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Tragédia encerra SPFWN47 e gera discussões


postado em 05/05/2019 05:08

João pimenta (foto: fotos: FOTOSITE/Divulgacao)
João pimenta (foto: fotos: FOTOSITE/Divulgacao)
No dia do encerramento de SPFWN47, uma fatalidade abalou o universo fashion e deixou exposta uma ferida aberta há algum tempo. A morte de Tales Cotta, modelo de 25 anos, logo após desmaiar na passarela da Ocksa, que estreava no evento, mais que tristeza, originou uma discussão infinda nas redes sociais. Boa parte dos internautas entendeu que a opção pela continuidade das apresentações, mesmo após o pronto atendimento e o minuto de silêncio (na verdade, vários) antes dos desfiles posteriores, foi falta de respeito. Mesmo a mãe de Cotta ter se manifestado concordando com a atitude. Paulo Borges, à frente do SPFW, veio a público, em sua conta no Instagram, dizendo que esteve em contato com a mãe do modelo o tempo todo e que jamais imaginaram que ele morreria. “Ninguém contava com essa tragédia; o desfile aconteceu porque o acidente até então havia sido atendido e ele encaminhado ao hospital.” De acordo com Borges, logo após o hospital informar a morte do rapaz, a organização se reuniu com as marcas, diretores, stylists e modelos que ainda desfilariam e decidiram, apesar do abalo emocional, manter os desfiles, fazendo o minuto de silêncio antes de cada um. “No olho do furacão, sempre entendi que meu papel foi me solidarizar com todos e todos juntos resolveram pela continuidade; eram centenas de pessoas.”

O fato encerra uma sucessão de acontecimentos desalentadores. A saída do evento das grandes marcas (a última foi a Osklen), o local escolhido, degradado no entorno, e a falta de estrutura (só havia ar-condicionado nos backstages – salas de desfiles, sala de imprensa e demais áreas não tinham refrigeração, fazendo muitos acreditarem que Tales desmaiou devido ao calor), entre elas. A discussão levantada nas redes já faz parte do repertório dos jornalistas de moda desde quando a crise econômica nos abateu e as redes sociais se proliferaram sem controle. Cabem ainda, nesse universo digital, os desfiles presenciais? As grandes marcas ainda são relevantes? O sistema de produção de roupas deve ser transformado? Como? O que seria inovação na moda hoje? Onde fica a sustentabilidade? A exploração humana continua no sistema da moda? Como reverter essa situação? Como valorizar a moda e a moda no Brasil?

>> Momento de reflexão, passarela política
O período conturbado em que vivemos foi refletido na passarela, especialmente em João Pimenta, Ronaldo Fraga, no Projeto Ponto Firme e ainda no iniciante LED, do mineiro Célio Dias.

Enquanto Pimenta buscou na colagem de resíduos de tecidos metáfora para o imperativo de união, nos bordados e pinturas sobre as peças a necessidade da arte, Fraga veio com uma cenografia e coleção inspiradas nos painéis Guerra e Paz, de Cândido Portinari. Entre os bordados, o rosto da vereadora assassinada  Marielle Franco. Emocionante e triste. Já o Projeto Ponto Firme, do estilista Gustavo Silvestre trouxe novamente e de forma mais bonita, o crochê como centro de tudo. Desenvolvidos por reeducandos da Penitenciária   Desembargador Adriano Marrey, de Guarulhos, SP, as peças ganharam ares mais nobres por meio de fios de seda, algodão e lã. O trabalho de Silvestre traz um naco de otimismo no cenário atual. O bordado, uma das marcas registradas da moda mineira, veio na LED, de Célio Dias, mais casual. Interessante o mix te de crochê com tecido plano e os bordados com alusão ao movimento “Ninguém larga a mão de ninguém” conclamando as minorias a se unirem.

Vale saber

>> O bege é o neutro da vez. Veio em todas as coleções, quase sem exceção. Sozinho ou combinado com vermelho (outro hit), preto ou branco.

>> As saias amplas e de comprimento midi imperaram nas passarelas, em detrimento dos comprimentos micro das outras temporadas.

>> Bordados, tricô, crochê, macramê não podem mais faltar no guarda-roupa de ninguém. Mesmo que apenas em detalhes.

>> A sensualidade aparece em transparências, nem sempre tão sutis e em recortes vazados, decotes profundos.

>> Os bodies, sucesso nos ano,s 80 voltaram para ficar e não somente na moda praia. Vieram com mangas compridas, mangas bufantes (elas estão voltando!)

>> Os calçados ganharam conforto e mesmo os de salto alto apresentam solados mais grossos e fáceis de equilib rar.

>> As cinturas voltaram definitivamente para seu lugar habitual. Nada de cintura alta demais (exceto nas calças estilo clochard), nem tão baixas.

Conforto, transparências e toques artesanais

>> A modelagem que predominou nas salas de desfile foram as mais amplas e confortáveis. As calças largas estiveram presentes em todas as coleções, com destaque em Flávia Aranha, conhecida pelos processos artesanais de tingimento dos tecidos, que estreou em grande estilo; na  BobStore, Cotton Project, em Ão e na Beira.

>> As transparências obtidas de peças de organza estiveram presentes em Gloria Coelho, Reinaldo Lourenço em Apartamento 03, em peças lindamente bordadas de paetês de plástico, grandes.


Moda praia contrapõe rusticidade e sofisticação

>> Enquanto as cariocas Lenny e Haight trouxeram um pós-praia luxuoso, com peças fluiídas, escorregando deliciosamente pelo corpo, Borana veio com maiôs, biquínis e hot-pants de crochê mais rústico. O macramê apareceu aqui e ali.

>> Amir Slama fez uma releitura dos anos 80 e 90 em maiôs e biquínis, desde as tangas a uma asa delta mais suave. Nos rapazes, sungas de larguras variadas.

>> Trya trouxe estampas étnicas, multicoloridas, inspiradas nos povos incas. Maiôs e biquínis com laterais em tiras rústicas, tops de tear na passarela.


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