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Estado de Minas

Exclusividade máxima

Conheça a história da marca mineira que, há 20 anos, desenvolve vestidos de festa sob medida


postado em 23/12/2018 05:03

(foto: rodrigo zorzi/divulgação)
(foto: rodrigo zorzi/divulgação)


“A nossa missão é realizar sonhos.” Elisabeth Faria não mede esforços para atender aos desejos das clientes. Na fábrica da Vivaz, ela comanda um trabalho primoroso de construção de tecidos, bordados e rendas para os vestidos de festa. Encerrada a venda por atacado, a marca se volta ainda mais para o atendimento personalizado, inclusive com um espaço exclusivo para noivas, o Vivaz Brides, nas lojas de Belo Horizonte e São Paulo. Para o ano que vem, o plano é lançar uma linha especial de vestidos para debutantes, sem deixar de lado mães de noiva, madrinhas de casamento e formandas. Ao lado das duas filhas, as estilistas Camila e Isabela, Elisabeth comemora os 20 anos da empresa e confessa que chegou muito mais longe do que imaginou.

Como a Vivaz surgiu?
Sou formada em administração e ciências contábeis, mas sempre amei moda. Comecei produzindo algumas peças para amigas na minha casa. Fazia uma ou outra roupa de festa, era mais uma linha casual chique, estilo coquetel. O negócio foi crescendo e já não cabia mais em casa. Nesse meio tempo, abri uma loja infantil com mais duas sócias em um shopping e achei um espaço por perto para montar a minha confecção. Atendia ao varejo e ao atacado. Pouco tempo depois tive que ir para um espaço maior, no Lourdes, onde considero que a Vivaz começou. Era uma casa de três andares: loja no primeiro, showroom no segundo e administrativo no terceiro. O imóvel era tão grande que nos fundos montei a fábrica. Ali fiquei durante 15 anos. Logo percebemos que o espaço estava pequeno e ocupamos duas lojas. Há cinco anos, a produção foi transferida para um galpão no Calafate.

No início, você não fazia roupa de festa. Por que mudou?
As pessoas entravam na loja e perguntavam: tem roupa de festa? Aí comecei a fazer alguns vestidos e me identifiquei com esse segmento. Amo fazer uma linha mais elaborada, amo bordados.

Por que a marca deixou o atacado?
Abrimos mais de 120 pontos de venda no Brasil, mas, com o tempo, percebemos que o nosso produto não tinha mais o perfil de atacado. Apareceram muitas marcas, vestidos chineses, linhas menos elaboradas com preços mais atrativos e o nosso produto é feito a mão, então tem um valor agregado diferenciado. Por causa da crise, começamos a enxergar a necessidade de conversar diretamente com o consumidor final e fechamos o atacado.

Dois anos depois, você avalia que acertou na decisão?
Foi a melhor decisão. Não digo que não volto para o atacado, mas hoje estou muito mais feliz. Não só pela minha qualidade de vida, mas também por conseguir fazer um trabalho direto com as nossas clientes e entender melhor o desejo delas. Quando fechamos o atacado, resolvemos abrir uma loja de varejo em São Paulo para não perder tudo o que havíamos conquistado.

Por muito tempo, a marca desfilou no Minas Trend. Pensa em voltar?
Foi muito bom enquanto durou. Fizemos desfiles muito importantes, a marca ganhou projeção, só que hoje estamos em outro momento. Como não somos nem um pouco engessadas, adoramos desafios, podemos voltar se vier um projeto diferente. Mas no próximo ano vamos manter o foco no varejo.

Como as suas filhas entraram no negócio?
A Camila e a Isabela quiseram seguir o mesmo caminho e se formaram em moda. As duas fizeram vários cursos fora, em Londres, Paris, Milão, e vieram agregar à Vivaz. Trouxeram conhecimento e um olhar mais jovem. Hoje nós nos dividimos. A Isabela cuida da loja em BH e atende principalmente noivas. Já a Camila assumiu a loja de São Paulo e também atende noivas, mães de noiva, madrinhas e formandas com hora marcada. Eu cuido da fábrica, que é o que amo fazer. Amo construir tecidos exclusivos, e isso exige acompanhamento de perto. Sou muito preocupada com a qualidade e fico de olho em todos os processos para o produto chegar perfeito às lojas.

Por que a exclusividade é tão importante?
Todas as nossas clientes querem se sentir únicas em momentos tão especiais da vida, como formatura e casamento. Então, fazemos o vestido sob medida para ela, com cor que ela sonha, o estilo de bordado que ela gosta, a modelagem que favorece o seu corpo. A nossa missão é realizar sonhos. Na loja, as clientes podem combinar a parte de baixo de um vestido com a de cima de outro, podem colocar manga, fechar ou abrir um decote, mas, é claro, com a nossa consultoria. Percebemos que elas gostam de ter essa liberdade e isso é muito gostoso, porque criamos uma história a cada atendimento.

