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Arquitetura em imagens

O trabalho do fotógrafo é um retrato dos setores de decoração e arquitetura de Minas Gerais, apresentando também uma linha autoral que remete à memória das edificações


postado em 30/12/2018 05:03

(foto: Jomar Bragança/divulgação)
(foto: Jomar Bragança/divulgação)



Jomar Bragança é daqueles profissionais que “namoram” demoradamente um ambiente antes de disparar o click definitivo. Sentir o espaço e as possibilidades que ele oferece é uma característica desse fotógrafo mineiro, nascido em Itabira, cuja intuição e sensibilidade o tornaram uma referência na área em que atua.


Em sua trajetória, passou pelos cursos de engenharia e cinema para graduar-se em arquitetura. Exerceu a profissão por pouco tempo, porque a fotografia, muito antes disso, já havia ganhado seu coração. Autodidata na profissão, o trabalho de Jomar repercutiu, não só pela vocação, mas também pela consistência das imagens apoiadas por pesquisas constantes. Seu nome está ligado aos principais movimentos dos segmentos de decoração, arquitetura e design, como mostras, livros, publicações que contam e divulgam a história dessas atividades em Belo Horizonte. O pendor para a fotografia artística também está presente em seu portifólio. Desde meados da década de 1980, Jomar passou a desenvolver um trabalho autoral, que lida com a memória dos lugares, a arquitetura abandonada e a relação do homem com a natureza.

 

Em 2016, apresentou a exposição E se fôssemos nós os modernos, na AM Galeria de Arte, um ensaio sobre a residência modernista Dalva Simão de 1954, projetada por Oscar Niemeyer, na orla da Lagoa da Pampulha, cujas imagens remetem à memória do modernismo. Segundo a curadora Manu Grossi, “um convite à reflexão sobre o papel da arquitetura moderna no país e também um questionamento sobre o abandono das edificações”. Entre outras mostras de destaque estão Imagens do garimpo, Multigrade, Arquitetura e liberdade, e Ruína e Reconstrução.

 

Quando foi que a fotografia assumiu o primeiro lugar na sua vida profissional?
Já faz  tempo. O trabalho que marcou meu início como profissional foram as fotos que fiz para o livro Lojas Arquitetura, editado pela AP Editora do Sylvio Podestá.

Como o olhar de arquiteto influencia neste trabalho?
A formação do arquiteto é um exercício que faz você olhar para o mundo partindo de uma visão ampla até chegar ao detalhe. A compreensão do todo possibilita que você enxergue a essência. O estudo da arquitetura faz entendê-la não só como objeto estético, mas com outros significados, o que faz que procuremos mais do que um belo enquadramento.

 O mercado de arquitetura/decoração evoluiu em Belo Horizonte. Como analisa esse crescimento?
Esse mercado vem evoluindo de forma significativa. Mesmo considerando os períodos de crise econômica. O desenvolvimento do design nacional, as novas tecnologias, a oferta de produtos e serviços têm aproximando o setor do consumidor final, reflexo de preços mais acessíveis e de mais qualidade.

 São muitos nomes novos a cada temporada. É mais difícil se distinguir agora do que antes?
Na medida em que o setor se mostra mais dinâmico e amplo, também se torna mais competitivo. Os processos profissionais, a inserção no mercado, desenvolvimento e divulgação do trabalho de um profissional são agora mais complexos.

Tem algum novo talento em que você está apostando?
São muitos, ainda não identifico um em especial.

Além de boa iluminação, o que contribui para a fotogenia de um ambiente?
São elementos como cores, padrões, texturas e formas, além do conteúdo e informações que eles carregam, matéria com a qual construímos as imagens.

Como arquiteto, o que você considera um bom projeto?
Um bom projeto carrega em sí uma qualidade que não se expressa de forma explícita. Ela é sentida antes de ser entendida.

Quem é seu mentor - ou mentores -  em termos de fotos para interiores? E na arquitetura?
Minha formação como fotógrafo é autodidata. Tem dois grandes fotógrafos nos quais me inspirei: Julius Shulman e Erza Stoller.

Como você entrou no mercado editorial da área?
Foi no começo dos anos 2000, existia uma demanda latente por informação. A possibilidade de unir o trabalho de fotografia com o trabalho de edição, além de gratificante, se mostrou uma oportunidade de mercado.

São quantos livros publicados? Existe, inclusive, um sobre sua carreira, não é mesmo?
Como fotógrafo/editor são seis livros da série Interiores, cinco em Belo Horizonte e um em Vitória/Espírito Santo. E três livros temáticos: Garden Hill Hotel, Automóveis Clássicos MG e Localiza Edifício Sede. Um livro sobre meu trabalho autoral está nos planos para um futuro próximo. Para viabilização desses projetos são necessários patrocínios.

As empresas que trabalham na área são sensíveis e participam?
A viabilização dos projetos depende muito das parcerias com os profissionais e as empresas do setor. A maior parte é sensível e tem apoiado os projetos.Você publicou, recentemente, o livro sobre a arquitetura de interiores da Localiza em parceria com a Morence.

Como é essa vibe do projeto coorporativo?
Foi um projeto editorial muito interessante. Possibilitou-nos uma imersão no projeto de arquitetura de interiores, criando um livro que, através da fotografia, pudesse traduzir o conceito, a intenção do trabalho/ideia dos arquitetos. O projeto coorporativo tem uma riqueza e uma complexidade diferentes dos residenciais. Podem parecer simples, objetivos, frios, mas não, são projetos que precisam ser competentes para criar espaços de qualidade onde o trabalho eficiente e produtivo são uma exigência.

Como encara a perspectiva do livro  em detrimento da internet?
A relação que temos com o físico é definitiva. Podemos viver num momento em que as possibilidades das redes sociais se mostram sedutoras, mas ainda precisamos de uma referência material. O prazer de folhear um bom livro, o toque do papel, o cheiro, são insubstituíveis. Quando as informações veiculadas de forma acelerada e frenética saturarem, voltaremos nossos olhos e sentidos para o suave. O livro é e será um refúgio.

Nunca quis testar um mercado, digamos, mais amplo...São Paulo, por exemplo?
Sim, mas por motivos familiares permaneci...

Em que projeto está envolvido agora?
Estou na produção do livro Interiores 6 e viabilizando mais um livro temático.


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