Continue lendo os seus conteúdos favoritos.
Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

O que se espera que se faça


postado em 14/04/2019 05:08


Ao decidir se casar, Maria logo pediu a uma prima que fizesse a arte do convite. Não queria nada muito sofisticado, cheio de itens que, além do projeto gráfico, incluem folha de seda envolvendo envelopes e mimos. Admirava o desempenho profissional da prima, que estava sempre andando de agência em agência, não por ser uma profissional instável, mas disputada.

Além de ser uma escolha afetiva, pois adora a prima, com quem convive de perto desde a infância, levava em conta também a questão financeira das duas. Afinal, no que se refere a noiva, na hora de casar toda economia é importante. Se não gasta com a programação visual do convite, consegue comprar algo novo para a futura casa ou aumentar o número de flores a serem colocadas no altar na hora da cerimônia.

No que tange à prima querida aquele trabalho poderia ser o presente de casamento, que exigiria horas de trabalho, mas muito pouco investimento em dinheiro, o que, para quem possivelmente seria madrinha, definitivamente é um bom negócio. Sem contar também o lado afetivo, aquela coisa do poder fazer com as próprias mãos algo que contribua para fazer ainda mais feliz a quem se ama.

Foi com surpresa que Maria ouviu um não, dito sem pestanejar nem um pouquinho. E foi não mesmo, definitivo. De nada adiantou pedir a interferência da tia (levando em conta aquele ditado que diz “peça a mãe que o filho atende”), nem a nenhum santo. Parecia que, já prevendo o pedido, a prima já preparara a resposta ou então a negativa a pedidos de trabalhos desse tipo seria hábito adquirido e reafirmado. Após o não veio a explicação.

A prima se recusa a fazer para qualquer membro da família todo tipo de trabalho que se relacione à sua ocupação profissional. Quer chamá-la para uma empreitada na cozinha, lugar que ela diz dominar por hobby, ou ainda para dividir o microfone no karaoquê, no qual também orgulhosamente diz reinar, ela está topando. Afinal, a família não tem nenhuma expectativa quando vai à casa dela para um almoço ou ao ouvi-la soltar a voz.

É por medo de ser criticada e considerada sem gosto que ela jurou nunca atender a esse tipo de pedido. Se pensarmos como família, costuma ser cruel em suas exigências em relação ao desempenho de seus membros daremos facilmente razão a ela.

Mas até que ponto nos é vantajoso carregar esta obrigação de não decepcionar? Doce ilusão essa de que, se não nos colocarmos à prova, nunca seremos analisados e julgados para o bem ou para o mal. Talvez nosso maior carrasco seja nossa exigência de ter que atender a gregos e a troianos como se o mundo se dividisse apenas entre eles.


Publicidade