Na sua opinião, o que explica o sucesso dos vestidos da marca?
Primeiramente, porque é uma paixão. Quando você trabalha com paixão, consegue ter um resultado melhor. Segundo, porque sou uma pessoa muito determinada e dedicada, então sempre me preocupei com a qualidade e satisfação dos clientes. Para construir uma marca, você tem que fazer com que as clientes saiam totalmente satisfeitas e que passem para outras pessoas o quanto foi importante vestir Vivaz em momentos especiais da vida delas. Além disso, procuramos inovar sempre. Se você não estiver muito antenada, se não levar para a sua marca todas as novidades que o mercado exige, vai ficando para trás. Um dos nossos diferenciais é termos idades bem diferentes. Isso é muito bom, porque atendemos a mulheres de várias gerações.

Quando você abriu a Vivaz, qual era o seu plano?
Sempre fui muito sonhadora e vislumbrava ter uma marca que fosse reconhecida local e nacionalmente. Então, me entreguei de corpo e alma para a minha marca. Hoje, me sinto muito realizada e agradecida porque fui muito além do que imaginei.

E agora, aonde você quer chegar?
Em primeiro lugar, quero consolidar bastante o nosso varejo. São Paulo é um mercado grande porque engloba o Brasil todo. Várias clientes pegam voo do Nordeste para ir direto para a nossa loja. Fizemos um trabalho muito bom no atacado e hoje colhemos os frutos. As pessoas conhecem a Vivaz em Recife, Cuiabá, Curitiba. Além disso, quero aprender muito mais e me especializar a cada dia no mercado de noivas, que é maravilhoso. Estamos amando trabalhar com isso.

Como surgiu a ideia da Vivaz Brides?
O atacado me ocupava tanto que não conseguia conciliar com as noivas, afinal, elas querem ter contato direto com o estilista. Agora, temos tempo para atender a essas mulheres com tranquilidade. Fazemos o atendimento com hora marcada no segundo andar das lojas. Lançamos também uma coleção para noivas bem eclética, em que conseguimos apresentar várias modelagens, desde vestido sereia até princesa. Temos vários decotes, entre eles tomara que caia, ombro a ombro, com alças e gola alta. Trabalhamos com tule, cetim, organza, bordados, rendas, plumas e babados. Apostamos no branco, off white e temos linha com um tom de pele, que está sendo bem procurada. Seguimos tendências, mas tentamos ser clássicas, porque vestido da noiva não pode seguir muito modismo. Nós nos preocupamos muito com isso. Fazemos os babados, por exemplo, de forma leve e elegante. É uma releitura para a noiva, nada em excesso, para daqui a uns anos ela olhar as fotos e ainda gostar do vestido.

Como você define o estilo dos vestidos da Vivaz?
São bastante femininos e com modelagens que valorizam o corpo da mulher. Queremos que a mulher esteja elegante, com uma sensualidade no ponto certo. Sexy não é o nosso perfil. Trabalhamos com tecidos nobres, como sedas, gazares, tules e cetins, e gostamos de ter tecidos especiais. Quanto mais exclusividade, melhor, e isso é um ponto forte da marca. Valorizamos também os trabalhos manuais, que vêm das nossas avós, da nossa cultura barroca, mas de forma reinterpretada, porque propomos algo mais leve e contemporâneo. Mas a nossa marca tem toda a tradição mineira.

As mulheres ainda gostam de bordados?
Os bordados da Vivaz não deixam a roupa pesada. Acho que o grande diferencial deles está na leveza. Trabalhamos muito com bordados monocromáticos e foscos, então conseguimos atender uma cliente que gosta de bordado, mas não quer brilho, algo bem adequado para um casamento durante a tarde. Não é um trabalho simples, mas nós nos especializamos nisso, então temos várias maneiras de bordar sem ficar over. Gostamos de um bordado mais elegante.

Fale de um dos momentos marcantes da sua trajetória.
Passamos por momentos muito bons, desfiles bacanas, exportação. Na época do atacado, ficamos oito anos em showroom em Paris e vendemos muito para o Oriente Médio. A abertura da loja em São Paulo também foi um marco, porque era um sonho. Talvez tenha sido o momento mais marcante dos últimos anos. Estamos muto felizes com isso. No ano que vem, pretendemos lançar uma coleção de debutantes. Já atendemos essas meninas, mas timidamente, só para quem procura, nunca divulgamos. Espero que seja ainda no primeiro semestre.


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