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Brasilidade e protesto


postado em 28/04/2019 05:08

PATRÍCIA VIERA(foto: Fotos: fotosite/Divulgação)
PATRÍCIA VIERA (foto: Fotos: fotosite/Divulgação)



Começou em 22 de abril, no Farol Santander em São Paulo, a 47ª edição do SPFW, com a apresentação da coleção de Reinaldo Lourenço. Nos três primeiros dias do evento, que acabou ontem, os desfiles externos levaram a troupe fashion para a Pinacoteca, no Bairro da Luz, para a Faap – Fundação Armando Álvares Penteado – em Higienópolis, e uma casa de eventos na Barra Funda. No mais a Arca, galpão na Vila Leopoldina, abrigou o restante dos shows.

Em tempos de polarização política e social, com o acúmulo de informações e exposição em redes sociais, a moda busca caminhos para se manter. Enquanto uns procuram nos elementos brasileiros inspiração, como Lenny, Fabiana Milazzo, PatBo e Patrícia Vieira, outros fazem dela bandeira de reflexão e protesto, como João Pimenta. Alguns se voltam para as próprias origens, como Lilly Sarti, Beira, Amir Slama e Gloria Coelho, e, por fim, outros se rendem a viagens como Reinaldo Lourenço e nos esportes, como Bob Store. Lino Villaventura, sempre à parte, renovou seu estilo.

Brasilidade em pauta
Lenny trouxe tricô manual em pontos grandes, que deram vida a maiôs com maxigolas. Vestidos longos, leves, com sobreposição de plissados em organza e estampa floral. Lindos. Túnicas soltas com calças amplas, saias mídi com sobreposições em tonalidades vibrantes como o laranja. Tudo leve, fluido e colorido. Partindo de um documento de cartografia, rios deram vida a veios dourados em maiôs, os minerais vieram em estampas delicadas e a exuberância da flora em desenhos tridimencionais.

Fabiana Milazzo, mineira de Uberlândia, se destacou no terceiro dia, partindo da obra do artista plástico Vik Muniz, para desenvolver sua coleção.  Assim, os desenhos de arame foram transpostos como bordado em fios de algodão e vidrilhos em peças como blusas, saias e vestidos leves. As colagens coloridas foram transpostas para estampas listradas e rebordadas com franjas de vidrilhos, lindas. Os bordados estão presentes ainda em vestidos longos com vibe anos 80 e também em camiseta com paetês de escama de peixe. Sementes de jarina foram usadas em anéis que nos remetem ao chocolate, presente no universo de Muniz. Vestidos e túnicas esvoaçantes, e no fim peças de retalhos, que a estilista guarda e reutiliza, no projeto Renovarte.

PatBo explica que enquanto a marca se volta para conquistar o mercado externo, ela busca a “essência da brasilidade”, que na passarela foi traduzida em estampa única com elementos de nossa flora, entremeios rústicos, que nos remetem à palha e babados em profusão. Aqui e ali detalhes em crochê e estampas rebordadas. Maiôs engana-mamãe, saias longas e curtas e biquínis com babados e detalhes de lastex. Nada muito novo, mas que reforça a identidade da marca.

Patrícia Vieira, especializada em couro, trouxe vestidos de cintura no lugar e saias godês, lindos recortes a laser e aplicações formando estampa da flora brasileira. Jaquetas e calças, macaquinho e shorts. Lindas as peças com aplicações de cristais.

Reflexão na passarela
João Pimenta partiu de retalhos e bandeiras de tecidos antigos que, unidos, formaram novas bases. Desse mix nasceu uma coleção cheia de energia, que dialoga com o momento presente. “Meus clientes são todos da área cultural e atualmente estamos todos temendo esse retrocesso, esse amordaçamento que estão tentando fazer. Eu quis transpor para a passarela todo esse sentimento”, justifica. O que vimos foram shapes largos, confortáveis, numa mistura imensa de tecidos rebordados, pintados, sobrepostos. Com impecável alfaiataria ele criou paletós com calças estilo pantalona, calças retas e slim fit. Vestidos de renda com decotes amplos, rebordados, usados com casacos acolchoados, que abraçam comodamente, foram vestidos por meninas e rapazes. Lã, náilon, renda, tecidos de decoração, malha e algodão entre os materiais utilizados.

Voltando às origens
As estilistas da Lilly Sarti buscaram nas viagens e no mundo espiritual, inclusive numa leitura de seu próprio repertório, base para a coleção que contou com shapes confortáveis, ombros marcados por detalhes como babados, pregas, e mangas bufantes. Detalhes em crochê em barras, decotes e dois vestidos feitos inteiramente pela técnica se destacaram.

Beira optou por uma cartela em tons de preto, com modelagem ampla e confortável e alguns pespontos aparentes. Inaugurando seu e-commerce, o que foi apresentado foi um inverno, com peças que nos remetem às coleções passadas. O clima do desfile, lento, deu um tom um tanto cansativo.

Comemorando 30 anos de carreira, Amir Slama trouxe bodies vestidos em modelos diversos, em parceria com o Instituto Dona de Si, da atriz Suzana Pires. A ONG procura a inserção social de mulheres por meio da capacitação e orientação profissional. A segunda parte trouxe peças bordadas, com recortes vazados, em maiôs sensuais. Biquínis, desde tangas a hot pants, e para eles, sungas, estas com laterais de vários tamanhos, desde a mais estreita até mais largas. Estampas de perfil de índio e de penas coloridas. Sobrevestes transparentes, em vestidos, saias e calças amplas.
Gloria Coelho mostrou sua expertise em peças extremamente bem cortadas, com primor de acabamento, em tecidos como neoprene, crepe e couro. O tule surgiu em vestidos e blusas, drapeados, bonitos.

Miami, esportes e sonhos

Inspirado em Miami, Reinaldo Lourenço apresentou uma moda leve, colorida e sofisticada. Destaque para as estampas de prédios em tonalidades pastel. Detalhes de argolas em fendas, barras e decotes, assimetria nas barras. A cintura veio no lugar, as pernas em destaque por meio de fendas e hot pants. Colarinhos de camisa vieram lindamente arrematados por flores. No final, uma sequência de vestidos fluidos e coloridos, leves, encantadores. Another Place, grife dos pernambucanos Rafael Nascimento e Caio Fortes, trouxe uma proposta urbana, genderless, com mix de esporte e alfaiataria. Peças confortáveis, de modelagem reta e alguns vazados.

Bob Store buscou trazer a estrutura das roupas para esqui em modelagens sofisticadas e o que se viu foram parkas de tecidos fluidos, muito tricô, assimetria. Lindo o vestido com pala plissada, solta na frente.

Lino Villaventura renovou-se numa sequência de macacões com capas sobrepostas, seguidos de vestidos curtos e longos, com caudas curtas, rebordadas, em tons fortes.


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