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Estado de Minas

Passarela ensolarada

Estilistas e designers que representam a moda autoral mineira se transportam para um clima de praia na abertura da 24ª edição do Minas Trend, que teve como tema "Em dias de sol"


postado em 14/04/2019 05:08 / atualizado em 14/04/2019 12:15

desfile da Libertees(foto: Novo Fotografia/ Divulgação )
desfile da Libertees (foto: Novo Fotografia/ Divulgação )
Como mostrar leveza na passarela? Estilistas e designers que participaram do desfile de abertura da 24ª edição do Minas Trend encontraram diferentes soluções para entrar no clima do verão e levar frescor para a moda. Um trocou preto por amarelo, enquanto outro desenvolveu estampas tropicais. Muitos privilegiaram tecidos naturais e modelagens que garantem conforto. Vestidos lembravam saída de praia, peças bordadas foram usadas com biquíni por baixo e quase não se viu salto alto.

A Jardin quis transportar o público para um piquenique no parque no meio da cidade de Tóquio. “Estamos precisando de leveza em tempos tão difíceis, então pensei em um lugar onde se ouve o barulho das árvores e se sente o sabor das frutas”, aponta a estilista Bhárbara Renault. A estampa é inspirada em uma padronagem geométrica que pode ser vista por todos os lados na capital do Japão. Detalhes em tons cítricos de verde e azul se sobrepõem a traços que formam uma colmeia.

Para entrar no mood oriental, a marca levou para a passarela sombrinhas japonesas, muitas amarrações e modelagens no estilo quimono (como em uma camisa). A estilista acertou ao combinar a estampa, que é extremamente delicada, com o branco. Cores só mesmo no desenho. Decidida a privilegiar fibras naturais, Bhárbara conseguiu mesclar a fluidez da seda com um pouco de estrutura no linho. Já o jacquard 100% viscose é utilizado para levar uma textura diferente a peças lisas.

O estilista da Candê, Alexandre Franco, não teve dificuldade de entrar no clima do desfile de abertura. Leveza para ele é uma filosofia de vida e faz parte da identidade da marca. “Quero que a mulher vista a nossa roupa para se sentir leve, livre e feliz”, aponta. Nesta coleção, as influências chegam diretamente do Havaí e se conectam com o cenário da passarela, que lembra beira de praia.

Os vestidos são longos, frescos e esvoaçantes. Não tem nada colado ao corpo, apenas os decotes revelam um pouco de sensualidade. O tecido é o mesmo – musseline com uma sutil transparência, mas em cada look o estilista apresenta uma estampa diferente. Em comum, cores marcantes e elementos tropicais, como coqueiros, hibiscos e tucanos. Por baixo dos vestidos, todas as modelos usavam tangas de tricô, o que reforça o desejo da marca de vestir surfistas urbanas.

Foi um desafio para a Libertees falar sobre a mulher de forma mais leve. “Trabalhamos com presidiárias que mostram força todos os dias”, comenta a estilista Dani Queiroga, ao lado de Marcella Mafra, lembrando que as roupas da marca são produzidas dentro da cadeia.

Utilizando sobras de malha da coleção passada, a dupla desenvolveu tramas de macramê que se transformam em uma calça e nas mangas de um maxiquimono. A leveza também está presente nos tecidos (todos naturais, sem nada de poliéster) e nas modelagens, que são amplas e prezam pelo conforto. Nas estampas, desenhos que as próprias detentas fazem no papel com tinta guache. Curiosamente, elas chegaram a misturas bem coloridas, que dão uma sensação de alegria.

Sempre em busca de novidades, a estilista Renata Manso lançou um novo olhar para a lese, estreante na coleção. O tecido 100% algodão se transformou em uma bermuda saruel que promete ser desejo na próxima temporada. Os tênis, inclusive, são de lese. “Mesmo com um tecido diferente, mantivemos o nosso estilo”, avisa. Como não poderia faltar, o tie dye feito a mão ganha versão listrada em uma base que mistura seda com viscose.

À frente da Fe-Lis, a estilista Fernanda Elisa traduz o conceito de leveza em peças que não seguem tendências e se encaixam nos mais diferentes corpos e ocasiões, desde o dia até a noite. “Faço roupa para a mulher ser feliz”, resume. Os vestidos, que também podem ser usados como batas, surgem no característico shape longilíneo, mas estão longe de marcar a silhueta. Para evidenciar o trabalho de tingimento artesanal, sempre em bases brancas, a marca levou para a passarela quatro cores (vermelho, laranja, azul e cáqui) que derivam de uma mesma fórmula.

Praia não combina com preto, então ele nem apareceu na passarela. Até mesmo Fabio Resende, da Miêtta, teve que buscar cores mais solares. Acostumado a fazer roupas em preto, branco e cinza, ele usou pela primeira vez amarelo e rosa. “Pensei em um estilo navy, mas não com o óbvio azul”, destaca o estilista, que trabalha exclusivamente com uma malha de algodão e poliéster. As correntes são elementos importantes da coleção e aparecem em discretos bordados e em colares.Já no desfile, as modelos andaram em uma passarela de madeira inspirada em palafitas. Ao fundo, onde uma estrutura simulava um estaleiro, a cantora Zélia Duncan interpretou, ao lado do violoncelista Jaques Morelenbaum, músicas de Milton Nascimento, que, para Fraga, são “clássicos da praia”.

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