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Estado de Minas

Estilista ícone ganha exposição em Madri

Respeitado como o maior criador de estilo, costureiro espanhol está sempre na moda Balenciaga, o arquiteto da alta-costura


postado em 14/07/2019 04:08

1939(foto: reprodução)
1939 (foto: reprodução)


O nome mais famoso de toda a alta-costura europeia é o de um espanhol, Cristóbal Balenciaga, que chegou em Paris em 1937, morreu em 1972, mas continua sendo um ícone de todos os seguidores da moda. Considerado o grande mestre da alta-costura, ele era uma espécie de arquiteto da costura. A base de sua arte estava na solidez de suas linhas clássicas. Ele acreditava na continuidade do seu trabalho através da temporalidade da moda. O "belo Balenciaga", como também era chamado, criou várias silhuetas para a mulher, brincando com as proporções e as cores, sempre com resultados surpreendentes.
 
Ele deve sua carreira a duas mulheres: sua mãe, que era costureira e que o iniciou na profissão, e a marquesa de Casa Torres, cuja elegância o fascinava e de quem recebia roupas para copiar, ainda criança. Aos 20 anos ele abriu sua maison em Saint Sebastian e depois outras em Madri e Barcelona. Quando a Guerra Civil espanhola explodiu, ele trocou a Espanha por Paris. Apesar de ter apenas 20 anos, não era um desconhecido, comprava modelos de alta costura para desmanchar e remontar à sua maneira. Em 1937, ele se instala na Avenida George V e desde as primeiras coleções seu estilo se impôs pela perfeição, pelo corte e sua paixão pelo preto. 
 
Os modelos que criava já despertavam atenção e a Maison Balenciaga atravessa a guerra com a austeridade que lhe era natural. A paz chegou, mas a atmosfera não mudou. Nada era mais seleto do que o estúdio onde o mestre trabalhava. Ambidestro, ele cortava igualmente com as duas mãos, experimentava as telas em seus manequins favoritos e todos respeitavam sua concentração e o silêncio absoluto do ambiente de trabalho. Em seus desfiles, as modelos se apresentavam com um número na mão. Nem todas eram bonitas, mas Balenciaga preferia o estilo e a personalidade. Ele amava, como dizia, “vestir os puro-sangues” Enfrentou os anos 50 com espírito oposto ao New look, reesculpindo completamente a silhueta feminina. Os volumes criados em seus modelos eram completamente revolucionários, ele simbolizou a elegância da década.        
 
  Mas as inovações não paravam. 1952 foi o ano do marinheiro, 1955 do vestido túnica e em 1957 ele lança o chemisier e o vestido saco que espantou o mundo – mas as mulheres não só usaram como adoraram. Arquiteto, escultor,ele foi também pintor. Sua palheta, que começou com pretos profundos, associados aos marrons, partiu para o brilho. Ele sabia usar os rosas intensos e suas coleções explodiram em cores cada vez mais vivas, até o violeta.
 
Seu estilo foi muito influenciado pelo fasto espanhol, as jaquetas dos toureadores e os pintores de seu país, como Velasquez e seus jovens, Goya e o gosto pelos drapeados de Zurbaran, o volume, o bombês e o jogo de rendas pretas e rosas. As coleções que lançava em Paris eram repetidas na Espanha, com outros tecidos mais acessíveis e portanto mais vendáveis. Milionárias e artistas famosas se vestiam com ele, Barbara Hutton comprava 30 peças para usar na primavera e seus vestidos de noiva eram famosos. A primeira exposição de seu talento foi organizada em 1973 por Diana Vreeland, no Costume Institute de Nova York . E atualmente seu talento sem igual pode ser visto no Museu Thyssen, de Madri.              
A experiência adquirida em alfaiataria permitia que o espanhol não só desenhasse seus modelos, mas também os cortasse, armasse e costurasse, o que não é comum aos estilistas, que em geral apenas desenham suas criações. A perfeição nas proporções conseguida por Balenciaga em seus modelos aproximava sua arte da arquitetura. Considerado o grande mestre da alta-costura, seu estilo elegante e severo, às vezes dramático, tornou inconfundíveis suas criações. Em 1939, lançou o corte de manga com a aplicação de um recorte quadrado e uma linha de ombros caídos, com cintura estreita e quadris arredondados. 
 
