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Grife de aluguel

A empresária Graziela Bicalho trouxe para Belo Horizonte uma nova proposta de moda


postado em 09/12/2018 05:07

Graziela Bicalho da Dress and fun! investiu alto em grifes de peso(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Graziela Bicalho da Dress and fun! investiu alto em grifes de peso (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)



A ideia surgiu de uma demanda própria da jovem empresária. Com uma boa situação financeira, Graziela nunca se conformou em comprar um vestido caro para ir a um evento, usar apenas uma vez e ficar depois com aquele valor empatado esquecido no fundo do armário. Na busca por um negócio próprio, se inspirou em uma famosa loja de Nova York e trouxe para a cidade a Dress and fun.! Com apenas dois meses de funcionamento o resultado ultrapassou as expectativas da proprietária em 50%.
“Chegou um momento da minha vida em que eu recebia os convites e já pensava, ‘ah, meu Deus, lá vou eu gastar com roupa que eu não vou usar depois’. E às vezes a gente compra um vestido que é o preço de uma viagem. Isso sempre me incomodou, e achava que tinha que ter uma solução”, explica a jovem empreendedora. “Por outro lado, achava que aluguel de vestido era aquela coisa ultrapassada, onde as peças que estão para alugar são o encalhe que ficou no fundo do estoque. Quase um outlet, mas descobri que existe um universo completamente diferente nessa área”.
Graziela queria investir em um negócio próprio. A primeira opção foi um restaurante de comida saudável, porém consumiria muito de seu tempo e ela não queria abrir mão do convívio e atenção que dispensa aos filhos João Paulo, de 9 anos, e Lucas, de 2. Ela já foi proprietária de uma clínica de estética, mas parou de trabalhar quando o filho menor nasceu, e decidiu voltar ao mercado quando ele completou 2 anos. “Queria um negócio que não impedisse de ter tempo para dedicar aos meus filhos. Não abro mão de levá-los na escola, almoçar com eles e o restaurante era inviável”.
Graziela começou a prestar atenção no movimento mundial de compartilhamento, o que ocorre com Uber, Spotify, Airbnb, etc. Foi nesse momento que descobriu, em Nova York, uma loja chamada Rent the runway. “Estive lá, comecei a seguir a Jennifer Hyman, que é a fundadora da loja e me apaixonei pela ideia. Ela é formada em Harvard e fundou a loja com esse conceito em 2008”, conta.
Se uma loja assim deu certo no país mais capitalista do mundo, era uma coisa muito boa. Decidiu abir uma loja nos mesmos moldes no Belvedere, perto de sua casa e do colégio das crianças. Partiu para pesquisas, foi a Londres, São Paulo – lá, o conceito de sustentabilidade funciona muito bem, há bastante tempo. Também foi ao Rio de Janeiro, onde Flávia Sampaio, mulher de Eike Batista, começou, há dois anos, com uma loja e hoje já está com quatro. “Fui conhecer a loja de Ipanema e fiquei impressionada. Nas duas horas em que estive lá devem ter sido alugados uns seis vestidos. Todos por mulheres lindíssimas, antenadas, muito elegantes e estavam alugando roupa. A carioca é descolada, não tem problema nenhum em alugar roupa. Depois do que vi, decidi trazer essa proposta de serviço para Belo Horizonte”.
A empresária fez consultoria de negócios com uma empresa de São Paulo, e decidiu que aqui era o lugar, mas sempre que perguntava a opinião das pessoas ouvia que no Belvedere não era lugar para esse tipo de negócio, que o público do nobre bairro não alugaria roupa. Convicta do que queria, só pensou no exemplo da Jennifer que montou a loja em Nova York, a cidade do consumo, e deu certo. “Por que não daria certo aqui?”.


A proposta da Dress and fun! é ter de tudo, marcas nacionais e importadas, modelos e estilos variados, desde a roupa de festa bordada dos pés à cabeça, até as mais sequinhas, fluidas ou justas. Na Dress and fun é possível alugar modelos de Dolce &Gabanna, Herve Leger, Emílio Pucci, Gucci, Roberto Cavalli e de grifes nacionais como PatBo, Fruta Cor, Iorane, Patchouli, Anne Fernandes, Bárbara Bela, Printing, Cia da Moda, Agilitá, LN, Lina, Skazi.


