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Estado de Minas

Frutas e pedras dão nova cor à paisagem de Janaúba

Projetos de irrigação pintaram o cenário terroso que esconde topázios e turmalinas em MG


postado em 30/03/2012 06:00 / atualizado em 30/03/2012 07:07

(foto: Luiz Ribeiro/DA Press)
(foto: Luiz Ribeiro/DA Press)

 

Janaúba e Jequitaí – Se percorresse hoje a região da Serra da Jaíba, “o grande chefe” Joca Ramiro, personagem de Grande sertão: veredas que nasceu por aquelas bandas, mais precisamente em Grão Mogol, possivelmente iria corrigir Riobaldo Tatarana, autor da frase no alto desta página, dizendo ao amigo que aquele pedaço de terra não é mais “brabas terras vazias”. Boa parte da área foi colorida pela fruticultura, despertando atenção de indústrias de sucos e polpas. O município de Janaúba, de 65 mil pessoas, ostenta o título de maior produtor nacional de bananas. Cerca de 5,4 mil toneladas do fruto saem da cidade, toda semana, com destino a Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal e outros mercados.

A fruticultura é tema da sexta reportagem da série Sertão grande, que o Estado de Minas publica até amanhã. Bananas, uvas, limões, mangas e outras espécies ganham destaque no Norte em razão de projetos de irrigação, como o Gorutuba, o Pirapora e o Jaíba. Em 2011, as áreas irrigadas produziram 181,6 mil toneladas de frutas, totalizando faturamento de R$ 180 milhões. A região já atrai agroindústrias, como a Pomar Brasil, instalada na cidade de Jaíba, em 2009, e que emprega 550 pessoas. O empreendimento produz polpas de abacaxi, manga, goiaba, melão e maracujá, que são enviadas para indústrias de suco. A Suco Mais também está interessada em chegar à região, segundo informou José Aparecido Mendes, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Janaúba.

Um dos destaques do setor é a empresa Brasnica, instalada em Janaúba e que comercializa cerca de 60 mil toneladas de frutas por ano, tendo a banana (40 mil toneladas) como carro-chefe. “As condições (climáticas) da região favorecem a produção de frutas de qualidade. O clima seco e quente evita o ataque de pragas e doenças”, avalia Dailton dos Santos, gerente do empreendimento, que gera 1,75 mil empregos diretos e conta com uma frota própria de 75 caminhões. A área de produção é de 2,5 mil hectares irrigados.

Um dos responsáveis pelo sucesso da fruticultura no Norte de Minas é o projeto Gorutuba, próximo a Janaúba, onde a água chega por meio de canais que partem da barragem do Bico da Pedra (Rio Gorutuba). Luiz Soares Santos, de 50 anos, é um pequeno produtor da região. Dono de quatro hectares, cultiva banana, coco e goiaba. Nesse projeto há produção de frutas nobres, como a uva, que atraiu gente de longe. Rogério Antônio Felipe deixou Tubarão, no litoral de Santa Catarina, há 15 anos. Ele planta uvas numa área de 10 hectares, dentro do perímetro irrigado. A expectativa para este ano é colher 15 toneladas das variedades niágara e benitaka por hectare. “Valeu a pena a troca (de estados).”

Nem tudo por aquelas bandas, no entanto, é doce como as frutas. “É preciso criar linhas de crédito menos burocratizadas. As exigências são muitas e o agricultor não está preparado para atendê-las”, defende Genesco Rocha Souza, presidente de uma das maiores cooperativas da região, a Cia. da Fruta. Além da falta de infraestrutura de estradas e da baixa disponibilidade de energia elétrica em algumas localidades rurais, ele dispara contra as barreiras ambientais: “Há muita demora na liberação das licenças ambientais. É preciso agilizá-las”.

Alguns projetos demoram muito a sair do papel, como o Jequitaí, nome de um dos rios que servia de referência para a jagunçada do romance se guiar pelo sertão. Idealizado há 40 anos, começa a ganhar forma nos próximos meses. Ao longo dos próximos 12 meses, deve receber aportes federal e estadual da ordem de R$ 800 milhões. A previsão de área a ser irrigada é de 35 mil hectares. Já o total de novos empregos, entre diretos e indiretos, pode somar 80 mil vagas.

Gemas


Pedras preciosas também são encontradas no sertão há décadas. Riobaldo Tatarana, o protagonista do romance de Guimarães Rosa, já conhecia a riqueza: “De Arassuaí, eu trouxe uma pedra de topázio”. As chamadas gemas mineiras são destaque na pauta de negócios da região. Em 2011, as exportações das pedras totalizaram US$ 76,87 milhões, volume que correspondeu a 38,37% do balanço nacional, segundo o Ministério da Indústria do Comércio.

Em Araçuaí (Guimarães Rosa optou por escrever o nome da cidade com dois esses), pessoas ganham a vida com a cata de turmalinas, topázios, rubelitas e outras. Mas o rótulo de capital das gemas ficou com Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. O lucro com as pedras poderia ser maior: elas são enviadas para fora da cidade sem nenhum valor agregado. Já nos Estados Unidos, Europa e Ásia, elas são transformadas em joias e o preço salta. Na tentativa de agregar valor, está sendo criado na cidade um curso técnico de joalheria, que será oferecido pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).

Semiárido receberá 60 mil cisternas

Comunidades carentes de semiárido de Minas e do Nordeste brasileiro não sofrerão mais com a falta de água para consumo. Ontem, em Brasília, uma solenidade apresentou as entidades que vão implantar as 60 mil cisternas nessas regiões. O orçamento previsto para o projeto é de R$ 120 milhões, com prazo de 12 meses para execução. Entre os presentes, o vice-presidente de Gestão de Pessoas e Desenvolvimento Sustentável do Banco do Brasil e conselheiro da Fundação Banco do Brasil, Robson Rocha, o presidente da FBB, Jorge Streit, e a ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campelo.

Segundo Rocha, a iniciativa “reafirma o compromisso do banco com a população brasileira e o desenvolvimento sustentável do país, contribuindo de maneira decisiva para erradicação da miséria e inclusão produtiva dos brasileiros que se encontram em situação de extrema pobreza”. “Temos a certeza de que, com a união dos estados, municípios e de toda sociedade brasileira, em parceria com o Programa Água para Todos do governo federal, podemos zerar a falta de água em todas as regiões e lares brasileiros. O Banco do Brasil sente orgulho de fazer parte desse importante movimento que pertence a todos nós, cidadãos, empresas e entidades públicas e privadas de todo país”, concluiu.


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