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Estado de Minas MODA/ESTRATÉGIA

Mercado competitivo exige diferenciação e maior valor agregado


postado em 24/05/2015 06:09 / atualizado em 24/05/2015 09:40

Aluna do curso de corte e costura, Luciana Ferreira sonha em ter sua própria confecção(foto: Beto Novaes/EM/D A Press)
Aluna do curso de corte e costura, Luciana Ferreira sonha em ter sua própria confecção (foto: Beto Novaes/EM/D A Press)
Da moda plus size ao country, passando pelos colares e pulseiras feitos com sementes de açaí. São muitos os nichos no mercado da moda. No ambiente competitivo mundial o Brasil exporta, segundos dados do Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), US$ 1,9 bilhão de têxteis e vestuários por ano, ocupando a 41ª posição, segundo o Instituto de Estudos e Marketing Industrial. O gigante China, que é o maior exportador de tecidos e vestuários do mundo, está entre os primeiros países vendedores de vestuários para o mercado interno brasileiro.

A briga é boa. É por isso que é preciso, antes de tudo, investir em diferenciação e adicionar valor agregado ao produto para competir no mercado. Para empreender nessa área, segundo a analista do Sebrae Minas Denize Pinho, o candidato deve, primeiro, saber que o amadorismo não se encaixa nesse ramo, que exige profissional qualificado. “A moda não é só se sentar na máquina e pronto. O processo de criação, para quem quer ser empreendedor, é um dos itens mais difíceis”, comenta. Denize diz ainda que, muitas vezes, as pessoas que vislumbram entrar nesse mercado buscam o setor de vestuário. “Geralmente, dizem que querem criar ‘roupa jovem’. Mas o que é isso? Nenhum consumidor quer comprar uma roupa com que se sentirá mais velho. A moda é extremamente democrática”, ensina.

Ela aconselha ao empreendedor a não sair investindo o seu dinheiro por aí sem antes entender o mercado. “Antes de ‘meter as caras’ nisso, a pessoa tem que entender todo o processo”, afirma. Ela diz que, hoje, os clientes são mais exigentes, e que, se antes olhavam o estilo, atualmente observam e cobram uma boa costura, bom caimento. “No mercado, os preços dos produtos são parecidos. Então, o mundo do negócio da moda hoje é outro. No Brasil, está faltando a capacidade de negócios. Somos bons de criação, mas ruins de negócios”, diz. Pensar a moda como um negócio é o primeiro passo. “Os empresários hoje já estão apostando em uma moda mais apurada. Buscam novas tecnologias, bons equipamentos, um corte a laser, um incremento mais avançado. O empreendedor tem que conhecer e buscar essas inovações”, afirma a especialista.

A costureira Luciana Ferreira, de 34 anos, sabe bem disso. Ela diz que aos 18 anos ingressou em uma confecção e trabalhou com corte de tecidos. Com o passar do tempo, ela foi aprendendo e sentiu a necessidade de ter uma noção de modelagem. Hoje, ela estuda no Serviço Nacional do Comércio (Senac) e pretende, agora, abrir uma confecção. “Quero me tornar uma microempreendedora. Crescer nessa área. Estou investindo aos poucos, comprei maquinário e estou juntando dinheiro”, diz. Segundo Denize, a vontade de fazer diferente e se dedicar a isso é um outro pré-requisito para o empreendedor. “A moda em Minas tem um fazer muito delicado. O mineiro prima pela qualidade e isso é algo que o diferencia”, diz.

PERFIL Além da vontade de fazer diferente, segundo Denize, o empreendedor tem que ter perfil para isso. “Trabalhar nesse ramo é não ter horários. Você não pode perder o tempo de uma coleção, porque tem picos e momentos certos para cada estilo e, se você perde o bonde, é ruim”, avisa. Ela diz que a busca por um processo de criação é uma campo em que se tem mais chance de sucesso. “O igual todo mundo tem. O consumidor que busca o igual vai brigar por preço e isso o empresário não quer. Aqueles que tentam colocar um produto diferenciado vão ter uma clientela melhor e alguém que pague pelo custo”, diz.

QUAL É A SUA?
Conheça alguns nichos da moda para empreender:

>> Moda Plus Size
É direcionada para pessoas que usam roupas acima do padrão convencional adotado pelas fábricas e lojas. A demanda é grande e existem poucas empresas atuando.

>> MODA ECOLÓGICA
Tem uma ampla abrangência e pode incluir produtos feitos de material reciclado, orgânico ou reutilização de produtos. O público é específico e exigente.

>> MODA BRECHÓ
Direcionado para diversos públicos, tendo como atrativo peças exclusivas e bons preços.

>> MODA EVANGÉLICA OU GOSPEL
A religião forma um grupo que movimenta um mercado próprio com produtos feitos sob medidas para essas pessoas. O público-alvo são as mulheres, na maioria, que buscam roupas com decotes fechados, e saias e vestidos mais longos do que a média.

>> MODA STREETWEAR
Vai na direção contrária do estilo arrumadinho. As roupas são largas e descomplicadas.

>> MODA COUNTRY
O estilo no Brasil é uma mistura do tradicional cowboy americano com os trajes usados pela elite da Inglaterra em torneios e cavalarias. Ele foi incorporado ao dia a dia das pessoas e, hoje, está mais moderno.

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