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Ao abraço

Cobrança excessiva leva a discussões prejudiciais


postado em 04/11/2018 05:06

Existem famílias que desde que se formam desenvolvem a agressividade como forma de se relacionar. Não digo a agressividade física, a tendência de sair no tapa por qualquer coisa, mas principalmente a verbal. Conhece aquele tipo de grupo que quando diz estar conversando parece estar se digladiando? No qual seus membros respondem rispidamente a qualquer pergunta, até mesmo a um bom dia, só faltam latir quando alguém pede um favor e são incapazes de fazer um elogio franco ou de demonstrar afetividade sincera, mesmo quando seus corações realmente a tem?


Começa entre o casal. A falta de cumplicidade, de demonstrações de carinho entre eles, a cobrança excessiva leva a discussões desnecessárias e prejudiciais. Buscar sempre se sobrepor aos outros exige posturas que nem sempre gostaríamos de adotar.
Espera-se de uma pessoa autoritária que ela seja dominadora e arrogante. Quando é essa de fato a imagem que se quer passar é preciso que se faça um enorme esforço para mantê-la. O dominador acaba impedido por ele mesmo de dar vazão a vontade de abraçar ou ser abraçado, de ceder ou ter paciência, desejos que, com certeza, muitas vezes vem.


Esse comportamento acaba atingindo os filhos que aprendem a responder grosseiramente a demandas simples e básicas, crescem sem desenvolver comportamentos afetivos como beijar e abraçar os pais e os irmãos, a não ser quando estão comemorando algo especial, um gol do time de futebol ou uma grande vitória como tirar uma bela nota no Enen.
Como quebrar esse círculo, essa roda viva? Um amigo relatava que seu pai jamais o abraçava. Não que parecesse não gostar do filho ou guardar-lhe alguma mágoa. Ele simplesmente evitava contatos físicos mais íntimos até mesmo com aqueles com quem dividia sua intimidade. Já adulto o filho decidiu investir nos abraços e certo dia ao entrar em casa se jogou nos braços do pai. Assustado o pai perguntou o que havia acontecido.


- Nada, só me deu vontade de te abraçar.- Que bobagem! Até parece que estou morrendo! Nos próximos dias o filho repetiu o gesto, insistência que aos poucos fez com que o pai relaxasse e em uma semana passasse a recebê-lo com os braços abertos, acompanhado de um sorriso, todas as vezes que se encontravam, onde quer que fosse. Anos se passaram e esse filho ainda é o único que o pai abraça. Não apenas envolve os braços em seu corpo, como pode sugerir num primeiro momento um abraço. Muitas vezes é preciso um pequeno movimento, difícil de dar mesmo sendo tão simples, para quebrar toda a rigidez de uma estrutura que se mostrava rígida e imutável. Nada que “um abraço” sincero não seja capaz de abalar.


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