No ano seguinte, apresentou o seu primeiro vestidinho preto, com busto ajustado e quadris marcados por drapeados, além de abrigos impermeáveis em tecidos sintéticos. Em 1942, as jaquetas largas e as saias evasês compunham a chamada "linha tonneau". O primeiro paletó-saco e os redingotes com mangas-quimono surgiram em 1946. Suas coleções de 1947 e 1948 tiveram inspiração espanhola, com elegantes vestidos e boleros de toureador para a noite. Em 1949, fez mantôs muito largos e, em 1950, vaporosos e retos, além do vestido-balão. Em 1955, criou o vestido-túnica e, em 1956, subiu as barras dos vestidos e casacos na frente, deixando-as mais compridas atrás, além do primeiro vestido-saco.  A linha império foi criada em 1959 e veio com a cintura alta para os vestidos e os mantôs em forma de quimonos.  .         
 
O começo dos anos 60, a supremacia de Balenciaga era incontestável. Ele domina a moda como Picasso domina a pintura registrou a bíblia internacional da moda, Women's Wear Daily, “e todos são influenciados por ele”. Só que, maníaco, ele tinha uma guerra da qual não abria mão: cópias de suas criações. Era tão radical que quando via alguém com bloco e caneta em seus desfiles mandava que fosse retirado imediatamente da plateia. E a imprensa só era convidada a ver suas criações um mês depois que eram lançadas, para que não fossem copiadas mundo afora.  Ele tinha paixão pelos tecidos. E os produtores ingleses se espantavam com sua pontualidade. Chegava nas reuniões na hora exata e escolhia 7 metros de alguns dos tecidos para trabalhar. Quando não usava, devolviam ao produtor, ao contrário de outros estilistas, que solicitavam as novidades, não usavam várias e também não as devolvia. Ainda nos anos 60, Balenciaga criou casacos soltos, amplos, com mangas-morcego e, em 1965, apresentou os primeiros impermeáveis transparentes em material plástico . Sua última coleção foi lançada na primavera de 1968 – ano em que se aposentou e fechou sua maison – e mostrou jaquetas largas, saias mais curtas, vestidos-tubo e muitas cores.
 
 
Respeito e reconhecimento   
 
E, Claro, num meio em que os nomes são bastante conhecidos, Balenciaga ficou conhecido como “O espanhol”. Nesse meio tão famigerado, não demorou muito até que ele fosse reconhecido, principalmente pelos seus concorrentes, como sinônimo de perfeição na confecção. Uma vez, ninguém menos que Christian Dior disse:
 
Balenciaga é o maestro e a alta-costura é sua orquestra. Todos nós somos meros músicos que seguem as direções impostas por esse maestro”. Logo de cara podemos ver o respeito que o espanhol conseguiu colocar perante seus principais concorrentes no mercado. Coco Chanel também se pronunciou: um verdadeiro costureiro, ele sim, sabia cortar tecidos e costurá-los com perfeição.  Segundo a estilista, todos os demais, incluindo-a, eram apenas desenhistas. Achados A marca trouxe muitas inovações, como a manga-melão, o modelo de vestido saco, a túnica baby-doll. Tambémfoi idealizadora do famoso chapéu-véu, que fora criado em 1967 para poder acompanhar os vestidos de noiva da época. O estilista Balenciaga também deu aulas de moda através delas inspirou Oscar de La Renta, Emanuel Ungaro, André Courrèges e Hubert de Givenchy. As mulheres devem a ele a criação do baby doll. Botas altas, em desfiles de alta-costura 


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