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Estado de Minas

Longe de ser coadjuvante

Setor que engloba bolsas, sapatos e bijuterias divide as atenções com roupas no salão de negócios


postado em 14/04/2019 05:08 / atualizado em 14/04/2019 08:10

Patrícia Moura
Patrícia Moura

Os acessórios não são destaque apenas na passarela. A cada edição, eles ocupam uma área maior no salão de negócios do Minas Trend, aberto a lojistas de todo o país. Desta vez, 68 expositores do setor de bijuterias, 36 de bolsas e calçados e um de óculos ocuparam os estandes onde ocorrem as vendas para antecipar as tendências da próxima estação.

Os colares da artista plástica Patrícia Moura chamam a atenção de longe. São peças mais extravagantes, com formas e volumes incomuns. A marca de Recife, que veio pela primeira vez a Belo Horizonte, trouxe para o Minas Trend o conceito de biojoias, em que predomina o uso de materiais colhidos da natureza, como sementes, conchas, madeira, coco, ossos, chifres e diferentes fibras.

Em destaque, um colar que mistura casca de orelha-de-elefante (planta do cerrado que tem esse nome pela forma arredondada), sementes de buriti e paxiubão, ambas da Amazônia, tingidas na cor vermelho, e discos de coco do Nordeste. “Gosto muito da junção de regiões e de ver quantas pessoas se envolveram para fazer uma peça”, comenta. Outro colar combina cascas de pereira, que tem o formato de canoa, pintadas com pátina dourada e três voltas de discos de coco.

Ainda sobre materiais naturais, a Mallorca se destacou no salão de negócios com o couro de arraia, que é cheio de pontinhos. A marca de São Paulo utiliza a pele que iria para o lixo e a transforma em acessórios bem coloridos e com uma textura curiosa. O brinco em formato de losango ganhou tingimento na cor roxo e um detalhe arredondado em resina esmaltada amarela.

De Belo Horizonte, Claudia Marisguia faz uma homenagem às mulheres em uma coleção formada por três linhas com propostas diferentes: a primeira tem uma pegada romântica, com flores, borboletas e tons adocicados; a segunda faz alusão ao estilo de vida cosmopolita, com formas arquitetônicas, e a terceira explora o lado étnico, com mistura de materiais e cores, entre eles açafrão e pimenta.

A marca continua a investir em sua linha handmade, que privilegia técnicas artesanais e reúne acessórios valiosos. Nesta coleção, um dos colares tem flores com pétalas pontiagudas, que são dentes de madrepérola tingidos de azul e costurados manualmente com fios de cobre.

O olhar da designer Claudia Arbex continua a ser atraído por matérias-primas naturais. “É uma forma de me conectar com a natureza e trazer leveza para as peças”, justifica. Um dos colares mais diferentes da coleção, que fala sobre poesia, é de madeira maciça. Detalhes em metal dourado representam um líquido escorrendo e envolvendo a peça, toda articulada. Já as pérolas barrocas, que têm formas irregulares, dão origem a peças nada clássicas.

No comando da Copella, Bárbara Teles (psicóloga por formação) cria acessórios minimalistas e atemporais para mulheres que buscam modernidade. “Penso em peças que não estejam sempre ligadas a tendências, até porque o material que uso é prata”, destaca. A marca mistura o metal com algumas pedras naturais, como ônix, madrepérola, floco de neve (preta com manchas brancas) e pérola.

No setor de calçados, duas estreantes mineiras mostraram trabalhos que fogem do óbvio. Uma delas é Anna Barroso, que ficou conhecida por sapatos que não passam despercebidos. “Acredito no poder dos acessórios de transformar um look e dar a ele muita personalidade”, aponta.

Para o verão 2020, a designer aposta em modelos que têm um pé diferente do outro. “Não tem por que buscar simetria se os nossos pés não são simétricos. Busco autenticidade.” Dessa forma, Anna também reafirma a sua vontade de criar peças únicas. Em uma mule, ela bordou de um lado uma flor (com paetês, miçangas e cristais) e do outro apenas as folhagens. O sapato azul-claro com borda na cor marsala fica charmoso com uma flor rosa em um dos pés.

AVESSO Virgínia Barros se inspirou em uma fala de Rubem Alves – que comparou o nosso avesso ao bordado, dizendo que por dentro existe uma maçaroca enorme – para criar o conceito da sua coleção. O avesso é representado, por exemplo, em sapatos de couro com rasgos de onde sai um emaranho de linhas. Já a estampa do tênis de jacquard de tricô pintado a mão representa sinapses ou, numa tradução da designer, as ligações que vamos formando ao longo da vida.

A marca apresenta toda a sua ousadia em um salto, desenvolvido com a ajuda de um marceneiro, com três bases redondas que parecem estruturas de uma construção. “Quis colocar colunas orgânicas para tirar o sapato do chão e dar a sensação de que a pessoa está levitando”, explica.

As bolsas grandes são a aposta da Confraria, de Brasília, para o verão. A designer Paula de Ávila e Silva se preocupa que elas sejam leves e macias, por isso uma das opções é um modelo de couro tramado em tressê. Na vitrine, também atraiu os olhares a bolsa de pirarucu verde-limão com alça de junco (fibra da Amazônia). Em relação às cores, Junia Gomes avisa que o branco continua em alta. Para ela, essa cor dá um toque de modernidade ao look e combina com diferentes produções.


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