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A cada um os seus problemas

Ele é muito contido, principalmente sobre sua intimidade


postado em 11/11/2018 05:05

 

 

João e Maria foram casados durante alguns anos. Não sei precisar quantos. Apenas os conheci já maduros, quando estavam juntos. Ela tivera outro relacionamento, filhos e netos. Ele casado de papel passado nunca foi, não teve filhos e muito menos netos, nem mesmo adotivos. Aliás, aparentemente apesar de curtir bastante as crianças, não se sentia avô como muitos daqueles que gostam de ser assim identificados pelos filhos de seus enteados e enteadas.


Talvez porque não fez parte da criação dos filhos de sua esposa, o que dificulta o desenvolvimento de uma cumplicidade afetiva típica de quem acompanhou e vivenciou muita coisa junto quando eles atravessavam a infância e a adolescência.
Reencontrei-me há alguns dias com João. Separou-se de Maria, não sei bem quando, mas o suficiente para os amigos ainda falarem dela e sentirem falta do casal como casal. Porém o que pegou foi o fato de que alguns amigos optaram por evitá-lo, pois ouviram apenas uma versão de como se deu a separação. A dela. Ele é mais contido, principalmente no que se refere à sua intimidade. É uma das pessoas mais pacíficas que conheço e não o imagino cuspindo no prato que comeu.
Confesso que não ouvi nem uma nem outra versão. A mim não interessa, o que me faz tender a receber a ambos, juntos ou não, em minha casa com a mesma alegria. O que os fez separar, como se separaram, o que um fez ao outro ou deixou de fazer não é de minha conta.


Se quiserem um dia me contar, poderei ouvir, mas aprendi a não tomar posição, até porque a vez que fiz isso fui quem mais se deu mal. O casal reatou sendo que ela ficou com raiva de mim porque apoiei suas queixas (ao invés de acusá-la de precipitada ou injusta) e ele porque eu não soube ser imparcial. Bem ou mal tinham razão e acabei perdendo os dois de vista. Há muito mais entre um casal que qualquer um dos que estamos de fora podemos imaginar. E é bom que assim seja!
Qualquer casal tem casos que fazem qualquer ente externo arrepiar. O que você já foi capaz de fazer à sua esposa ou seu marido em meu ponto de vista seria um sério motivo de separação sumária, irrestrita e inquestionável. Mas vocês hoje vivem felizes, ou melhor, num clima de harmonia agradável e prazerosa e, caso tivessem se separado, estariam amargando um enorme arrependimento.


A isto chamamos perdão, dar a volta por cima, diálogos, colocar pingos nos is sem a intromissão de pessoas parciais como a maioria de nossos amigos. Para isto existem os bons e velhos terapeutas, conselheiros, que vivem a nossa margem e por isso são imparciais (ou deveriam ser) e nos ajudam a enxergar por trás de nós mesmos tudo aquilo que preferimos evitar enfrentar.
Somos todos capazes de atrocidades e arbitrariedades que muitas vezes condenamos nos outros, principalmente naqueles que fizeram vítimas nossos amigos ou amigas. O melhor a fazer é deixar a tarefa de odiar ou amar, perdoar ou incriminar o parceiro, ao seu parceiro. A nós, no papel de amigos, nos cabe manter a amizade, servir de ombro, sem colocar fogo numa fogueira que não acendemos e que também não nos cabe apagar.


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