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Liberdade para criar

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postado em 24/02/2019 05:09


Um dos nomes de destaque da nova geração de arquitetos mineiros, Juliana Vasconcellos concilia o design de interiores com a criação de mobiliário em edição limitada e voltado para colecionadores, mas se prepara para ampliar a linha de atuação no mercado comercial. Nascida em Belo Horizonte, ela formou-se em arquitetura e urbanismo no início de 2005, na UFMG, é presença constante nos principais eventos de arquitetura e decoração de São Paulo e Beagá e seus móveis estão em importantes museus e galerias europeias.


Artes plásticas, moda, cinema, viagens, fauna e flora, as cidades são inspirações constantes para a concepção dos projetos que assina. O movimento modernista em geral é outra referência no trabalho desta arquiteta de personalidade tranquila, que gosta mais de escutar do que de falar, estudou piano por dez anos e canto lírico por cinco, e quase se tornou cantora. O mix dessas influências pode ser conferida em uma produção arrojada e inovadora.

 

Em que momento você descobriu que queria cursar arquitetura?
Quando criança, eu falava que seria pintora. Quando tinha 12 anos, minha irmã começou a cursar arquitetura, o que acabou me influenciando. Quis ser estilista também logo antes de começar a faculdade. Cheguei a ser sócia da minha irmã nos meus primeiros anos de formada, mas ela já estava em transição para outro caminho profissional.

Você trabalha somente com interiores? Seus clientes estão mais localizados em Beagá ou em outras cidades do país?
De 2005 até 2011 trabalhei somente com arquitetura...centros culturais, terminais rodoviários, loteamentos, edifícios multifamiliares. E casas, que é ainda o que mais gosto de fazer. Mas sentia muita dificuldade de expressar meu lado mais artístico na maioria dos projetos por requisitos muito predefinidos por parte dos clientes incorporadores e construtores. Então pensei em investir em interiores. Tenho que confessar que, na UFMG, tínhamos um pouco de preconceito com esse tipo de projeto. Acho que, por isto, demorei um pouquinho para assumir esse desejo. Meus clientes hoje se dividem entre São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Qual o caminho para se destacar no mercado?
Estudar muito, pesquisar constantemente, se reinventar sempre que sentir que está fazendo mais do mesmo. Ter um olhar e sensibilidade para perceber a beleza em todos os lugares. Ousar, arriscar e encontrar meios de mostrar o seu trabalho.

O que a inspira para criar seus projetos? E quem são seus mentores?
Tudo que vejo me inspira...as cidades, a fauna e a flora, as artes plásticas, a moda, as viagens, um filme. Meus mentores posso dizer que são os profissionais que mais admiro. Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, Sanaa, Carlo Scarpa, Barragan, Tenreiro, Jean Royére, Charlotte Perriand, Jean Prouvé, Jacques Grange, Isay Weinfeld, para citar alguns.

Quando e como surgiu o design de móveis? É autodidata no assunto?
Surgiu nos meus projetos de interiores. Quando projetava um ambiente, os móveis vinham na minha mente como consequência da estética imaginada. Depois de alguns anos, decidi criar peças independentemente dos projetos. O Matheus Barreto trabalhava comigo no escritório, nesta época, e assinamos muitas peças juntos. Sou autodidata e reconheço que tenho muito que aprender nos aspectos construtivos e de desenvolvimento de materiais. Já que não estudei, sou muito curiosa nesses quesitos.


Qual o significado que eles têm para sua carreira?
Hoje posso dizer que eles ocupam 50% do meu tempo e dedicação e, a cada dia, têm mais importância na minha carreira. Como os móveis são móveis (rsrsrs), fica mais fácil de abrir o mercado geograficamente com eles do que com a arquitetura e o interiores, que demandam uma presença física maior em boa parte do processo.

Trata-se de um mobiliário bem elaborado. Como
você define o estilo dessa produção? Peças únicas, edições limitadas, coleções?
Meu foco, até então, foi o mobiliário em edições limitadas. Há poucos meses, lancei uma mesa e uma cadeira de jantar chamadas Girafa, que estão sendo produzidas pela Arti, uma marca nova focada no mercado de luxo de uma indústria já bem estabelecida e que convidou cinco designers para o lançamento: dois do Brasil e três da Itália. A cadeira Girafa está no acervo do Museu das Cadeiras Brasileiras recém inaugurado em Belmonte. Este ano vou desenvolver uma coleção para outra indústria, que será lançada em 2020. Pretendo conciliar essas duas frentes, colecionáveis e comerciais.

Quais são as suas matérias primas preferidas?
Para peças mais artísticas, amo trabalhar com o bronze. Adoro pedras e madeira, especialmente maciça. E adoro fazer trabalhos com fibras naturais de algodão ou juta.

