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Estado de Minas TRANSPORTE

Plano de transporte pode trazer de volta 1.100 km de trilhos para região metropolitana

Agência de Desenvolvimento da RMBH faz estudo sobre todas as linhas de trem existentes, em uso ou abandonadas, num raio de 150 quilômetros de Belo Horizonte, partindo da Praça da Estação


postado em 30/05/2012 12:34 / atualizado em 01/06/2012 13:30

A malha presente na RMBH, se utilizada para o transporte de passageiros, atenderia imediatamente a 1,2 milhão de pessoas (foto: Beto Novaes/EM/DA Press )
A malha presente na RMBH, se utilizada para o transporte de passageiros, atenderia imediatamente a 1,2 milhão de pessoas (foto: Beto Novaes/EM/DA Press )
Para mais de 50 mil participantes credenciados e centenas de chefes de estado, a ONU estimula, durante a Rio+20, o uso de bicicletas, ônibus, metrô e barcas. Serão espalhados bicicletários e pontos de aluguel de bikes nos locais oficiais da Conferência e 350 ônibus estarão à disposição. O objetivo é fazer com que a locomoção de um ponto ao outro da conferência seja mais limpa, reduzindo a emissão de CO2. Mas e quando esse problema se estende a milhões de pessoas? A Região Metropolitana de Belo Horizonte, com 5,5 milhões de habitantes, conta com três mil ônibus. Eles atendem, em média, 22 milhões de passageiros e realizam 670 mil deslocamentos por mês. As reclamações constantes dos usuários e as imagens de caos nas principais vias de acesso da capital mineira indicam que o número é insuficiente. O chefe do Departamento de Engenharia dos Transportes e Geotecnia da UFMG, Nílson Tadeu Nunes, defende que a RMBH precisa de um sistema de transporte de grande capacidade, já que o rodoviário não supre a demanda. "Com um transporte público insuficiente, aumenta o uso de carros, ampliando os engarrafamentos", explica o professor. Para ele, a solução está sobre os trilhos.

Nunes coordena, junto com a Agência de Desenvolvimento da RMBH, um estudo sobre todas as linhas de trem existentes, em uso ou abandonadas, num raio de 150 quilômetros de Belo Horizonte, partindo da Praça da Estação. A avaliação será feita até o mês de setembro, com o objetivo de viabilizar a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Os trens seriam ligados às demais opções de transporte público, como as estações de metrô, as futuras linhas do BRT (transporte rápido por ônibus) e as estações BHBus. As novas linhas fazem parte do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI), que define as prioridades para o governo estadual e prefeituras da RMBH nas próximas décadas.

O secretário de Estado de Gestão Metropolitana, Alexandre Silveira, e o diretor-geral da Agência de Desenvolvimento da RMBH, Camillo Fraga, explicam que o escopo do estudo em desenvolvimento pela UFMG é de 1.100 km e, num primeiro momento, a prioridade será para os 500 km que formam três trechos:

Sete Lagoas-Belo Horizonte-Divinópolis
Belo Horizonte-Brumadinho-Belo Horizonte
Conselheiro Lafaiete-Ouro Preto

Os estudos de demanda deverão ser concluídos até o mês de julho de 2012. De acordo com as informações reunidas até agora, a malha presente na RMBH, se utilizada para o transporte de passageiros, atenderia imediatamente a 1,2 milhão de pessoas das cidades de Sete Lagoas, Prudente de Morais, Capim Branco, Matozinhos, Pedro Leopoldo, Vespasiano, Santa Luzia, Sabará, Betim, Juatuba, Mateus Leme, Itaúna, Divinópolis, Ibirité, Sarzedo, Mário Campos, Brumadinho, Raposos, Nova Lima, Rio Acima, Itabirito, Congonhas, Conselheiro Lafaiete e Ouro Preto. Esse cálculo considera a população residente num raio de 1 km das estações, com exceção de Belo Horizonte e Contagem, cujos estudos ainda estão em andamento.

Alexandre Silveira destaca que uma das principais vantagens do projeto é disponibilizar ao usuário um serviço rápido, confortável, seguro, pontual e integrado ao metrô, com tarifas menores. "O que se espera é que as concessões possam se iniciar no primeiro trimestre de 2014, com a instalação da empresa, início dos projetos executivos das primeiras obras e encomenda dos primeiros trens", afirma o secretário. O projeto será feito por meio de Parceria Público Privada (PPP) e poderá ser ampliado até municípios da região Central, Leste e do Centro-Oeste mineiro. Serão investidos R$ 1 milhão na elaboração do edital e na modelagem da concessão do sistema de trens metropolitanos. A implantação do sistema foi orçada, inicialmente, em R$ 2 bilhões.

Menos emissão, mais segurança
O transporte ferroviário consome 17,6 gramas de petróleo por passageiro em cada quilômetro. No caso do ônibus, esse número sobe para 18,3, e, no automóvel particular, para 29,9. A diferença é grande também em relação à ocupação do espaço urbano. Em uma faixa de cinco metros de largura, automóveis podem transportar até 3.500 pessoas por hora, num único sentido. Os ônibus levam até 10 mil pessoas, o BRT 30 mil, o trem alcança 40 mil e o metrô, 80 mil. O transporte ferroviário pode também auxiliar o país a chegar mais perto das metas internacionais de segurança no transporte. Em 2011, o Brasil foi um dos mais de cem países signatários da resolução da ONU que estabeleceu como meta reduzir, pela metade, o número de mortes em acidentes de trânsito até 2020. De acordo com o levantamento da Agência Metropolitana, os números de mortos por bilhão de passageiros, em cada quilômetro, chegam a 17 no caso de automóvel; 0,27 no caso de avião; e não passam de 0,18 no caso de trem.

Os investimentos privados e públicos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para as ferrovias entre 2011 e 2014 preveem o acréscimo de 11 mil quilômetros de trilhos, ampliando a malha nacional de 28 mil para 40 mil quilômetros. O valor, orçado em R$ 43,9 bilhões, é o dobro do que se investiu nos últimos 14 anos. Caso os projetos saiam do papel, o modelo ferroviário retomará o primeiro lugar na logística de transportes até 2025, elevando sua participação de 25% para 35% da quilometragem total, acima das hidrovias (34%), rodovias (30%) e do modal aéreo (1%). Apesar disso, de acordo com a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), que representa as empresas do setor, a demanda atual por transporte ferroviário no Brasil é de cerca de 50 mil quilômetros a mais na malha existente.

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