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Estado de Minas

A terra inspira

Ao identificar iniciativas conectadas com a sustentabilidade, publicação que antecipa tendências convoca brasileiros a se voltar para a sua essência em busca de inspiração


postado em 06/01/2019 05:06

As pedras estáo entre os elementos que sutentam a nossa sobrevivência(foto: rogério cavalcanti/divulgação)
As pedras estáo entre os elementos que sutentam a nossa sobrevivência (foto: rogério cavalcanti/divulgação)



É tempo de olhar para as nossas raízes. A conclusão vem da pesquisadora de tendências Lili Tedde, que se propõe a identificar histórias locais que podem servir de inspiração para os criadores brasileiros. Há quatro anos, ela mostra na publicação Bloom descobertas que interessam ao universo da moda, decoração, beleza, design e lifestyle. “Precisamos entender quem somos e buscar o nosso diferencial. Não podemos ignorar o que está acontecendo lá fora, mas devemos fazer a nossa própria interpretação e combiná-la com as nossas cores, texturas e vibrações”, comenta.


Lili define a última edição, de nome A Terra chama, como um manifesto, que busca conscientizar sobre a importância de cuidar da natureza. “A ideia é reverenciar o nosso planeta, que está muito sofrido”, resume. Por isso, muitas histórias estão conectadas com a sustentabilidade.


Destaque para o trabalho de uma comunidade de Capitão Enéas, no Norte de Minas, com fibras de bananeira. Antes, o tronco que sobrava da colheita de banana virava adubo. Agora, não. A madeira se transforma em palha, que é higienizada e descolorida com vinagre, estendida no varal para secar e depois está pronta para se transformar nas mãos dos artesãos. “Descobri verdadeiras esculturas, inspiradas na natureza local, que lembram uma colmeia ou um casulo, e podem ser usadas na decoração”, conta Lili, encantada com a beleza das peças criadas pelo grupo Capitania das Fibras.


Na publicação, também são apresentadas duas comunidades que colhem frutos e sementes na Amazônia. Para ir em busca de castanhas, um grupo de mulheres fica longe da família por dois meses durante o inverno. Elas levam sete dias para chegar no meio da floresta, carregando tudo o precisam para sobreviver bem longe da civilização. Outro grupo de ribeirinhas trabalha com a coleta de sementes de ucuuba na beira do rio. Essas mulheres utilizam uma espécie de rede para retirá-las entre galhos e folhas. Depois é preciso lavar e secar os frutos por três dias em sol forte.


“Para mim, é surpreendente descobrir que os frutos da ucuuba e da castanheira, espécies em risco extinção na Amazônia, são colhidos por verdadeiras guerreiras. Quando incentivamos a colheita dessas mulheres, estamos ajudando a cuidar das árvores”, analisa Lili. Isso porque elas ganham mais dinheiro com isso do que vendendo os troncos para fazer cabo de vassoura.


A pesquisadora de tendências ainda destaca o trabalho da designer Inês Schertel, que cria ovelhas em uma fazenda no Rio Grande do Sul para produzir feltro. O material se transforma em objetos de decoração premiados, que se conectam, através da sustentabilidade, com as peças criadas por Domingos Tótora, de Maria da Fé, no Sul de Minas. Ao reciclar o papelão que seria descartado, o artista mineiro consegue criar uma alternativa à madeira, causando menos impacto ao meio ambiente.


As pesquisas são desenvolvidas em conjunto com a holandesa Lidewij Edelkoort, mundialmente conhecida por antecipar tendências. É ela a criadora da Bloom, que deixou de circular na Europa e se mantém apenas no Brasil. A proposta de reativar a publicação com temas brasileiros veio de Lili Tedde, que já era representante do estúdio internacional. “Comecei a trazer livros de tendências de Paris e vendia para a indústria local, mas sentia uma grande necessidade de aproveitar as observações da Lidewij Edelkoort sobre o que tínhamos de interessante no Brasil”, justifica.

AMARELO Na primeira edição, de 2014, batizada de Saboroso, a ideia era apresentar as riquezas do Brasil, portanto ela mostra uma seleção de frutos, flores, paisagens e artes populares encontradas em diferentes pontos do país. A pedido da holandesa, a cor amarela guiou a pesquisa para produzir a edição seguinte, dois anos depois. “Ela dizia que nós brasileiros tínhamos que conhecer o nosso país através do amarelo, que remete a ouro, sol, energia. No fim das contas, as histórias ficaram tão espiritualizadas que resolvemos chamar a segunda edição de Fé.”


Lili espera, com a Bloom, incentivar profissionais de todas as áreas a buscar na essência a inspiração para o trabalho. “Precisamos nos emancipar e acreditar mais nas nossas criações, mas só vamos conseguir isso se tivermos autoconhecimento”, pontua. Na opinião dela, os irmãos Campana são um ótimo exemplo: justamente porque sabem se aproveitar das suas raízes, eles fazem um trabalho que chama tanto a atenção mundo afora. A pesquisadora, que já contou a história de Ronaldo Fraga, acrescenta que a moda é um dos setores que mais precisa de incentivo para experimentar e ousar.

A próxima edição da Bloom ainda não tem data para ser publicada.


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