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Estado de Minas

Solidariedade sazonal

%u201CTer compaixão é fácil principalmente diante de uma catástrofe, o difícil é isto ser conduta, linha de princípios a serem seguidos sempre%u201D


postado em 03/02/2019 05:04

 

 

Maria estava indignada. Na sexta-feira, logo que soube do acidente em Brumadinho, começou uma campanha de arrecadação de alimentos juntos às amigas e vizinhas do condomínio onde mora. Na segunda-feira pela manhã, em sua garagem, havia uma quantidade de mantimentos capaz de encher um caminhão. Antes mesmo de pensar como faria o transporte, ouviu dizer que a defesa civil estava dispensando doações. “Mas como assim? Passei dois dias pedindo aqui e ali e agora simplesmente não querem?”


Mesmo tendo sido alertada por outras pessoas, não mudou seu objetivo. A empregada que trabalha em sua casa, por exemplo, sugeriu que ela entregasse tudo aquilo em alguma instituição que trabalha com assistência social. Não, definitivamente as doações não podiam ir para qualquer um. Só para quem tinha sido atingido pela tragédia que tomava conta do noticiário.
Sou capaz de apostar que durante os outros dias do ano chegam até ela pedidos de ajuda de todo tipo e que seja por falta de tempo, desconfiança, esquecimento, passam em branco. Afinal, as dores das grandes tragédias televisionadas devem ser maiores que as das tragédias individuais e anônimas do cotidiano.


Existem variações na maneira de tirar proveito das oportunidades que encontramos para ajudar. As necessidades do outro pouco dizem respeito a algumas pessoas que se sentem condoídas, mas não o suficiente para fazê-las se mover; outras se apegam ao espirito da tragédia, ao sensacionalismo produzindo naquele momento e movem montanhas para aproveitar a onda e depois, quando vem a calmaria, continuam frias e indiferentes como antes. Mas com certeza existem aqueles, a menor parcela infelizmente, cujos corações estão sempre sintonizados com os corações dos aflitos e sem alarde chegam onde podem e fazem o que é preciso.


Ter compaixão é fácil principalmente diante de uma catástrofe, o difícil é ser fiel ao princípio que move este sentimento, ou seja, inclui-lo como conduta, linha de princípios a serem seguidos sempre. O que determina nossas ações e seus valores são o teor de nossos sentimentos e a qualidade de nossas ideias e ações. É aos nossos sentimentos que precisamos educar para que nossas ações deixem de ser sazonais e possam ser melhor aproveitadas tanto em nosso benefício quanto dos que pedem por socorro.


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