A empresária gosta muito das marcas mineiras, mas quando as confecções veem que é para aluguel fecham as portas. Isso não preocupa Graziela, pois em 2008, muitas marcas de alta-costura, como a Chanel, por exemplo, não queriam vender para Jennifer Hyman e hoje ela recebe até coleção exclusiva dessas mesmas grifes que fecharam as portas no início.
Apesar de as famosas marcas atraírem público, as clientes que chegam procuram a roupa que gostam e lhe caem bem, independentemente da grife. O trabalho da equipe é praticamente uma consultoria de moda, sugerindo o estilo da peça de acordo com a ocasião que será usada. E se surpreenderam com as pessoas que estão alugando seus vestidos. São clientes ricas, estáveis financeiramente, que não precisam economizar. Isso fez com que Graziela acreditasse mais ainda no negócio, pois percebeu que a sociedade já está pensando em sustentabilidade.


O estoque da loja é composto por peças que eram do acervo pessoal da empresária, e roupas que adquiriu para compor o mix de produtos da loja. As peças especiais ela consegue com os antigos contatos que tem no exterior, da época em que consumia para uso próprio, como uma amiga da Sacks de Miami, que sempre separa peças especiais que entram em promoção. A grade é ampla, vai do 34 ao 46. O aluguel com cinco diárias vai de R$ 200 a R$ 2 mil.


O feedback que Graziela recebe na hora da devolução é o reconhecimento de que o aluguel foi a melhor coisa que a cliente fez, principalmente no caso de vestidos muito bordados, pois afirmam que seria uma roupa a mais no guarda-roupa, sem uso, já que são peças que não se usam mais de uma vez por serem muito marcantes. “Elas se sentem aliviadas de não estar com uma peça a mais guardada no closet. A pessoa devolve com prazer”, diz. Os mais caros são os de marcas estrangeiras de peso. Um vestido do Cavalli custa em torno de R$ 25 mil e pode ser alugado por R$ 1.900. Ótima opção para sair, arrasar na festa com um baixo investimento e sem ter mais uma roupa guardada por anos no armário.


O movimento veio do boca a boca e Bicalho garante que o sucesso não se deve apenas ao aluguel, mas à proposta de um novo estilo de vida, mais leve e com consumo consciente. “Hoje, estava no salão e criei um post no Instagram baseado em uma peça de publicidade da Uber. Qual o peso do seu carro no seu bolso e na sua vida? Repliquei a publicidade deles e coloquei por cima ‘sabe qual o peso do seu closet?’. Já pensou em quantas roupas estão no seu armário que você usou apenas uma vez? Outras que estão lá paradas e você não usa mais? O que poderia ter feito com esse dinheiro?


O melhor para a empresária é a alegria na qual as clientes devolvem a roupa. É sinônimo de satisfação e de alívio de não ter investido um capital alto em uma roupa que raramente é usada mais de uma vez. A Dress and fun oferece, além dos vestidos, bolsas, clutches e brincos para aluguel. Entre os casos já vividos na loja tem um que marcou a equipe, o de uma médica super apressada que chegou no final da manhã de um sábado para alugar roupa para um evento no mesmo dia. Sem tempo até para experimentar a roupa, acabou levando o vestido, um brinco e até a sandália usada no provador, que acabou sendo emprestada pela dona da loja. Depois, mandou uma mensagem dizendo que fez o maior sucesso e quando devolveu completou falando que nunca mais compraria roupa, só alugaria.


Existe um limite para o aluguel de cada peça, que depende do tipo e tecido da roupa. “Vestidos de seda são mais delicados e acredito que vamos alugar apenas umas cinco ou sete vezes, mas a média de aluguel de uma roupa é em torno de 20 aluguéis. O limite é o desgaste da peça”, explica Graziela.


A maioria das roupas são atemporais, e por isso não “saem de moda”. Quando a roupa sair do aluguel, Graziela pretende fazer bazar para vendê-la. Outro ponto interessante é que a cliente não se preocupa se a roupa que vai usar foi alugada muitas vezes. A visibilidade não é um problema, mas a pergunta que mais ouve é se não corre o risco de ter alguém na festa com a mesma roupa. No caso da Dress and fun isso não ocorre porque todos os vestidos são peça única, não têm duplicidade nem em numeração diferente e nem em cor. Se uma pessoa gostar de um vestido 46, e usa 42, infelizmente terá que escolher outra peça, porque não tem como fazer um ajuste tão grande e não existe ali outra peça igual em numeração menor.


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