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Estado de Minas INDÚSTRIA

Mineração contribui com soluções para economia verde em Minas

Reaproveitamento de rejeitos permite economia de espaço e evita novas intervenções no ambiente


postado em 30/05/2012 16:16 / atualizado em 01/06/2012 13:28

Novo modelo de produção permitirá extrair até 31 milhões de toneladas de minério de ferro de barragens de rejeitos(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press )
Novo modelo de produção permitirá extrair até 31 milhões de toneladas de minério de ferro de barragens de rejeitos (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press )

Para a ONU, economia verde significa o equilíbrio do uso dos recursos naturais diante do avanço das atividades econômicas, sem aumentar os riscos aos ecossistemas. No mundo todo, as atividades de mineração têm papel estratégico na transição para a economia verde. Muitas das soluções para ampliar a eficiência energética, por exemplo, passam obrigatoriamente pela maior disponibilidade de minerais. As mais conhecidas fontes de energia alternativa, como as placas solares e as células fotovoltaicas, as turbinas eólicas e as baterias de carros híbridos demandam minerais em sua produção. Para contribuir para a ampliação do uso de fontes alternativas e causar menor impacto, em Minas Gerais, mineradoras como a Vale e a Votorantim Metais investem em tecnologia para reaproveitar resíduos.

A Vale desenvolveu uma tecnologia para reaproveitar o minério que ficou durante anos depositado em barragens de rejeitos de Minas Gerais. Tradicionalmente nas operações, o material não aproveitado nas instalações de beneficiamento do minério é depositado em barragens construídas para abrigar o rejeito. A medida existe para que o resíduo não assoreie cursos d'água vizinhos às operações. O novo modelo de produção permitirá extrair até 31 milhões de toneladas de minério de ferro, entre 2013 e 2018, em oito barragens. Elas estão localizadas em cinco municípios mineiros: nas unidades de Vargem Grande e Mutuca (Nova Lima), três na mina de Fábrica (Ouro Preto), outra em Córrego do Feijão (Brumadinho), uma na mina do Pico (Itabirito) e outra na mina de Alegria (Mariana).

Segundo Lúcio Cavalli, diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos da Vale, havia antes uma dificuldade tecnológica para que o alto-forno processasse as pedras de minério de tamanho menor com a qualidade necessária para o produto final. O material depositado possui, em média, um teor de ferro de 35%. Após passar pelas novas plantas de concentração, vai atingir o nível de 62%. A tecnologia de concentração magnética de grande capacidade, que já é conhecida nas áreas operacionais da Vale, nunca foi utilizada para beneficiar o material extraído das barragens da empresa em Minas Gerais.

As toneladas de minério de ferro que serão extraídas da barragem correspondem a cerca de 20% da produção anual da Vale de minério concentrado. "É um número muito expressivo, para um produto nobre. O aço proveniente dele terá a mesma qualidade daquele produzido com o minério original. Além dos ganhos econômicos e de produtividade, temos grandes benefícios ambientais. Quando o material é retirado das barragens das unidades operacionais, essas estruturas ganham maior capacidade para receber mais rejeitos, diminuindo a necessidade de criar novas intervenções", explica o diretor. A expectativa é que sejam extraídos cerca de 35% do material atual das barragens.

Resíduo zero
Desde 2010, unidade não gera resíduo no processo de beneficiamento de minério. Rejeito vira insumo agrícola (foto: Votorantim/Divulgação)
Desde 2010, unidade não gera resíduo no processo de beneficiamento de minério. Rejeito vira insumo agrícola (foto: Votorantim/Divulgação)

A Votorantim Metais também desenvolve projetos para transformar o que antes era resíduo em produto e fonte de renda. Na unidade Morro Agudo, em Paracatu, o rejeito das operações, que era dividido em pó calcário industrial (PCI), um produto perigoso; e em pó calcário agrícola, passou a ser 100% formado pelo último. Fernando Rezende, gerente geral do Sistema Três Marias, explica que o projeto Resíduo Zero veio com a iniciativa de utilizar o PCI como insumo de produção. "Ao reaproveitar o material, consegue-se extrair o minério e ainda reduzir a geração de resíduos, transformando-os em insumo agrícola e conciliando a rentabilidade produtiva com a preservação ambiental", define o gerente. Um dos principais usos do pó calcário agrícola é como corretor da acidez do solo, devido ao seu alto potencial nutritivo, ocasionado pela presença do zinco em sua composição.

Desde 2010, a unidade de Morro Agudo não gera resíduo decorrente do processo de beneficiamento e recebeu em maio deste ano o o Prêmio Mineiro de Gestão Ambiental (PMGA), chancelado pela União Brasileira para a Qualidade (UBQ) com o apoio do governo de Minas Gerais e da própria ONU.

A mineração representa, em Minas, o setor econômico que mais recebe investimentos. De acordo com levantamento do Sebrae, a economia mineira deve receber uma injeção de recursos de R$ 48 bilhões entre 2012 e 2013. Desse percentual, 60% dos investimentos serão alavancados por setores tradicionais como mineração, siderurgia e metalurgia. Os municípios que estão na "rota da fortuna" são, sobretudo, os que possuem atividade mineradora. O setor de mineração, segundo o levantamento do Sebrae, sozinho vai investir R$ 24,4 bilhões no estado. A indústria química segue em segundo lugar com R$ 2,9 bilhões, siderurgia e metalurgia com R$ 2,4 bilhões e R$ 2,1 bilhões respectivamente. Na transição para a economia verde em Minas Gerais, esses investimentos podem significar o sucesso das metas previstas pela ONU.

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