Quem é o público que se interessa por esses móveis? Você busca o mercado de colecionadores ou
um público mais amplo?
O público das galerias com as quais trabalho é formado basicamente de colecionadores e alguns arquitetos. As peças industriais são distribuídas pelas fábricas para algumas lojas selecionadas no Brasil. Mas, neste ano, vou oferecer a venda de algumas peças diretamente do meu estúdio. Elas já estão sendo oferecidas online nos Estados Unidos na minha loja no 1stDibs.

Você está muito ligada aos movimentos da arquitetura/mobiliário de São Paulo. Como isto está sendo viabilizado?
Já participei das principais feiras do setor no Brasil através das galerias com as quais trabalho. Participei do setor de Design da ArtRio, algumas vezes, com o Mahog Project, um coletivo formado por alguns dos mais importantes designers do Brasil para divulgar o mogno africano de florestas plantadas. Esse grupo foi idealizado pela Associação dos Produtores de Mogno Africano. Estive presente em   duas edições da MADE, em São Paulo, com meu estúdio e, em 2018, com a Galeria Nicoli. Na SP-Arte, com a Legado Arte. Já tive exposições na design week de São Paulo com o Instituto Iadê e no lançamento dos tapetes com a Botteh. Quanto às exposições de decoração, participei da extinta Mostra Black, no prédio da OCA, no Ibirapuera. Foi uma exposição com um grupo seleto de 14 dos mais renomados nomes do Brasil. Participei da Modernos  Eternos, Viver São Paulo, e fiz vitrines para lojas, como a francesa Ligne Roset. Neste ano, provavelmente, participarei da Modernos Eternos, em São Paulo.


Como a participação nesses eventos repercute em BH, onde você mantém seu escritório?
O público em geral não acompanha muito esses eventos. Como a mídia nacional está, em sua maior parte em São Paulo, isto acaba influenciando no mercado local, mas acho que ainda sou mais conhecida em São Paulo.

Quais são as dificuldades encontradas para vender no mercado nacional?
A forte crise econômica que passamos nos últimos anos foi o fator mais difícil de se enfrentar. E os altos custos de uma produção reduzida e artesanal muitas vezes inviabiliza as peças de serem revendidas por lojas no mercado. Por isto, agora estou disponibilizando algumas peças para venda direta no meu estúdio.

Você morou em Londres, Barcelona, Nova York. Como essa vivência influenciou seu trabalho?
Acho que trouxe um olhar mais cosmopolita na minha estética como um todo. Sempre fui muito aberta a experimentar e curiosa para conhecer coisas diferentes. Hoje percebo que consigo combinar uma linguagem universal, porém trazendo a bagagem regional, das minhas raízes.

Suas criações continuam presentes em galerias de design internacionais, como a Nilufar, de Milão? Alguma outra galeria?
Sim. Temos algumas peças na Nilufar, em Milão, um tapete na Etel de Milão e já tivemos uma galeria em Paris, que fechou suas atividades recentemente. Estou no momento avaliando uma outra galeria em Paris e em Beirute.Seus projetos marcam presença em importantes publicações impressas e virtuais, no Brasil e no exterior.

Como acontece essa repercussão? Você tem um agente, um RP ou assessor de imprensa?
Já tive uma assessoria por um curto período, em Belo Horizonte, durante a minha participação na Mostra Black, em São Paulo, em 2015. Depois disso não mais. Até acho que seria bom, mas a divulgação aconteceu naturalmente, os editores foram conhecendo o meu trabalho e fui criando uma linha direta de comunicação com eles.

Em uma edição do Modernos Eternos de Belo Horizonte, um tapete desenhado por você era o principal destaque. Além de tapetes, você cria outros objetos?
Então, tapetes são uma paixão. Sempre os desenhávamos para os projetos de interiores. Fizemos uma coleção de tapetes lançada com a Botteh de São Paulo, em 2017, e no ano passado ganhamos o prêmio Casa Vogue de design na categoria têxtil. Lançamos na Made SP, em 2017, dois modelos de tapeçarias para parede também. Porém, ainda não experimentamos outros objetos. Tenho algumas ideias para luminárias.

Quem é Juliana Vasconcellos? Quais são seus gostos pessoais?
Tenho uma personalidade tranquila, sou de escutar mais do que de falar, sou sonhadora e gosto de apreciar o belo. Adoro uma praia. Amo os animais, música, especialmente a clássica. Estudei piano clássico por 10 anos e canto lírico por cinco. Fui cantora no fim da adolescência e aos 20 anos quase assinei contrato com a gravadora Sony Music, na Espanha, porém acabei voltando para a faculdade, pois não podia trancar a matrícula por mais tempo. Amo arte moderna e contemporânea, cinema, o movimento modernista como um todo, a moda. Gosto de lugares inóspitos, como desertos e florestas, mas gosto também do caos de um mercado no centro de qualquer cidade do mundo.


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