estados Unidos se tornaram conhecidos em todo o mundo”, comentou.
 
Christopher John Rogers - Foto: Alessandro Lucioni/Divulgação 

Um dos looks que mais representa a coleção combina blazer de cetim, microshort de ginástica em seda e meia calça fina com um risco de cima abaixo. Sutiãs de couro à mostra lembravam o estilo punk.
Mas o estilista deixou mesmo o público instigado com tops de plástico moldados no corpo das modelos, que evidenciavam as curvas dos seios.
 
 
Se a intenção de Jeremy Scott era mesmo divertir o público, conseguiu. Na passarela, a extravagância (para não dizer cafonice) dos anos 1980, capaz de arrancar risos incrédulos e saudosistas. Bem próximo da cultura pop, o estilista norte-americano se inspirou no desenho animado Jem e as Hologramas para criar “uma banda pop sintética imaginária intergaláctica no espaço sideral”.
Explica-se: ao mesmo tempo em que resgata elementos da década divertidamente over, a coleção tem um ar de ficção científica. Ao usar tubos de tecido prateado como viés, Scott mostra tudo o que se espera de uma roupa futurista: volumes geométricos nos ombros e gola. O lado oitentista se revela através dos excessos, seja em mangas bufantes, babados, lantejoulas, couro metalizado, animal print em cores neon e, acreditem, um patchwork de calcinhas.
 
 
 
Um antigo banco em Wall Street se transformou em uma glamourosa casa noturna para o desfile da Ralph Lauren. De volta aos anos 1920, a marca investiu em decoração no estilo art déco, show ao vivo de jazz e roupa de gala na passarela. O traje não poderia ser menos que o clássico smoking, que ganhou várias reinterpretações femininas em preto e branco e algumas pitadas de azul, vermelho e amarelo.
 
As mulheres usaram gravata borboleta, sim, mas em nenhum momento perderam a feminilidade.
A modelagem do colete foi usada em um macacão de frente única com decote profundo. O estilista levou a gola e os botões de camisa de smoking para uma blusa de organza com mangas fluidas e transparência nas costas. Em outro look, um robe de veludo entra no lugar do tradicional blazer. Ainda apareceram na passarela saias com aquela faixa de pregas na cintura.
 
FLORES Já que estamos falando de primavera, nada melhor que mostrar flores. Há um ano no comando da grife Carolina Herrera, Wes Gordon se inspirou na superfloração da Califórnia para desenvolver a coleção, marcada por um colorido explosivo, com amarelo, rosa e azul. “Nossa mulher ama cores e acho que o mundo precisa de tanta cor quanto possível”, defende o estilista, que escolheu mostrar as roupas de dia e dentro de uma tenda transparente instalada no meio de um parque.
 
A novidade fica por conta dos vestidos curtos, que não eram comuns de se ver na era de Carolina. O estilista justifica dizendo que buscou diferentes formas encontradas na natureza. Gordon ainda levou frescor para o conjunto clássico de camisa branca, saia ampla e cinto, que automaticamente nos faz enxergar a própria fundadora.
Chama a atenção a delicadeza de peças com flores aplicadas.
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